terça-feira, 6 de janeiro de 2026

São Miguel dos Buracos - A Cidade do Pior Prefeito de Goiás

A cidade goiana capturada por interesses religiosos, contratos suspeitos e um prefeito rejeitado pela própria população

Quem atravessa hoje as ruas de São Miguel do Araguaia não vê apenas crateras no asfalto. Vê o retrato de uma gestão falida, marcada por abandono urbano, denúncias sucessivas, relações promíscuas entre poder político e interesses privados — e um prefeito cada vez mais isolado da população que o elegeu.


A cidade ganhou um novo apelido popular, repetido em conversas de rua, redes sociais e denúncias encaminhadas a órgãos de controle: São Miguel dos Buracos. Buracos nas ruas. Buracos na administração. Buracos na ética pública.

Um governo de gogó, marketing e púlpito

O atual prefeito construiu sua imagem política no discurso fácil, no gogó inflado e na retórica religiosa. Lives, falas emotivas e promessas são abundantes. Resultados concretos, não.


Na prática, São Miguel vive o colapso do básico: ruas esburacadas, poeira, ausência de manutenção urbana e sensação generalizada de abandono. A gestão parece mais preocupada em sustentar uma base política fechada, ligada à igreja, do que em governar para o conjunto da população.

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Prefeitura sob influência religiosa

Denúncias recorrentes apontam que a prefeitura passou a funcionar como extensão de um grupo religioso específico, ferindo na prática o princípio do Estado laico. Cargos públicos teriam sido criados ou ocupados para atender interesses internos, inclusive envolvendo familiares de lideranças religiosas, como a esposa de um bispo ocupando cargo na administração municipal.


O governo deixa de ser institucional e passa a ser confessional, governando para poucos e excluindo muitos

Lousas digitais, atas superfaturadas e contratos sob suspeita

O Blog do Cleuber Carlos já denunciou a compra de lousas digitais por meio de atas de registro de preços, com valores considerados excessivos e desproporcionais à realidade do município. As aquisições levantaram questionamentos sobre sobrepreço, direcionamento e falta de transparência — temas que passaram a integrar o radar de órgãos de controle.


Essas compras contrastam com a realidade das ruas: dinheiro para tecnologia, nenhum para asfalto.

Prédio público cedido e conflito de interesses

Outra denúncia grave envolve a cessão de prédio público para funcionamento de uma faculdade em São Miguel do Araguaia, instituição na qual o irmão do prefeito figura como sócio. O caso levanta suspeitas de conflito de interesses, favorecimento indevido e uso da máquina pública para benefício privado.


A situação se agrava com denúncias envolvendo o presidente da Câmara Municipal de São Miguel do Araguaia, conhecido como Batista, que, segundo apurações e relatos locais, teria ligação indireta com a instituição por meio de um suposto laranja — fato que já desperta atenção nos bastidores políticos e jurídicos.

Ministério Público e investigações



As irregularidades na prefeitura não são novidade para o Ministério Público de Goiás. A gestão municipal já foi alvo de investigações e procedimentos envolvendo contratos, nomeações e uso de recursos públicos.


O volume e a recorrência das denúncias indicam um padrão administrativo, não episódios isolados.



Shows superfaturados e prioridades invertidas


Enquanto falta infraestrutura básica, surgem denúncias de contratação de shows com valores considerados superfaturados, reforçando a percepção de que a gestão prefere o espetáculo ao serviço público.


A pergunta que ecoa nas ruas é direta:

👉 Como falta dinheiro para tapar buracos, mas sobra para festas e contratos caros?

Câmara submissa e nepotismo escancarado


O Legislativo municipal, que deveria fiscalizar o Executivo, é visto por grande parte da população como submisso e aparelhado. O presidente da Câmara, Batista, mantém a esposa como secretária de Agricultura, numa prática que, no mínimo, afronta os princípios da moralidade administrativa.


Há ainda denúncias envolvendo vereadores acusados de assédio sexual, fatos que agravam a crise de credibilidade do Legislativo local e reforçam a sensação de impunidade.

Traição política e rejeição histórica

Eleito pelo Partido Liberal, o prefeito Jeronymo Rodrigues, rompeu com o eleitorado ao trocar de legenda e migrar para o Movimento Democrático Brasileiro, num movimento interpretado por muitos como oportunismo político.


O resultado é visível: índices de rejeição que ultrapassam 80%, segundo levantamentos informais, percepção popular e termômetro das ruas. A população está revoltada, descrente e cansada de promessas.

Opinião

São Miguel do Araguaia não vive apenas uma crise administrativa. Vive uma captura do poder público por interesses privados, religiosos e políticos, com uma população cada vez mais excluída das decisões e dos benefícios do orçamento municipal.


Uma cidade governada para amigos, igreja e alianças internas não é uma cidade governada para o povo.


Enquanto isso não mudar, São Miguel continuará afundada em buracos — físicos e morais — consolidando-se como o pior exemplo de gestão municipal em Goiás.


São Miguel dos Buracos não é um apelido. É um diagnóstico.





Maduro foi capturado. Mas a pergunta que importa é outra: como?

Entre a versão oficial, a guerra híbrida e o silêncio estratégico que diz mais do que qualquer coletiva

A captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos já não é mais o ponto central do debate. O fato, hoje amplamente noticiado por veículos internacionais, desloca a discussão para um terreno mais sensível — e muito menos confortável: o método empregado.


Enquanto parte da imprensa se limita a reproduzir versões oficiais e outra parte se perde em narrativas espetaculosas de redes sociais, há um ponto que exige análise fria, técnica e honesta: o modus operandi descrito nas últimas horas é compatível com a doutrina real da guerra moderna.

E isso muda tudo.

Não foi improviso. Foi método

A operação atribuída à captura de Maduro não se encaixa no modelo clássico de invasão militar, tampouco lembra golpes abruptos do século passado. O que emerge dos relatos — mesmo descontando exageros narrativos — é algo muito mais sofisticado: uma operação de guerra híbrida, construída em camadas.


Antes do helicóptero, do soldado ou da algema, veio o que raramente aparece nas imagens: inteligência comportamental, conhecida no jargão como pattern of life.


Estamos falando de meses — possivelmente anos — de mapeamento de rotinas:


  • onde o alvo dorme;
  • o que come;
  • quem o atende;
  • como se desloca;
  • quais padrões se repetem;
  • quais variáveis parecem aleatórias, mas não são.

Até mesmo elementos aparentemente banais, como a logística de animais de estimação, entram nesse tipo de equação. Não por curiosidade, mas porque o poder raramente é derrotado pela força bruta — ele cai pela previsibilidade.


O domínio digital antes do físico

Outro ponto tratado com descaso por análises apressadas é a dimensão cibernética. A hipótese de apagões localizados, interferências em sistemas industriais (SCADA), falhas de comunicação e “cegueira temporária” do Estado não é ficção.


Esse tipo de ação já foi documentado em conflitos recentes e integra a doutrina de operações multidomínio, na qual o objetivo não é destruir a infraestrutura, mas atrasar decisões, confundir comandos e reduzir a capacidade de reação.


Em outras palavras:

não se trata de “derrubar a luz”, mas de derrubar o tempo.


Quando a cadeia de comando demora minutos a mais do que o necessário, a operação já venceu.

A janela curta e o colapso decisório

Relatos que mencionam janelas de segundos ou poucos minutos não devem ser lidos como exagero cinematográfico. No planejamento militar moderno, isso é conhecido como overmatch temporal: agir rápido demais para que o adversário compreenda o que está acontecendo.

Não há cerco prolongado.

Não há negociação pública.

Não há espetáculo imediato.


Há silêncio, confusão e captura.

Onde termina o fato e começa a narrativa

É aqui que o jornalismo precisa separar análise de encenação.

Elementos como:

  • cronologias excessivamente perfeitas;
  • frases de efeito (“error 404”, “apagão total”);
  • reconstruções detalhadas demais;

não invalidam o método, mas não podem ser tratados como relatório oficial. São recursos narrativos — alguns usados deliberadamente como operações psicológicas, outros para engajamento digital.

O erro não está em desconfiar do método.

O erro está em aceitar cada detalhe como literal.

O que este episódio realmente revela

Independentemente da disputa política ou ideológica, a captura de Maduro expõe um dado incômodo: o poder estatal, quando confia apenas em blindagem física, já está atrasado.

Na guerra contemporânea:

  • muros não protegem contra dados;
  • bunkers não resistem à previsibilidade;
  • exércitos não reagem quando o tempo lhes é roubado.

O campo de batalha não começa no território.

Começa no comportamento.


Opinião

Reduzir esse episódio a uma “fanfic” é tão irresponsável quanto tratá-lo como um roteiro perfeito de cinema. O que está em jogo não é a estética da narrativa, mas a normalização de um novo padrão de poder: silencioso, técnico e invisível até o momento exato da execução

A captura de Maduro não inaugura esse modelo.

Ela apenas o torna visível demais para ser ignorado.


E talvez essa seja a parte mais perturbadora da história.


segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Mensalão em Goiás: Caiado Usa Orçamento Público Para Comprar Votos de Deputados

Emendas de Governo ou Moeda de Troca? O Uso do Orçamento Público como Ferramenta Eleitoral em Goiás


Goiânia, Goiás — O Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2026 enviado pelo governo de Ronaldo Caiado (União Brasil) à Assembleia Legislativa de Goiás foi alvo de um ajuste polêmico que elevou em R$ 24 milhões o valor das chamadas "emendas extras". De acordo com fontes internas da Assembleia, a alteração no orçamento estaria diretamente ligada a uma estratégia para garantir apoio de parlamentares, especialmente do Partido Liberal (PL), ao projeto eleitoral do vice-governador Daniel Vilela (MDB). O que parece ser uma simples manobra orçamentária, no entanto, carrega consigo uma série de implicações éticas e legais.

O Poder das Emendas de Governo

Em Goiás, como em outros estados, o orçamento do governo é uma das principais ferramentas para a implementação de políticas públicas. As emendas parlamentares, quando bem utilizadas, têm o propósito de direcionar recursos a áreas prioritárias, como saúde, educação e infraestrutura. No entanto, as chamadas "emendas de governo" têm sido apontadas como instrumentos de controle político, utilizadas pelo Executivo para alinhar parlamentares à sua base de apoio.

Com o aumento das emendas em R$ 24 milhões, um fato que chamou atenção foi a divulgação de um suposto "compra de votos" dentro da Assembleia Legislativa. Em um contexto em que os deputados têm o poder de liberar verbas para suas bases eleitorais, a manipulação do orçamento para garantir apoio político de parlamentares parece ter sido transformada em prática comum dentro da gestão Caiado.

A Denúncia do Deputado Eduardo Prado

A denúncia foi feita pelo deputado estadual e delegado de Polícia, Eduardo Prado, do Partido Liberal (PL), que classificou a medida como uma tentativa de "compra de votos" ou "pagamento de cabresto" para garantir a aprovação de projetos do governo. Em nota, Prado afirmou que o aumento do valor das emendas fere os princípios da legalidade, isonomia e transparência.

“Essas emendas não têm um destino claro e são usadas como moeda de troca para garantir apoio no processo legislativo. O dinheiro público, que deveria ser investido em políticas públicas de interesse da população, está sendo desviado para interesses eleitorais de um grupo político", afirmou o parlamentar.

Prado acionou o Ministério Público de Goiás para investigar a prática, que considera uma violação da democracia e uma forma de subversão dos processos democráticos. Para ele, o uso do orçamento estadual como moeda de troca não só enfraquece o papel do Legislativo, mas também compromete a confiança do povo nas instituições.

A Reação do Governo Caiado

Até o momento, o governo de Ronaldo Caiado não se manifestou oficialmente sobre as acusações. No entanto, membros de sua base de apoio na Assembleia Legislativa defendem que o ajuste orçamentário é uma prática legítima e necessária para garantir a continuidade dos projetos de interesse do estado. Alega-se que as emendas adicionais têm o objetivo de apoiar a execução de obras e serviços essenciais nas diferentes regiões de Goiás.

Porém, a falta de clareza sobre os critérios de distribuição dessas emendas e a ausência de um debate técnico sobre o impacto real dessas modificações no orçamento reforçam as suspeitas de que o aumento das emendas tenha um caráter eleitoral. Especialmente em um ano de preparação para as eleições, onde a aliança política e o apoio dos deputados estaduais são cruciais para a governabilidade.

Paralelos com o Escândalo do Mensalão

A atual situação em Goiás tem semelhanças preocupantes com o escândalo do Mensalão, que abalou o Congresso Nacional nos anos 2000. No caso do Mensalão, o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi acusado de utilizar recursos públicos para garantir apoio no Congresso, por meio de repasses financeiros a parlamentares em troca de votos favoráveis a projetos do governo. Assim como as "emendas de governo" em Goiás, o esquema de corrupção do Mensalão envolvia o uso de recursos públicos como moeda de troca para garantir a estabilidade política e a aprovação de interesses do Executivo, sem levar em consideração as necessidades da população ou a transparência nos processos.

A principal semelhança entre os dois casos está na utilização de recursos públicos para fins eleitorais e politiqueiros, em detrimento do interesse público e da ética governamental. No Mensalão, a acusação era de que os recursos eram direcionados a parlamentares para que votassem favoravelmente em medidas do governo. Em Goiás, as "emendas extras" estariam sendo utilizadas da mesma forma: como um mecanismo para atrair apoio político e garantir que os projetos do governo de Caiado sejam aprovados na Assembleia, em troca de apoio político e recursos para os deputados.

Embora as dimensões e os atores envolvidos sejam diferentes, o esquema de troca de favores e a manipulação dos recursos orçamentários para fins eleitorais possuem um padrão semelhante. Em ambos os casos, a imparcialidade do processo político é colocada em xeque e os princípios de legalidade e transparência são questionados.

O Que Está em Jogo: Recursos Públicos ou Interesses Eleitorais?

O uso do orçamento público para fins eleitorais pode ter sérias repercussões no estado de Goiás. As emendas de governo, quando utilizadas de maneira estratégica, podem garantir apoio político, mas ao mesmo tempo colocam em risco a imparcialidade do processo legislativo. Deputados podem se ver pressionados a votar a favor de projetos do governo em troca de benefícios para suas regiões ou bases eleitorais.

Mais grave ainda é a possibilidade de que, com essa prática, as necessidades da população fiquem em segundo plano. O destino das emendas não deveria ser determinado por acordos políticos, mas sim pelas prioridades da sociedade. O investimento público deveria ser transparente, justificado e distribuído de acordo com os reais interesses da população.

O processo democrático também se enfraquece quando o Executivo tenta cooptar parlamentares com promessas de emendas, desvirtuando o papel do Legislativo como fiscalizador e representativo. A liberdade do parlamentar, que deve ser garantida pela Constituição, fica comprometida quando o voto passa a ser "comprado" com recursos públicos.

A Necessária Intervenção do Ministério Público

A atuação do Ministério Público de Goiás é fundamental neste momento. A denúncia de que o aumento das emendas seria uma forma de garantir apoio político precisa ser investigada com rigor. O uso do orçamento como moeda de troca não pode ser permitido, pois é uma violação dos princípios da administração pública e coloca em risco os recursos destinados a áreas essenciais, como saúde e educação.

Para que o processo político em Goiás se mantenha íntegro, é necessário que o Ministério Público faça a devida apuração e, se comprovado o desvio de recursos, que sejam tomadas as devidas providências legais. Caso contrário, a prática continuará alimentando a desconfiança da população nas instituições políticas e no próprio sistema eleitoral.

Conclusão: A Necessidade de Transparência e Ética na Política

Em tempos de instabilidade política e desconfiança nas instituições, a sociedade goiana não pode permitir que o orçamento público seja usado como instrumento de barganha eleitoral. O Ministério Público, os cidadãos e os próprios parlamentares têm a responsabilidade de garantir que o dinheiro público seja gasto de maneira ética, transparente e alinhada às reais necessidades da população.

O futuro político de Goiás depende não apenas das alianças feitas nos bastidores, mas da capacidade de seus representantes de agir com responsabilidade e compromisso com a democracia e com os interesses de todos os goianos. O que está em jogo é a credibilidade do governo e a confiança da população em suas instituições.