Por Cleuber Carlos
O que aconteceu com Nara Batista em Pirenópolis não é apenas um caso isolado — é o retrato fiel do autoritarismo que reina em Goiás sob o comando de Ronaldo Caiado (UB). Um governador que usa o cargo para perseguir, calar e punir adversários políticos, servidores públicos e quem ousa não seguir sua cartilha pessoal.
Nara, servidora do Vapt Vupt, foi demitida sumariamente na segunda-feira (16), após publicar em suas redes sociais uma simples foto com o ex-governador Marconi Perillo (PSDB), durante as Cavalhadas no domingo anterior. A justificativa? Nenhuma que se sustente na legalidade. Mas o motivo real veio escancarado em uma mensagem vergonhosa enviada por Leonora Gomes, ex-cunhada de Caiado e figura influente do governo na cidade.
Ela escreveu:
“Você foi muito ingênua ao postar fotos em seus stories, tanto sua quanto de seu filho com o Marconi, né, Nara? [...] Foi mal, né? Você não deveria ter feito isso. Já estou indicando outra pessoa no seu lugar.”
Isso não é gestão pública — é coronelismo. É chantagem política com dinheiro público. É perseguição descarada!
Caiado governa como se Goiás fosse sua fazenda. E quer levar esse estilo ao Brasil.
A demissão de Nara é ilegal, imoral e inconstitucional. Fere o artigo 5º da Constituição, que garante liberdade de pensamento e convicção política. Fere o artigo 37, que exige impessoalidade, legalidade e moralidade na administração pública. Mas, acima de tudo, fere o espírito democrático do país.
O recado do governo Caiado é claro: se você sorrir para quem ele não gosta, está fora. Não importa seu desempenho, seu histórico, seu direito. Com Caiado, ou você é aliado — ou é inimigo.
E esse homem quer ser presidente da República.
Imagine esse mesmo autoritarismo com a caneta presidencial na mão. Imagine um Brasil onde servidores públicos têm que pedir permissão para tirar foto, jornalistas são coagidos, adversários são tratados como criminosos. Esse é o modelo de país que Caiado representa — um país sem liberdade de expressão, sem respeito à pluralidade, sem democracia de fato.
É hora de dizer basta.
O Ministério Público precisa agir. A Justiça tem que dar resposta à altura. E a sociedade civil precisa denunciar. Não podemos normalizar esse tipo de abuso. Porque quando um governo começa a demitir por convicções políticas, a liberdade de todos está sob ataque.
Hoje é Nara. Amanhã pode ser qualquer um de nós.

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