terça-feira, 4 de novembro de 2025

PT sem rumo em Goiás: o partido não tem nome para disputar o governo e vive dilema entre sobrevivência e irrelevância

Sem projeto estadual, o PT goiano aposta em velhos nomes para deputado federal e observa de longe a disputa pelo poder entre União Brasil, MDB e PSDB.

O Partido dos Trabalhadores (PT) vive em Goiás um dos momentos mais delicados de sua história.
Mesmo com Luiz Inácio Lula da Silva na Presidência da República, o partido não conseguiu estruturar uma candidatura competitiva ao governo do estado para 2026 e não apresenta nomes fortes nem para o Senado.

A sigla, que em outras épocas chegou a polarizar o debate político goiano, hoje se resume a uma estrutura de resistência simbólica, sustentada por poucos quadros históricos e pelo prestígio do governo federal — mas sem enraizamento eleitoral real no estado.


Sem nomes e sem projeto

Diferente de outros partidos, o PT não tem um nome viável para disputar o governo de Goiás.
As lideranças mais conhecidas — como Adriana Accorsi e Rubens Otoni — devem se concentrar na disputa por vagas na Câmara dos Deputados, onde têm chances reais de reeleição e influência regional.

Adriana Accorsi, deputada federal e ex-delegada, é hoje o nome mais visível do partido, com bom desempenho na capital e entre setores progressistas.
Mas, fora de Goiânia, sua imagem ainda é pouco conhecida e enfrenta rejeição em regiões dominadas por prefeitos ligados ao governador Ronaldo Caiado (União Brasil).
Rubens Otoni, figura tradicional da esquerda goiana, mantém base consolidada em Anápolis, mas não representa renovação nem atrai o eleitorado jovem, que vê no petismo um movimento distante de sua realidade.

O ressurgimento político de Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT e personagem histórico do partido, reforça a aposta numa retomada simbólica do petismo clássico, mas não resolve o problema central: falta de projeto estadual e de liderança popular com apelo majoritário.


Sem projeto para o Palácio das Esmeraldas

Nos bastidores, dirigentes petistas admitem que não há viabilidade para lançar um candidato próprio ao governo.
A tendência é que o PT apoie um nome aliado, mas até para encontar aliado, o partido tem dificuldade. Apoiar Daniel Vilela(MDB) seria apoiar o candidato do Caiado, e isso está fora de cogitação. Apoiar Wilder de Morais do PL, nem pensar.Sobra então a opção de apoiar o ex-governador Marconi Perillo(PSDB). 
Essa parece ser a alternativa mais viável, já que a vereadora Aava Santiago(PSDB) é declaradamente apoiadora do presidente Lula.
 .
Essa postura pragmática pode garantir espaço em futuras coligações, mas reforça a imagem de dependência e falta de autonomia política em Goiás.

Enquanto isso, o ex-governador Marconi Perillo (PSDB) e o vice-governador Daniel Vilela (MDB) movimentam-se com estratégia e articulação, ocupando o espaço de oposição e de continuidade do poder estadual, respectivamente — deixando o PT fora do jogo principal.


O dilema do PT goiano

O PT enfrenta um dilema existencial:

  • Ou reconstrói suas bases municipais e apresenta novas lideranças,

  • Ou se resigna a ser coadjuvante permanente em alianças eleitorais alheias.

A presença de Lula na Presidência ajuda o partido a manter certa estrutura e financiamento, mas não cria lideranças espontâneas.
Goiás, dominado por um eleitorado conservador, segue como um dos estados mais resistentes ao lulismo, e o partido parece incapaz de romper essa barreira ideológica.

Mesmo com recursos federais, nomeações e cargos no governo, o PT não conseguiu transformar poder nacional em prestígio estadual.
A ausência de um discurso local forte e de bandeiras regionais — como defesa do cerrado, energia, agronegócio sustentável ou industrialização — faz com que o partido fale para si mesmo, sem dialogar com o eleitor goiano.


O que resta ao PT em 2026

Diante desse cenário, o caminho mais provável é a formação de uma aliança pragmática, com o PT apoiando candidatos da base governista nacional em Goiás, sem protagonismo local.
Internamente, a disputa se concentrará nas cadeiras da Câmara dos Deputados, com Adriana Accorsi, Rubens Otoni e Delúbio Soares como os nomes mais competitivos — enquanto o Senado e o governo estadual permanecem fora do alcance real do partido.

Se o PT quiser voltar a ter relevância política em Goiás, precisará fazer o que há anos evita: reconstruir o partido de baixo para cima, com lideranças municipais, projetos regionais e coragem para enfrentar o conservadorismo dominante.
Do contrário, o partido seguirá governando Brasília, mas perdendo Goiás.

PL: Um Partido Sem Líder em Goiás

 

O silêncio de Wilder Morais, o avanço de Daniel Vilela e o retorno de Marconi Perillo ao protagonismo político goiano

O Partido Liberal (PL), que nas urnas de 2022 despontou como o maior símbolo da direita bolsonarista no Brasil, vive em Goiás um processo de esvaziamento sem precedentes. O partido que poderia consolidar uma oposição forte ao governo estadual se transformou numa sigla dispersa, sem unidade, sem comando e sem direção estratégica.

Enquanto o bolsonarismo nacional ainda sobrevive como força social e eleitoral, em Goiás o PL assiste, inerte, à fuga de prefeitos, à desmobilização da base e ao colapso de sua representatividade política.


Wilder Morais: o líder que não lidera

O senador Wilder Morais, presidente estadual do PL, tornou-se o retrato mais evidente dessa crise.
Ele assiste passivamente o partido encolher, perdendo filiados e prefeitos que migram para apoiar o projeto do vice-governador Daniel Vilela (MDB), que se articula para disputar o Palácio das Esmeraldas em 2026.

Wilder, que poderia ser o nome natural da oposição, mantém uma postura apática, evasiva e acomodada, desperdiçando o capital político e simbólico herdado de Bolsonaro em Goiás.
Em vez de liderar um movimento de reconstrução partidária e articulação regional, o senador se limita à função burocrática de comando — sem presença, sem enfrentamento e sem projeto.

O resultado é um partido à deriva, com parlamentares desmotivados e bases locais desmobilizadas.
Wilder se acovarda diante da responsabilidade histórica de consolidar o PL como força competitiva no estado.
Sua ausência de ação cria um vácuo de liderança que, inevitavelmente, vem sendo ocupado por quem sempre soube jogar o jogo político goiano: Marconi Perillo (PSDB).


O retorno de Marconi: o opositor que sobrou

Enquanto Wilder se esconde e o PL se fragmenta, Marconi Perillo ressurge como o único rosto visível da oposição em Goiás.
Com discurso moderado, presença em eventos regionais e articulação de bastidores, o ex-governador reconstrói sua imagem e reassume o protagonismo político — algo que parecia impensável há alguns anos.

Perillo ocupa o espaço que Wilder Morais deixou vazio: o espaço da coragem política, da estratégia e da liderança real.
Em contraste, o PL se comporta como um partido anestesiado, assistindo a um adversário histórico recuperar terreno entre prefeitos e lideranças que buscam um projeto consistente.


Daniel Vilela avança, o PL recua

Enquanto isso, o vice-governador Daniel Vilela (MDB) aproveita o momento para ampliar sua base.
Com apoio crescente de prefeitos do interior e com a máquina estadual à disposição, Daniel transformou o PL num fornecedor involuntário de quadros políticos.
A falta de reação de Wilder e da direção estadual entregou a oposição de bandeja — o PL perdeu o discurso, o protagonismo e a capacidade de articulação.

O que deveria ser o principal partido de resistência virou coadjuvante de uma narrativa construída pelos adversários.


Um partido sem voz, um líder sem presença

O PL tem um senador, mas não tem liderança.
Tem voto, mas não tem direção.
Tem base social, mas não tem comando.

Wilder Morais, que poderia ser a voz da oposição, optou pelo silêncio político e pela neutralidade covarde.
A omissão custará caro: o eleitorado conservador e bolsonarista de Goiás procura um novo nome, uma nova bandeira e um novo líder.
E, por enquanto, só Marconi Perillo entendeu esse movimento — ocupando o centro da cena com o discurso de quem sempre soube interpretar o humor político goiano.


Conclusão: o vácuo e o preço da omissão

O PL em Goiás é hoje uma sigla sem alma e sem rumo.
Enquanto Wilder se acomoda em Brasília, o partido derrete nos municípios e perde seu papel histórico de polo da direita no estado.
No jogo político, espaço vazio não dura: ou é preenchido por quem tem estratégia, ou se torna irrelevante.

E o que se desenha agora é claro: se Wilder não liderar, Marconi voltará a governar.
A omissão do presente é o combustível do retorno político de quem nunca deixou de se mover nos bastidores.

Rota Caipira: Goiás é o maior laboratório de cocaína do Brasil

 

A operação bilionária que desmonta o discurso oficial de segurança e revela o novo mapa do crime organizado no Centro-Oeste

Nesta terça-feira (4), uma operação policial de proporções inéditas expôs o que há muito tempo vinha sendo denunciado nos bastidores: Goiás se tornou o principal polo logístico e financeiro do narcotráfico no Brasil.
Foram 61 mandados de busca e apreensão cumpridos simultaneamente em Goiás, São Paulo, Santa Catarina, Maranhão, Paraíba, Amazonas e Tocantins, numa megaoperação coordenada pela Polícia Civil de Goiás, com o apoio das polícias civis desses estados.

Segundo os investigadores, o grupo criminoso é responsável por movimentar quase R$ 1 bilhão em esquemas de lavagem de dinheiro, empresas de fachada e rede de laranjas espalhada pelo país.


O laboratório do crime

A investigação revelou uma estrutura empresarial do tráfico: empresas com sede formal, notas fiscais simuladas, contas bancárias interligadas e contabilidade disfarçada.
Somente em contas de pessoas físicas e jurídicas “laranjas”, o grupo movimentou mais de R$ 630 milhões, valor que se equipara ao orçamento anual de cidades de médio porte.
O dinheiro vinha de rotas de distribuição de cocaína processada em Goiás, o que explica por que a “Rota Caipira” — expressão cunhada por investigadores da Polícia Federal — hoje é considerada o principal corredor do tráfico nacional, ligando o Paraguai e o Mato Grosso do Sul a São Paulo e ao Nordeste.

Por trás dessa engrenagem está o crime organizado de alta sofisticação financeira, com conexões internacionais e domínio tecnológico: o tráfico migrou do morro para o escritório. E Goiás, com sua malha rodoviária central, virou o laboratório ideal.


A falsa sensação de segurança

Enquanto o governo estadual exibe campanhas milionárias de publicidade afirmando que “em Goiás não tem bandidos” e que a criminalidade foi vencida, a operação bilionária mostra o oposto: o crime não desapareceu — ele se profissionalizou.

Durante os oito anos da gestão Ronaldo Caiado (UB), a estrutura policial de combate ostensivo ganhou visibilidade, mas a inteligência financeira do crime avançou sem controle.
Empresas fantasmas, postos de combustíveis, transportadoras e distribuidoras de insumos agrícolas passaram a ser usadas como fachada para lavar o lucro da cocaína e da maconha.

Em vez de reduzir a criminalidade, a estratégia de “propaganda de eficiência” mascarou o crescimento subterrâneo de organizações criminosas que se infiltraram na economia formal.


Na ferida: a propaganda e a realidade

Os números desmontam o discurso político:

  • O Primeiro Comando da Capital (PCC) já domina redes de postos de combustíveis em Goiás, usados para lavagem de dinheiro;

  • Investigações federais apontam que bilhões foram reciclados em contratos fictícios e CNPJs fantasmas;

  • A Folha de São Paulo revelou que Goiás é o epicentro da “Rota Caipira”, sendo hoje o maior laboratório de refino e redistribuição de cocaína do país;

  • Operações recentes mostram que a fronteira entre o agronegócio e o tráfico é cada vez mais tênue — com caminhões de insumos, fertilizantes e defensivos servindo de disfarce para o transporte de drogas e dinheiro.

Essa realidade, que o governo tenta minimizar, desmonta o mito de que o combate à criminalidade se resume a apreender armas e prender usuários. O problema não está no morro — está no caixa empresarial, nos depósitos fiscais e nos contratos simulados.


Análise: o coração do problema

O foco da denúncia não é o governo, mas o modelo de combate ao crime.
A política de segurança pública em Goiás fracassou ao insistir na narrativa da força bruta e da publicidade institucional, enquanto ignora o crime financeiro e as redes empresariais de lavagem.

A operação desta semana é o retrato da nova face do narcotráfico brasileiro: uma máfia que usa o agronegócio, os postos de combustíveis e as empresas de logística como disfarce — e que encontrou em Goiás o ambiente ideal para crescer.

A Rota Caipira não é apenas uma rota de drogas. É o mapa do poder econômico do crime organizado — um mapa que o país precisa começar a ler antes que se torne irreversível.

Narcotráfico não é terrorismo? O Brasil na contramão do mundo

 

Ao rejeitar a equiparação de facções criminosas a grupos terroristas, o governo Lula abre um debate delicado entre soberania, diplomacia e impunidade

O posicionamento do governo federal contra a equiparação do narcotráfico ao terrorismo acendeu um dos debates mais complexos e sensíveis da segurança pública brasileira. O tema divide juristas, policiais, diplomatas e parlamentares, sobretudo após a megaoperação no Rio de Janeiro que revelou a dimensão quase militar das facções Comando Vermelho e PCC — grupos que hoje controlam territórios, arrecadam bilhões e impõem regimes de medo.

Segundo o Ministério da Justiça, classificar facções como organizações terroristas poderia trazer “impactos econômicos e diplomáticos”, inclusive elevar o risco-país e dificultar o acesso do Brasil a crédito internacional. O argumento técnico faz sentido sob a ótica financeira, mas soa incompleto diante da gravidade do problema interno. Afinal, o país que teme perder nota de crédito é o mesmo onde 117 pessoas morreram em uma só operação policial — resultado direto da escalada bélica do narcotráfico.


O medo dos bombardeios e o argumento da soberania

O governo também aponta o risco de o Brasil sofrer intervenções externas, citando o caso da Venezuela, onde os Estados Unidos realizaram ataques sob o pretexto de combater o “narcoterrorismo”.
Há fundamento jurídico nesse temor, mas também há uma certa ironia histórica: o Brasil, potência agrícola e detentor da maior biodiversidade do planeta, se recusa a chamar de terrorista quem domina bairros, impõe toques de recolher e executa cidadãos em praça pública.

O secretário nacional Marivaldo Pereira afirmou que “terrorismo tem conotação política, religiosa ou étnica, e não busca lucro, mas poder”. O argumento jurídico é formalmente correto. Mas ignora que o crime organizado brasileiro já é político, ao se infiltrar em instituições, financiar campanhas e controlar comunidades inteiras — o poder paralelo mais forte desde o cangaço.


O cálculo político por trás da decisão

Nos bastidores, o governo teme que a equiparação a terrorismo reforce o discurso da direita e militarize o combate ao crime, dando brecha para políticas repressivas ou intervenções policiais mais duras.
Mas essa estratégia defensiva pode se tornar um tiro no pé político. Ao fugir da pauta, o governo Lula passa a impressão de complacência institucional com facções que já atuam como Estados paralelos.

Enquanto o Planalto discute terminologias, o tráfico controla portos, fronteiras, rotas aéreas, aeroportos e redes financeiras, movimentando bilhões em lavagem de dinheiro, como revelado na Operação Freedom (BA) e na recente Operação Rota Caipira (GO).
O resultado é um país onde o crime se globalizou, mas o Estado ainda raciocina com fronteiras de papel.


O que o mundo está fazendo — e o que o Brasil evita fazer

Países como México, Colômbia e Peru já reconhecem oficialmente o narcotráfico como ameaça terrorista e de segurança nacional, permitindo medidas mais duras: interceptações internacionais, confisco de bens e cooperação militar estrangeira.
O Brasil, ao contrário, prefere preservar uma imagem diplomática de neutralidade, temendo que a palavra “terrorismo” manche sua reputação econômica.

Mas reputação não se sustenta com cemitérios cheios e contas fantasmas cheias de dinheiro sujo. O país que quer ser protagonista global precisa encarar o óbvio: o tráfico brasileiro é uma força paramilitar com fins políticos e econômicos.


Conclusão: o dilema da omissão

O debate não é sobre nomenclatura — é sobre coragem política.
Ao recusar a equiparação, o governo Lula mantém uma postura juridicamente cautelosa, mas eticamente desconectada da realidade.
O narcotráfico não busca apenas lucro: ele compra silêncio, corrompe instituições e desafia o Estado.
Se isso não é terrorismo social, o que mais seria?

Enquanto Brasília se preocupa com a nota de crédito internacional, o Brasil real — o das favelas sitiadas, dos laboratórios de cocaína em Goiás e das rotas de tráfico na Bahia — segue pagando juros em sangue.

sexta-feira, 31 de outubro de 2025

Bastidores da Saúde em Morrinhos: contrato de UTI, conflito de interesses e o poder paralelo dos Diedam

A teia de influência que ameaça transformar a saúde pública de Morrinhos em campo de interesses privados e políticos

Nos bastidores da política de Morrinhos, um enredo vem se desenrolando com cada vez mais indícios de interferência econômica e manipulação de contratos na área da saúde.

Fontes ligadas à própria Secretaria Municipal relatam pressões internas para romper o contrato atual de UTI do Hospital Municipal e substituir a empresa responsável por outra ligada ao grupo político e empresarial dos Diedam, notório por sua influência regional.


A situação se torna ainda mais grave porque o marido da atual secretária de saúde é sócio do titular da empresa Kesley Albuquerque Serviços Médicos Ltda (CNPJ 57.815.513/0001-78), sediada na Rua Getúlio Vargas, nº 279, Centro, em Piranhas-GO.

Essa coincidência levanta questionamentos sobre conflito de interesses, uma vez que a mesma pasta onde ela exerce autoridade sobre contratações e fiscalizações de prestadores é diretamente afetada pela relações de atuação de uma empresa de seu próprio núcleo familiar.

💰 Denúncias de bastidores e suposto financiamento político

Relatos obtidos por servidores e interlocutores do setor médico apontam que um dos empresários do grupo Diedam teria sido um dos financiadores da campanha eleitoral do atual prefeito Maycllyn Carreiro, com aporte estimado em R$ 2 milhões, em troca de influência sobre contratos estratégicos da saúde.


Há também informações — ainda não esclarecidas oficialmente — de que o prefeito teria viajado em jatinho custeado por Diedam, o que, se confirmado, configuraria uma relação promíscua entre poder público e interesses empresariais.

O silêncio da gestão sobre essas alegações apenas reforça a percepção de que há algo a esconder.

⚖️ A tentativa de “desconstruir para reconstruir”


Segundo apuração do Blog do Cleuber Carlos, há um plano em andamento dentro da Prefeitura de Morrinhos para desmoralizar a atual prestadora do serviço de UTI, criando uma narrativa de suposta ineficiência, com o objetivo de romper o contrato e abrir espaço para nova empresa “de confiança” do grupo político dominante.

Essa movimentação se assemelha a outras estratégias observadas em municípios goianos, onde gestões buscam “reconfigurar” contratos públicos para acomodar aliados sob o pretexto de “modernização” ou “melhoria da eficiência”.


O risco é que essa substituição não se baseie em critérios técnicos, mas em alianças político-econômicas, o que viola princípios constitucionais como impessoalidade, moralidade e transparência (art. 37 da CF/88).

❓ Perguntas que a gestão ainda não respondeu

Para garantir o contraditório e a transparência, o Blog do Cleuber Carlos encaminhou ofícios-requisição de informação com perguntas diretas às principais figuras envolvidas

Ao Prefeito Maycllyn Carreiro:

  1. Por que a Prefeitura pretende rescindir o contrato atual de UTI do Hospital Municipal?
  2. Há estudos técnicos ou pareceres que embasem essa decisão?
  3. O senhor confirma ter viajado em aeronave custeada por empresários locais?
  4. Qual a relação do grupo Diedam com contratos da saúde municipal?

À Secretária de Saúde:

  1. A senhora confirma que seu esposo é sócio do titular da empresa Kesley Albuquerque Serviços Médicos Ltda?
  2. Essa empresa mantém contratos, convênios ou negociações com a Prefeitura de Morrinhos?
  3. A senhora se declara impedida de atuar em decisões que envolvam a empresa de seu cônjuge?
  4. Por que o contrato de UTI passou a ser questionado somente agora?

Ao empresário Diedam:

  1. O senhor tem ou já teve contratos diretos ou indiretos com a Prefeitura de Morrinhos?
  2. Houve contribuição financeira à campanha do atual prefeito?
  3. O senhor custeou viagens do prefeito ou de membros de sua equipe?
  4. Sua empresa pretende assumir o contrato de UTI do Hospital Municipal?

Ao médico Kesley Albuquerque:

  1. Sua empresa presta serviços a outros municípios além de Piranhas?
  2. Há tratativas comerciais com a Prefeitura de Morrinhos?
  3. Qual a relação profissional com o grupo Diedam?
  4. O senhor confirma ou nega qualquer tentativa de assumir a gestão da UTI local?


🧩 Conclusão: o fio da meada precisa ser puxado

O que se desenha em Morrinhos é mais do que uma disputa administrativa: é uma engrenagem política onde contratos, cargos e alianças se misturam.

A falta de transparência e o silêncio dos envolvidos apontam para uma necessidade urgente de investigação formal, seja pelo Ministério Público de Goiás, seja pela Câmara Municipal, para apurar possível conflito de interesses, tráfico de influência e uso político de contratos da saúde pública.


Enquanto a população aguarda respostas, a sensação é de que a saúde de Morrinhos virou moeda de troca de poder — e, como sempre, quem paga a conta é o cidadão.

Direito de Resposta de Kesley Alburquerque

Kesley Albuquerque entrou em contato com o Blog, atraves do whatsapp e emetiu a seguinte nota:

Olá, bom dia. Tudo bem? Sou o Kesley Albuquerque, acho que vc tá com megafoco em mim, não é possível rs. 

Mandei mensagem pro seu Instagram, mas vc não respondeu, resolvi vir aqui.  

Bom, então.. Sou o Kesley Albuquerque, morando em Minas Gerais por estar fazendo residência médica, por conta disso, criei meu cnpj ano passado única e exclusivamente para trabalhar em dois municípios daqui de Minas. Ele é de Piranhas pois meu contador mora lá, o qual já prestava serviços pra mim antes da criação do cnpj. Sendo assim, meu cnpj não tem vínculo algum com nenhum município goiano como profissional. 

Li algumas perguntas que você se destinou a mim em seu blog (porém em nenhum momento, NINGUÉM me ligou ou procurou saber sobre o que se tratava para escrever as matérias caluniosas. Eu soube de todas essas fake news por encaminhamento de amigos), mas te respondo aqui bem explicadinho pra vc entender: 

* NÃO tenho vínculo familiar ou político nenhum com Morrinhos.

* NÃO sou casado com a Náryma (como vc postou no seu blog)

* NÃO tenho ligação alguma com parte administrativa ou com prefeito (nem conheço ele, muito menos estar envolvido sobre bancar viagens pra ele como vc mencionou rs)

* NÃO tenho participação nenhuma em assumir a gestão da UTI daí (não sei nem o que tá acontecendo com o sistema de saúde aí, e muito menos quero trabalhar nesse âmbito quando eu terminar a residência)

* NÃO tenho sócios em meu cnpj (uso como autônomo, apenas para plantões em MG)

* NÃO tenho ligação profissional nenhuma com o grupo Diedam ou com Conrado ou com quem seja (eu fiz parte da diretoria do CIABRA porém renunciei o cargo há mais de ano, mas acho que as bases de dados que vc procurou não estão atualizadas, pq vc me citou como sócio e além disso, em seus outros posts vc confundiu com outra CIABRA rs) 

* NÃO estou e nem pretendo ter tentativas comerciais com a Prefeitura de Morrinhos

Agora acho que você consegue entender que NÃO tenho participação NENHUMA com toda essa história inventada na cidade, ou seja, nada mais que calúnia e difamação, além de exposição da minha imagem. Juro que fiquei perplexo com tamanha criatividade rs. Já tenho todos os arquivos baixados aqui como prova e já entrei em contato com grupo de advogados, mas vim falar com você uma última vez, pois não quero meu nome exposto dessa forma com algo que não fiz e não tenho envolvimento algum. Te peço encarecidamente, que apague todas as publicações que citam meu nome ou, ao menos, edite todas elas removendo o meu nome e pj. Caso contrário, entrarei com processo contra você.


domingo, 26 de outubro de 2025

Ferroax: o perigoso “tratamento íntimo” com veneno de abelha que promete aumento peniano sem aval da Anvisa

Produto amplamente divulgado na internet promete centímetros a mais e volume instantâneo — mas usa veneno de abelha e não possui qualquer comprovação científica nem autorização da Anvisa. Médicos alertam: o risco é de inflamação, necrose e choque anafilático.

Denúncia: propaganda enganosa e risco à saúde


Nos últimos meses, um produto chamado Ferroax Tratamento Íntimo Ultra Concentrado, supostamente produzido por uma empresa denominada Urology Tecnology, vem sendo amplamente anunciado na internet com promessas milagrosas de “aumento peniano de até 5 cm de comprimento e 4 cm de grossura”.


A fórmula anunciada diz conter apitoxina, nome científico do veneno de abelha, e o site garante que a substância seria capaz de “promover volumes enormes à pele humana” e causar “efeito de inchaço natural no pênis”.

Mas o que parece inovação científica esconde um grave risco à saúde pública e um possível crime de publicidade enganosa, conforme apuração do Blog do Cleuber Carlos.


Produto sem registro na Anvisa


Consultas realizadas no banco de dados da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) mostram que não existe nenhum produto registrado com o nome “Ferroax”.


Isso significa que ele não passou por nenhuma avaliação oficial de segurança, eficácia ou controle de qualidade, como exige a legislação brasileira para qualquer produto de uso humano.

A comercialização e propaganda de substâncias com alegações terapêuticas sem registro configuram infração sanitária grave, sujeita a interdição, multa e denúncia ao Ministério Público, conforme a Lei nº 6.437/77.



Veneno de abelha: efeito inflamatório, não aumento real

Segundo especialistas ouvidos pela reportagem, o veneno de abelha (apitoxina) contém toxinas como melitina e apamina, capazes de provocar dor, inflamação, edema e até necrose tecidual.


O suposto “efeito de aumento” anunciado pelo site nada mais é do que um inchaço inflamatório temporário, que não gera crescimento permanente e pode causar lesões graves na pele e nos vasos do órgão genital.


“Não existe qualquer base científica que sustente a aplicação de apitoxina para aumento peniano. Isso é perigoso e irresponsável”, afirma um urologista ouvido pela reportagem, sob anonimato.

Riscos reais: de queimadura a choque anafilático

O uso de veneno de abelha em mucosas ou pele genital pode provocar:

Queimaduras químicas e ulcerações; 
Reações alérgicas intensas; 
Choque anafilático, com risco de morte; 
Infecções secundárias e necrose do tecido peniano. 


Em casos de alergia prévia a picadas de abelha, a simples aplicação tópica pode ser fatal.



Propaganda irregular e engano ao consumidor


O Código de Defesa do Consumidor (art. 37) proíbe expressamente publicidade enganosa ou abusiva, especialmente quando envolve produtos sem registro ou com alegações falsas de eficácia.

Além disso, a Resolução RDC nº 96/2008 da Anvisa veda a divulgação de promessas terapêuticas sem comprovação científica.

O site ferroax.com.br, ao usar termos como “tratamento íntimo”, “comprovação de eficácia” e “tecnologia urológica”, tenta conferir aparência científica e médica a um produto que não tem nenhuma validação, o que caracteriza indução do consumidor a erro.

Nenhum estudo clínico publicado


Pesquisa em bases científicas internacionais como PubMed, Scielo e ScienceDirect não identificou nenhum estudo médico controlado comprovando que apitoxina seja capaz de aumentar o pênis, melhorar ereção ou espessura.

A ausência total de dados clínicos reforça que o Ferroax é um produto sem respaldo científico e potencialmente perigoso.

Responsabilidade criminal e sanitária


A venda e a propaganda de produtos sem registro com alegações de uso terapêutico podem configurar:

Infração sanitária (Lei 6.437/77, art. 10); 
Crime contra as relações de consumo (art. 7º, IX, da Lei 8.137/90); 
Crime contra a saúde pública (art. 273 do Código Penal), com penas que chegam a 15 anos de prisão. 

Conclusão: promessa de centímetros, entrega de perigo


O Ferroax é um caso típico de charlatanismo moderno, embalado em marketing pseudo-científico.

A promessa de centímetros a mais e “resultados comprovados” é falsa, e o suposto princípio ativo — veneno de abelha — coloca em risco a integridade física do usuário.

A Anvisa e o Ministério Público Federal precisam investigar com urgência a comercialização desse produto, que circula livremente em anúncios online, redes sociais e plataformas de vendas.


Comentário opinativo – Cleuber Carlos

“A manipulação do desejo masculino virou um campo fértil para o lucro fácil e o engano. O Ferroax é o retrato da era digital em que a vaidade é explorada com linguagem científica e embalagens sofisticadas. Mas o que há por trás é o mesmo de sempre: o risco à saúde e o desprezo pela verdade. Cabe às autoridades agir — e rápido — antes que o veneno de abelha dessa história cause mais vítimas a do que benefícios.