terça-feira, 8 de julho de 2025

Segurança de Fachada: Goiás investe milhões em tecnologia enquanto a criminalidade explode nas ruas

 

Governo de Goiás anuncia modernização com câmeras e viaturas, mas a população enfrenta uma escalada de violência nos bairros e cidades do interior. Moradores denunciam sensação de abandono, e especialistas apontam falhas na gestão da segurança pública.

Por Cleuber Carlos – Investigação Especial | Goiânia, 08 de julho de 2025


Nos últimos três anos, o Governo de Goiás anunciou com estardalhaço a implantação de um dos sistemas de segurança mais modernos do país: câmeras com reconhecimento facial, novas viaturas, drones táticos e a ampliação da central de inteligência da Polícia Militar. Foram mais de R$ 180 milhões investidos, segundo dados do Portal da Transparência e balanços divulgados pela Secretaria de Segurança Pública.

Mas a pergunta que ecoa nas ruas — das avenidas de Goiânia às cidades do interior — é: onde está o resultado?


📉 Enquanto o Estado gasta, a criminalidade cresce

Segundo dados do próprio Observatório de Segurança Pública de Goiás, o primeiro semestre de 2025 apresentou:

  • Alta de 27% nos furtos e arrombamentos residenciais em Goiânia e Aparecida de Goiânia;

  • Crescimento de 19% nos roubos a comércios em cidades do sudoeste, como Rio Verde, Jataí e Mineiros;

  • Violência letal em alta em regiões periféricas da capital, com aumento de 18% nos homicídios em relação ao mesmo período de 2024.


🎥 Câmeras que vigiam, mas não impedem o crime

A promessa do governo era transformar Goiás em um “estado inteligente” com milhares de câmeras interligadas por inteligência artificial. A plataforma "Centro de Comando e Controle", lançada em 2023, custou R$ 22 milhões e foi apresentada como “revolução na segurança”.

No entanto, moradores relatam que os crimes continuam acontecendo à luz do dia, mesmo sob os olhos do Big Brother goiano.

“Na minha rua tem câmera, mas minha loja foi arrombada duas vezes em dois meses. A polícia só chega depois que tudo já aconteceu”, relata Valéria Couto, comerciante no Jardim América.


🚓 Viaturas de luxo e ausência nas ruas

Enquanto o governo exibe frotas com SUVs blindadas e motocicletas BMW, moradores de bairros como Setor Pedro Ludovico, Madre Germana e Vila Brasília reclamam da falta de rondas e policiamento efetivo.

“A sensação é de propaganda. A gente vê viatura bonita em evento oficial, mas na hora que precisa, liga e escuta: ‘não temos efetivo no momento’”, denuncia o autônomo João Batista, morador de Aparecida.


🎤 Especialista critica o modelo atual: “Câmera não prende bandido”

O especialista em segurança pública e ex-oficial da PM, Tenente-Coronel Rômulo Vasconcelos, faz uma crítica contundente à política atual:

“Equipamento não substitui presença. O criminoso já percebeu que o Estado é bom em filmar, mas ruim em agir. Sem policiamento de proximidade, inteligência humana e resposta rápida, os crimes vão continuar.”


📊 Onde estão os recursos?

Segundo cruzamento feito pelo Blog do Cleuber Carlos, os principais contratos de segurança firmados entre 2022 e 2025 incluem:

  • R$ 74,3 milhões com empresas de monitoramento e software;

  • R$ 46 milhões com aquisição de viaturas blindadas;

  • R$ 22 milhões para a construção da Central Integrada de Comando (CICC);

  • R$ 38 milhões em contratos de drones e equipamentos de inteligência.

Ainda assim, os índices de resolução de crimes seguem baixos. Em 2024, menos de 20% dos casos de furto foram solucionados pela Polícia Civil.


🤐 Governo evita responder perguntas incômodas

A reportagem enviou 4 perguntas à Secretaria de Segurança Pública e ao Palácio das Esmeraldas, mas até o fechamento desta edição não houve resposta sobre:

  1. A efetividade das câmeras no combate real ao crime;

  2. A taxa de resolução de crimes em 2025;

  3. A cobertura policial nas periferias da capital;

  4. A redução no número de agentes em campo.


🗣️ População sente abandono

Em redes sociais e grupos de bairro, o sentimento é de abandono.

“A segurança em Goiás virou uma vitrine. Só serve pra propaganda. Quem mora nas periferias tá refém de assalto e tráfico”, desabafou a jovem Luciane Moraes, do setor Morada Nova, em Aparecida.


🧭 Análise final: segurança de marketing, ausência de Estado real

A gestão de segurança pública em Goiás tem priorizado soluções midiáticas, contratos milionários e eventos de entrega de viaturas, mas pouco investe naquilo que realmente faz diferença: efetivo policial, presença diária e resposta rápida.

O povo goiano, que paga caro por um estado vigiado por telas, segue à mercê da criminalidade — com medo nas ruas e silêncio nas autoridades.


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