Com mais de 30 anos de cobertura do futebol e três Copas do Mundo, 94, 98 e 2002, convivendo diariamente com jogadores como: Ronaldinho, Romário, Tafarel, Dunga, Cafu, Roberto Carlos, Kaká, Ronaldo Fenômeno, Rivaldo e outros tantos grandes jogadores, sei que no futebol a avaliação não nasce de empolgação — nasce de padrão, comparação e leitura de jogo.
Há momentos no futebol em que o debate deixa de ser opinião e passa a ser constatação técnica. O que Endrick fez em cerca de 15 minutos, na vitória do Brasil contra a Croácia, não foi apenas uma boa participação. Foi um recorte claro, objetivo e mensurável de quem está pronto — não para compor elenco, mas para decidir em alto nível.
Endrick entrou em campo com algo que não se treina em curto prazo: instinto competitivo de elite. Em poucos toques, mostrou explosão, leitura de espaço, capacidade de atacar a última linha e, principalmente, poder de decisão. Não é sobre potencial. É sobre impacto imediato — algo que a atual Seleção Brasileira, em diversos momentos recentes, simplesmente não apresentou.
E aqui está o ponto que precisa ser dito sem rodeio: a seleção carece de jogadores decisivos. Há qualidade técnica, há nomes consolidados, mas falta aquilo que separa o bom do extraordinário — o jogador que resolve o jogo quando o sistema não resolve.
Endrick, hoje, está acima de muitos convocados para a mesma função. E não por expectativa futura, mas por entrega presente.
Ao longo de mais de três décadas cobrindo futebol, passando por três Copas do Mundo, o padrão de leitura é sempre o mesmo: jogador de Copa do Mundo não é o que promete — é o que responde sob pressão, mesmo em pouco tempo. E isso ele já demonstrou.
Ignorar esse tipo de sinal não é apenas uma escolha técnica discutível. É correr o risco de institucionalizar um erro.
A história recente do futebol brasileiro mostra que insistir em nomes que não decidem custa caro. E, em um cenário onde a seleção ainda busca identidade e protagonismo, abrir mão de um jogador com essas características beira o ilógico.
Não se trata de alçar Endrick a salvador. Trata-se de reconhecer o óbvio: ele oferece exatamente o que está faltando.
Se a convocação para a Copa do Mundo é, de fato, um critério técnico e meritocrático, então a ausência de Endrick não será apenas questionável — será, com base no que já foi apresentado, uma aberração futebolística.
Porque há talentos que pedem tempo.
E há talentos que, em 15 minutos, deixam claro que o tempo já chegou.
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