
Enquanto os cooperados discutem dívida, juros, resultados e o futuro da Complem, outra conta merece ser colocada sobre a mesa.
A do cartão corporativo do presidente.
Levantamento feito pelo Blog do Cleuber Carlos na planilha de cartões da cooperativa encontrou R$ 65.531,30 em 272 lançamentos atribuídos ao centro de custo “Diretor Presidente”, entre janeiro de 2022 e março de 2026.
E o cardápio é generoso.
Somente a rubrica “alimentação, lanches e refeições” acumula mais de R$ 33 mil.

Tem mais.
São R$ 2.143,69 em “despesas com alimentação”, R$ 1.173,81 relacionado a churrascaria, outros R$ 1.051,82 no Walmor Churrascaria, R$ 994 em peixaria e R$ 903,14 no Retrô Gourmet.
A questão não é se o presidente pode almoçar ou jantar em compromissos da cooperativa.
Pode.
A questão é outra:
quem estava à mesa? Quantas pessoas participaram? Qual negócio da Complem estava sendo tratado? Onde estão as notas fiscais e as justificativas?
E não foi apenas à mesa que o cartão chamou atenção.
Em setembro de 2024 aparece o maior lançamento individual identificado no levantamento: R$ 11.649,80 — “AZUL LINHAS”.
R$ 11,6 mil.
Foi passagem para quem? Qual destino? Quantos passageiros? Qual compromisso institucional justificou a despesa?
Há mais um detalhe.
Entre fevereiro e julho de 2024 aparecem seis cobranças consecutivas relacionadas à Azul, todas próximas de R$ 582.
No mesmo ano, o gasto do centro de custo do presidente disparou para R$ 24,7 mil, contra R$ 10,5 mil em 2023.
Nenhum desses números, isoladamente, prova irregularidade ou uso pessoal.
Mas cartão corporativo não deveria funcionar à base de confiança.
Funciona à base de prestação de contas.
Por isso, a Complem precisa abrir as faturas, apresentar notas, identificar viagens e explicar as despesas de representação.
Porque o cooperado pode até pagar a conta.
O que ele não pode é ficar sem saber quem jantou, quem viajou e por quê.
Cartão corporativo não é cartão pessoal.
É um instrumento destinado ao pagamento de despesas relacionadas às atividades da instituição. No caso de uma cooperativa, cada gasto precisa ter finalidade institucional, documentação e prestação de contas..
O dinheiro passou por restaurantes e estabelecimentos que chamam atenção.
Há lançamento de R$ 448,96 no Coco Bambu, em Goiânia. No Valori Walmor Grill, aparece uma despesa de R$ 3.180,43. A planilha também registra churrascarias, peixaria, Retrô Gourmet e despesas relacionadas à Chácara do Paim.
O ponto não é afirmar que essas despesas sejam irregulares. Um presidente pode ter refeições, viagens e despesas de representação pagas pela cooperativa, desde que exista interesse institucional e prestação de contas.
Mas é exatamente isso que o cooperado tem direito de conhecer.
Quem estava nesses restaurantes? Qual era a agenda? Quem viajou? Para onde? Por quê? Onde estão as notas e justificativas?
Cartão corporativo não significa dinheiro sem dono.
Na cooperativa, o dinheiro tem dono: o cooperado. E quem gasta precisa explicar a conta.
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