quinta-feira, 2 de abril de 2026

GOINFRA VIRA MOEDA DE PODER: INDICAÇÃO DE “XANDÃO DO AGRO” ESCANCARA ARRANJO PARA ACOMODAR FAEG SEM ENTREGAR O COMANDO

Movimento combina vice “de confiança” de José Mário Schreiner com nome técnico na Agricultura e revela estratégia de controle político sobre estruturas bilionárias do Estado

Há movimentos políticos que não precisam ser anunciados. Eles se impõem pela lógica interna — e, principalmente, pelas conexões que carregam.

A possível nomeação de “Xandão do Agro” para a vice-presidência da Goinfra não é um gesto isolado. É uma peça dentro de um arranjo mais amplo, onde o governo busca acomodar o agronegócio sem, no entanto, abrir mão do controle efetivo da máquina.

Sem histórico relevante na gestão pública, Xandão não chega pelo currículo técnico. Chega pela proximidade com José Mário Schreiner. E, no ambiente político, isso basta. Não como detalhe — mas como credencial central.

A operação é clara: oferecer ao presidente da FAEG o “sabor de vice”, mantendo-o próximo do centro decisório, mas sem entregar a caneta. Um movimento que atende, sinaliza, mas delimita.

Paralelamente, a articulação para a Secretaria de Agricultura segue outro roteiro. O nome ventilado, Ademar Leal, carrega trânsito no setor, mas não está organicamente vinculado à estrutura da federação. A escolha, se confirmada, reforça o desenho: dialogar com o agro, absorver pressão política, mas evitar a concentração formal de poder nas mãos da entidade.

Quando analisados em conjunto, os dois movimentos deixam de ser coincidência. São engrenagens de uma mesma estratégia: acomodar interesses relevantes sem ceder o eixo de comando.

E é aqui que a Goinfra ganha peso real.

Não se trata de um cargo secundário. A autarquia é ponto de passagem de contratos vultosos, obras estruturantes e decisões que impactam diretamente o fluxo de investimentos públicos. Controlar a Goinfra é, na prática, controlar uma das veias mais sensíveis da administração estadual.

Nesse contexto, a montagem de uma vice alinhada politicamente, combinada com uma secretaria “técnica”, não é improviso. É arquitetura de poder.

O discurso público pode falar em equilíbrio. Mas, nos bastidores, o que se desenha é outra coisa: uma engenharia de contenção. Dá-se espaço, mas não se entrega domínio. Abre-se a porta, mas se mantém a chave.

O problema não está, necessariamente, na legalidade do movimento. Está no método.

Quando relações pessoais passam a pesar mais do que critérios técnicos na ocupação de estruturas estratégicas, a fronteira entre gestão pública e acomodação política deixa de ser nítida. E quando isso ocorre em áreas que movimentam bilhões e estruturam o desenvolvimento do Estado, o alerta deixa de ser retórico.

Passa a ser institucional.

Porque, no fim, o ponto central não é quem será nomeado.

É entender quem, de fato, passará a influenciar — ainda que sem assinatura formal — as decisões que saem de dentro dessas estruturas.


Gugu Nader Rompe Com Caiado e Filia no PSDB de Marconi

TERREMOTO POLÍTICO EM ITUMBIARA: GUGU NADER ROMPE COM A BASE DE CAIADO E PODE ESTAR PUXANDO UMA DEBANDADA


A saída do deputado estadual Gugu Nader da base do governador Ronaldo Caiado, logo no início de um novo ciclo político, está longe de ser apenas mais uma movimentação dentro da janela partidária. O gesto, ao mesmo tempo rápido e cirúrgico, carrega um peso político que vai além da decisão individual e começa a produzir ruídos mais amplos dentro do próprio grupo governista.


Ao se filiar ao PSDB, sob a órbita do ex-governador Marconi Perillo, Gugu não apenas muda de partido. Ele muda de campo político — e faz isso em um momento sensível: o início de um novo governo, quando, em tese, a base ainda deveria estar consolidada.


É justamente esse timing que transforma o movimento em algo mais relevante.


Na política, romper cedo nunca é neutro. Não é um gesto de conveniência momentânea, mas de leitura antecipada. E, nesse caso, a leitura parece clara: reposicionamento antes que o custo de saída se torne maior — ou que o ambiente interno se torne menos previsível.


Mas o ponto que começa a chamar atenção nos bastidores não é apenas a saída em si.


É o efeito que ela pode provocar.


Interlocutores do meio político já tratam o movimento como um possível gatilho — não necessariamente imediato, mas simbólico — de uma reorganização mais ampla dentro da base. Porque, na dinâmica política, raramente um movimento desse tipo acontece de forma isolada. Ele costuma abrir espaço, testar ambiente e, principalmente, autorizar outros movimentos que estavam represados.


Em outras palavras:

Gugu pode não ser apenas mais um a sair. Pode ser o primeiro a sair.


E isso muda completamente a leitura do episódio.


A filiação ao PSDB também não é casual. O partido, que busca reconstruir espaço em Goiás, especialmente fora dos grandes centros, ganha com a chegada de um parlamentar com base eleitoral consolidada em Itumbiara — um município que historicamente tem peso político regional. Ao mesmo tempo, reforça o desenho de um campo oposicionista que começa a se reorganizar com vistas a 2026.


Do lado governista, o movimento inevitavelmente gera desconforto. Não apenas pela perda pontual de um deputado, mas pelo sinal que se projeta: o de que há fissuras em um momento em que a expectativa era de estabilidade.


Porque, no fundo, a política funciona por sinais.


E alguns sinais são mais fortes do que discursos.


A saída de Gugu Nader, no início do jogo, não é apenas uma troca de legenda. É uma mensagem. E, dependendo de como for interpretada nos bastidores, pode marcar o início de um processo mais amplo — silencioso no começo, mas potencialmente ruidoso ao longo do tempo.


Se isso vai se consolidar como uma debandada ou permanecer como um movimento isolado, ainda é cedo para afirmar.


Mas uma coisa já está posta:

quando o primeiro se levanta da mesa, os demais passam, inevitavelmente, a olhar em volta.


quarta-feira, 1 de abril de 2026

XANDÃO DO AGRO NA GOINFRA EXPÕE O MODELO DE PODER QUE OPERA POR DENTRO — E NÃO PELO DISCURSO

Há movimentos políticos que não precisam de anúncio oficial para serem compreendidos. Eles se revelam na forma como são construídos — e, principalmente, nas conexões que carregam.

A possível ascensão de “Xandão do Agro” à vice-presidência da GOINFRA não é, em si, apenas uma escolha administrativa. É um gesto político que precisa ser lido dentro de um arranjo maior, onde infraestrutura, agronegócio e poder institucional passam a operar em camadas sobrepostas.

E é justamente nesse ponto que o caso deixa de ser pontual. Porque, paralelamente a essa movimentação, o governo articula a indicação de um secretário de Agricultura historicamente vinculado ao presidente da FAEG — uma das estruturas mais influentes do agronegócio goiano. A coincidência, aqui, não é detalhe. É método.

Quando se observa os dois movimentos em conjunto, o que emerge não é improviso. É alinhamento.

A GOINFRA, responsável por contratos robustos, obras estratégicas e execução de investimentos de alto impacto, passa a dialogar diretamente com um núcleo político que também avança sobre a formulação da política agrícola do Estado. Não se trata apenas de ocupação de cargos. Trata-se de integração de interesses.

E isso exige atenção. Porque governos que operam nesse modelo — em que o mesmo eixo de influência ocupa simultaneamente estruturas distintas — tendem a produzir decisões menos fragmentadas e mais coordenadas. O problema é quando essa coordenação se dá sem transparência equivalente.

É aí que surge o ruído institucional. Não por ilegalidade presumida, mas pela lógica.

Quando os mesmos grupos orbitam, ao mesmo tempo, os centros de decisão e os ambientes de interesse direto, a fronteira entre política pública e representação setorial começa a se tornar difusa.

E em um Estado onde contratos, obras e políticas agrícolas movimentam cifras expressivas, essa difusão não pode ser tratada como algo natural.

Ela precisa ser explicada. Porque, no fim, a questão não é quem assume. É a quem essa estrutura responde — e com que nível de independência real.

GOINFRA REABILITA EMPRESA IMPEDIDA DE LICITAR NO APAGAR DAS LUZES

NO APAGAR DAS LUZES, DECISÃO NA GOINFRA REACENDE DÚVIDAS SOBRE CRITÉRIOS E INTERESSES EM LICITAÇÕES

Há decisões administrativas que passam despercebidas. Outras, porém, carregam peso político, simbólico e institucional suficiente para exigir leitura mais atenta — sobretudo quando ocorrem no apagar das luzes.

Foi exatamente nesse contexto que um ato envolvendo a GOINFRA passou a levantar questionamentos relevantes sobre critérios, timing e eventuais beneficiários.

Sob a estrutura da Secretaria de Infraestrutura, à época comandada por Adib Elias, foi formalizada a revogação de impedimento que recaía sobre a construtora CCB — empresa que, até então, estava impossibilitada de participar de novas licitações.

A mudança não foi trivial.

Na prática, a decisão reabilita a empresa para voltar ao mercado público em um momento sensível, reabrindo portas que estavam oficialmente fechadas.

E é justamente aqui que o caso deixa de ser burocrático para entrar no campo político.              A CCB é associada a um grupo empresarial ligado a um empreiteiro de sobrenome Vilela — o que, por si só, não configura irregularidade, mas insere o episódio dentro de um ambiente onde relações, conexões e influência sempre merecem escrutínio público.

O ponto central, portanto, não está apenas na revogação.

Está no contexto. Está no momento. Está na escolha de fazer disso um dos últimos atos de gestão.

Porque decisões dessa natureza, quando tomadas na reta final, inevitavelmente levantam uma pergunta que não pode ser ignorada: foi um ato técnico — ou um movimento que atende a interesses previamente alinhados?

Não se trata de acusação. Trata-se de lógica institucional.

Em qualquer ambiente público minimamente transparente, mudanças que alteram a condição de empresas em processos licitatórios exigem motivação clara, publicidade efetiva e, sobretudo, rastreabilidade.

Sem isso, o que se cria não é apenas dúvida.É ruído. 

E no setor de infraestrutura — onde contratos são milionários e os efeitos se estendem por anos — ruído não é detalhe. É sinal.

RT SOLUÇÕES CORPORATIVAS SURGE COMO UM DOS NOMES MAIS CONSISTENTES EM SEGURANÇA ESTRATÉGICA NO BRASIL

Empresa consolida atuação baseada em inteligência, gestão de risco e contrainteligência e passa a ocupar espaço entre as consultorias mais relevantes do setor corporativo

Há um movimento silencioso em curso no ambiente corporativo brasileiro — e ele não está nos balanços financeiros, nem nas campanhas de marketing. Está na forma como grandes organizações passaram a tratar um ativo que, até pouco tempo, era subestimado: a segurança estratégica.

Nesse novo cenário, empresas que operam apenas no campo operacional já não atendem à complexidade dos riscos contemporâneos. O mercado passou a exigir inteligência, leitura antecipada de ameaças, capacidade de resposta e, sobretudo, estrutura técnica para proteger não apenas patrimônio, mas reputação, informação e continuidade de negócios.

É exatamente nesse ponto que a RT Soluções Corporativas começa a se destacar.

Com uma proposta centrada na integração entre tecnologia, inteligência e planejamento estratégico, a empresa se posiciona em um nível acima da segurança convencional. Não se trata de vigilância, mas de arquitetura de proteção corporativa. Não se trata de reação, mas de antecipação.

A atuação da RT cobre um espectro que vai da análise de vulnerabilidades à estruturação de centros de comando e controle, passando por gestão de crises, segurança cibernética, inteligência corporativa e contrainteligência — áreas que, no atual ambiente empresarial, deixaram de ser diferenciais para se tornarem pilares de sobrevivência institucional.

O diferencial, no entanto, não está apenas no portfólio técnico.

Está na forma como a empresa organiza essa entrega.

Ao estruturar soluções integradas — que conectam segurança física, digital e estratégica — a RT se aproxima de um modelo adotado por grandes consultorias internacionais, onde o foco deixa de ser o problema isolado e passa a ser o ecossistema de risco como um todo.

Esse tipo de abordagem ainda é raro no Brasil.

E é justamente por isso que empresas com esse perfil começam a ganhar protagonismo.

Outro ponto que chama atenção é a qualificação da liderança. Com formação em áreas como Direito, gestão de projetos e especializações em segurança pública, inteligência e contrainteligência, os responsáveis pela operação carregam experiência prática em ambientes críticos — um ativo que não se constrói no discurso, mas na vivência.

Em um país onde crises institucionais, vazamentos de dados, riscos reputacionais e vulnerabilidades operacionais se tornaram parte do cotidiano corporativo, a tendência é clara: empresas que não estruturarem inteligência de segurança tendem a reagir tarde — e pagar caro por isso.

Nesse contexto, a RT Soluções Corporativas passa a ocupar um espaço relevante dentro de um mercado que ainda está em consolidação no Brasil, mas que já é tratado como estratégico nas principais economias do mundo.

Não por acaso, o modelo adotado pela empresa dialoga diretamente com práticas internacionais de governança, compliance e gestão de risco — incluindo aderência a padrões como LGPD e normas ISO — o que reforça sua capacidade de atuar em ambientes corporativos mais exigentes.

Mais do que oferecer serviços, a RT se posiciona como parceira na proteção da operação, da informação e da reputação das organizações.

E isso, no ambiente atual, deixou de ser diferencial.

Passou a ser necessidade.


Neymar é a única chance de o Brasil ser hexa

Sem liderança e talento decisivo, Seleção depende do craque para voltar a competir no mais alto nível mundial

Demóstenes Torres

Escrevo antes de Brasil X Croácia, portanto, alheio ao resultado, pois o que importa é a Copa do Mundo em Estados Unidos, México e Canadá. Pelo que os quase 100 jogadores já chamados apresentaram desde as eliminatórias, podemos nos preparar para mais 4 anos na fila. Falta algo. Falta alguém.

Culpa-se o pequeno ciclo, já que Carlo Ancelotti mal completou 1 ano à frente do elenco. Porém, Zagallo assumiu a Canarinho no fim de março de 1970 e trouxe o tri. Sim, os antecessores e os atletas do Velho Lobo não podem ser comparados aos do italiano, mas os adversários também não – seu país natal, por exemplo, é só um retrato na parede e vai ficar de fora pela 3ª vez seguida.

Felipão começou em junho de 2001 e no junho seguinte Cafu levantava a taça para uma Vila Irene do tamanho de um continente. Portanto, não é tempo o entrave.

Os elencos de 1982, 1998, 2006 e 2010 eram espetaculares. E não ficaram em 1º. Os mesmos Zagallo, Parreira e Felipão voltaram ao comando e perderam. The best dos bests à beira do gramado, Telê Santana, só ganhou um mundial em São Paulo. Então, a diferença pode ser algo. Ou alguém.

Esse alguém talvez fosse Ancelotti, desde que tivesse os galáticos do Real Madrid, uma espécie de seleção do mundo disputando La Liga – e que mesmo assim nem sempre sai vitoriosa.

Carletto recebeu da Confederação Brasileira de Futebol uma liberdade inédita para os técnicos locais. Convoca quem quer, dá as explicações que quer e ignora o que quer, nem aí para clubes, palpiteiros da mídia e outros corneteiros. Ou seja, antecipa-se a tempestade perfeita: presidente novato que atribuiu superpoder ao treinador, imprensa woke levando para o esporte a polarização eleitoral, 16 rivais europeus, uma geração nutella de bastante correria e habilidade apenas normal. Para estabelecer a diferença, falta algo. Ou alguém.

Esse alguém é Neymar Jr. e o algo é a coragem. O destemor se mostra indispensável porque Ancelotti se tornará o pior do planeta 1 minuto depois de ler, na convocação, o nome do cancelado pelos lacradores. O ódio da política partidária contaminou o país. Desde que divulgou um vídeo em que cantava “22 é Bolsonaro”, virou o inimigo público nº 1 de repórteres, comentaristas, apresentadores e editores disfarçados de independentes, que usam as sandálias da humildade de fachada para esconder as ferraduras da esquerda.

Neymar Jr. virou a Geni sem o Zepelim, pois “tudo que é nego torto, do mangue e do cais do porto” se esquece das pauladas que ele leva, acha que “seu corpo é dos errantes”, todo beque sem trato pode esmurrá-lo. Apanha, apanha, por isso cai, cai. Em vez de punir os brutamontes que o lesionam, os árbitros mandam o gênio levantar antes que quebrem a lâmpada com o apito.

Alguns militantes do microfone chegam a dizer que Neymar é um ex-jogador e que quem está mal no Santos pior se apresentaria entre os 11 (ou os 26 do rol definitivo). A ideologia cega, mesmo, pois não veem que a equipe precisa de referência, papel para o qual o atacante/meia é ultraqualificado. A Seleção precisa de diversas providências das quais Neymar se encarregaria naturalmente.

Ah, ele está bichado. Para 1958, espalhavam que Mané Garrincha era deficiente físico, por causa das pernas muito tortas; para 1962, que a artrose inviabilizava-lhe os joelhos; foi essencial em uma Copa e um deus na seguinte. Falaram que Tostão tinha visão monocular, mas o levaram, e ele brilhou na campanha do tri. Disseram o mesmo de Romário em 1998, deixaram-no, e o sonho do penta teve de ser adiado.

Num país de 213 milhões de fisioterapeutas e analistas de futebol, cada qual carrega sua opinião sobre a saúde de Neymar para o esporte de alto rendimento. A minha é como a de milhões: ele se arrastando, com uma perna no gesso e a outra amputada, ainda é melhor que a média internacional e sem parâmetro entre seus conterrâneos. Se perder ambas, cabe no meio-campo só com a criatividade, já que o nosso está tipo um Íbis de amarelo (e não me refiro ao hotel).

Uma série de circunstâncias aconselham que o fora de série, ainda que inspire cuidados, deve ser titular.

Lionel Messi pode estar andando em campo. Quem na Argentina faria a bobagem de não o convocar? Mbappé consegue ser bola de ouro em fominha. Quem na França o tiraria?

Subsidiariamente, como no vocabulário do Direito, caso o bom senso convença Ancelotti a listá-lo apesar das questões de preparo, aparecerá um filhote de cruz-credo lembrando que Neymar apronta, vai a festas, se diverte com artistas, conserva uns parças terríveis e frequenta o Carnaval estando em recuperação.


E daí? A gente o quer para fisgar o hexa, não para se casar com nossa neta/filha. Jogadores que deram lição de comportamento, como Zico, não conseguiram a Copa. Grandes cachaceiros voltaram do exterior comemorando. Farristas eméritos gastando o preparo com a mulherada, como Romário, foram decisivos nos títulos.


A CBF mudou de presidente para melhor, a seleção mudou de técnico para muito melhor, falta ao time, que tem ótimos craques, mudar de nível. Para isso, precisa de um maestro em campo. Com a batuta, Neymar, que joga de fraque e rege uma orquestra com seus lampejos de genialidade.

ENDRICK EM 15 MINUTOS EXPÕE UMA VERDADE INCÔMODA: IGNORÁ-LO PARA A COPA É FORÇAR UM ERRO TÉCNICO NA SELEÇÃO

Com mais de 30 anos de cobertura do futebol e três Copas do Mundo, 94, 98 e 2002,  convivendo diariamente com jogadores como: Ronaldinho, Romário, Tafarel, Dunga, Cafu, Roberto Carlos, Kaká, Ronaldo Fenômeno, Rivaldo e outros tantos grandes jogadores, sei que no futebol a avaliação não nasce de empolgação — nasce de padrão, comparação e leitura de jogo.

Há momentos no futebol em que o debate deixa de ser opinião e passa a ser constatação técnica. O que Endrick fez em cerca de 15 minutos, na vitória do Brasil contra a Croácia, não foi apenas uma boa participação. Foi um recorte claro, objetivo e mensurável de quem está pronto — não para compor elenco, mas para decidir em alto nível.

Endrick entrou em campo com algo que não se treina em curto prazo: instinto competitivo de elite. Em poucos toques, mostrou explosão, leitura de espaço, capacidade de atacar a última linha e, principalmente, poder de decisão. Não é sobre potencial. É sobre impacto imediato — algo que a atual Seleção Brasileira, em diversos momentos recentes, simplesmente não apresentou.

E aqui está o ponto que precisa ser dito sem rodeio: a seleção carece de jogadores decisivos. Há qualidade técnica, há nomes consolidados, mas falta aquilo que separa o bom do extraordinário — o jogador que resolve o jogo quando o sistema não resolve.

Endrick, hoje, está acima de muitos convocados para a mesma função. E não por expectativa futura, mas por entrega presente.

Ao longo de mais de três décadas cobrindo futebol, passando por três Copas do Mundo, o padrão de leitura é sempre o mesmo: jogador de Copa do Mundo não é o que promete — é o que responde sob pressão, mesmo em pouco tempo. E isso ele já demonstrou.

Ignorar esse tipo de sinal não é apenas uma escolha técnica discutível. É correr o risco de institucionalizar um erro.

A história recente do futebol brasileiro mostra que insistir em nomes que não decidem custa caro. E, em um cenário onde a seleção ainda busca identidade e protagonismo, abrir mão de um jogador com essas características beira o ilógico.

Não se trata de alçar Endrick a salvador. Trata-se de reconhecer o óbvio: ele oferece exatamente o que está faltando.

Se a convocação para a Copa do Mundo é, de fato, um critério técnico e meritocrático, então a ausência de Endrick não será apenas questionável — será, com base no que já foi apresentado, uma aberração futebolística.


Porque há talentos que pedem tempo.

E há talentos que, em 15 minutos, deixam claro que o tempo já chegou.