
Paulo do Vale pode estar caminhando para uma das situações mais cruéis do sistema proporcional: receber uma votação expressiva e, ainda assim, ficar fora da Assembleia Legislativa.
Isso ocorre porque deputado estadual não é eleito apenas pelos próprios votos. Paulo depende da soma de toda a chapa do PSD para que o partido conquiste uma cadeira pelo quociente partidário ou pelas sobras.
O PSD anunciou 18 candidatos, mas a relação oficial já encolheu. Raimundo da Casa da Saúde renunciou, enquanto o coronel Hemerson, apresentado durante a formação da nominata, não aparece entre os atuais candidatos do partido.
Além de Paulo, permanecem concorrendo: Adriano Guimarães, Bia, coronel Edson Raiado, Foguinho, Léo de Oliveira, Luciana Gouveia, Márcio Gordo, Mariana Arruda, Rafael Rodrigues, Ralil Buzaim, Regina Alice, Samuel Almeida, sargento Ana Paula, sargento Sara e tenente Ana Paula.
A lista parece numerosa no papel, mas não demonstra a mesma força nas ruas. A maior parte dos candidatos possui baixa visibilidade estadual, pouca estrutura conhecida e reduzida movimentação pública de campanha. Efetivamente, apenas Raiado e Samuel Almeida apresentam condições aparentes de acrescentar mais de 20 mil votos cada à votação de Paulo.
Esse é o perigo. Se Paulo alcançar 55 mil votos, Raiado fizer 25 mil e Samuel somar 20 mil, os três chegarão a 100 mil votos e poderão colocar o PSD na disputa por uma cadeira. Entretanto, se Raiado ou Samuel desistir, tiver a candidatura inviabilizada ou simplesmente não confirmar a votação esperada, a conta poderá desabar.
Não existe informação de que Raiado ou Samuel pretendam abandonar a eleição. A hipótese serve para revelar a fragilidade matemática da chapa: a saída ou o fracasso eleitoral de apenas um deles pode retirar entre 20 mil e 30 mil votos da nominata.
Paulo poderá, portanto, receber 50 mil ou 60 mil votos e ficar sem mandato porque os demais candidatos não entregaram a votação necessária. O PSD não tem uma chapa competitiva; tem três candidaturas tentando carregar quase todos os outros nomes.
O risco é objetivo: se a cauda não reagir, Paulo do Vale poderá ser o mais votado do PSD, comemorar uma grande votação individual e assistir de fora à posse da próxima Assembleia.








