A reação do prefeito de Morrinhos à publicação que expôs os pregões milionários da saúde não trouxe documentos, dados técnicos ou esclarecimentos objetivos. Trouxe ataque.
Ao chamar o jornalista de “jornaleiro comprado” e classificar a matéria como “fake news”, o chefe do Executivo municipal optou por uma estratégia conhecida: substituir resposta por desqualificação.
Mas o ataque não resolve o problema — e tampouco responde à pergunta central.
Na tentativa de justificar os valores, o prefeito explicou o funcionamento do sistema de registro de preços, afirmando que os R$ 43 milhões não representam gasto imediato, mas um teto para aquisições ao longo de 12 meses.
A explicação, no entanto, já constava na matéria publicada.
Ou seja: não houve desmentido. Houve repetição.
O ponto central segue intocado — e é exatamente ele que importa:
Essas não são provocações. São exigências mínimas de transparência.
Registro de preço não é salvo-conduto.
É uma autorização contratual ampla, cujo risco se revela na execução — especialmente quando envolve cifras dessa magnitude.
O que chama ainda mais atenção é a tentativa de deslocar o debate para o campo pessoal. Ao sugerir que a população “pesquise o nome do jornalista no Google”, o prefeito evita enfrentar os dados e aposta na narrativa de desgaste individual.
Esse tipo de reação não encerra o debate.
Ao contrário: expõe a ausência de resposta técnica.
Porque, quando o gestor ataca quem pergunta — em vez de responder o que foi perguntado — o problema deixa de ser a crítica e passa a ser o silêncio.
E o silêncio, neste caso, é sobre números objetivos:
São legais? Possivelmente.
Mas estão explicados?
Ainda não.
E enquanto a resposta vier em forma de ataque — e não de documento — a dúvida permanece.
Porque, no fim, não é sobre narrativa.
É sobre dinheiro público.
Tenho mais de 30 anos de profissão na imprensa em Goiás, com mais de 25 mil matérias escritas, 3 Copas do mundo. Passei por várias emissoras de rádios e tvs, sempre com
Destaque e protagonismo. Nunca fui coadjuvante. Conquistei todas as honrarias no Estado de Goiás: Honra ao Mérito da Câmara Municipal, Mérito Legislativo da ALEGO, Medalha Pedro Ludovico Teixeira, Mérito Anhanguera. Ao longo da história, enfrentei todo tipo de gente, que por uma motivo ou outro, se achavam “poderosas”
Jornalista, investigativo, preciso ser desafiado para me sentir motivado.
Sou desprovido de duas coisas, medo é vaidade. Gosto de desafios grandes, mas desta vez vou abrir exceção para alguém que para mim é insignificante.
Já fui processado quase uma centena de vez por conta da minha profissão. Gente realmente importante, juízes, desembargadores, promotores, delegados.
Não me lembro de ser atacado por um indivíduo que se cair morto no cruzamento da avenida Anhanguera com avenida Goiás em Goiânia e não tive portando documento, será enterrado como indigente. Acredito ser a primeira vez.
Na vida pública, há dois tipos de homens: os que entram para servir e constroem história com respeito ao povo e os que entram, achando que estão no topo, mas que na verdade, nunca estiveram à altura do cargo. O poder é provisório e o tempo o senhor da razão.
Eles passarão, eu continuarei, assim como muitos já passaram.






