sábado, 5 de setembro de 2026

DO COCO BAMBU ÀS VIAGENS: R$ 65,5 MIL NO CARTÃO DO PRESIDENTE DA COMPLEM

CARTÃO SOB A LUPA | Planilha registra 272 lançamentos no centro de custo do Diretor Presidente entre 2022 e março de 2026. Há refeições de R$ 4,3 mil e R$ 3,1 mil, churrascarias, peixaria e um lançamento de R$ 11,6 mil identificado como “AZUL LINHAS”. Agora a pergunta é: quem pagou, a cooperativa já sabemos — falta saber por quê.

Enquanto os cooperados discutem dívida, juros, resultados e o futuro da Complem, outra conta merece ser colocada sobre a mesa.

A do cartão corporativo do presidente.

Levantamento feito pelo Blog do Cleuber Carlos na planilha de cartões da cooperativa encontrou R$ 65.531,30 em 272 lançamentos atribuídos ao centro de custo “Diretor Presidente”, entre janeiro de 2022 e março de 2026.

E o cardápio é generoso.

Somente a rubrica “alimentação, lanches e refeições” acumula mais de R$ 33 mil.


Em setembro de 2025, o Valori Walmor Grill entra na planilha com R$ 3.180,43.

Tem mais.

São R$ 2.143,69 em “despesas com alimentação”, R$ 1.173,81 relacionado a churrascaria, outros R$ 1.051,82 no Walmor Churrascaria, R$ 994 em peixaria e R$ 903,14 no Retrô Gourmet.

A questão não é se o presidente pode almoçar ou jantar em compromissos da cooperativa.

Pode.

A questão é outra:

quem estava à mesa? Quantas pessoas participaram? Qual negócio da Complem estava sendo tratado? Onde estão as notas fiscais e as justificativas?

E não foi apenas à mesa que o cartão chamou atenção.

Em setembro de 2024 aparece o maior lançamento individual identificado no levantamento: R$ 11.649,80 — “AZUL LINHAS”.

R$ 11,6 mil.

Foi passagem para quem? Qual destino? Quantos passageiros? Qual compromisso institucional justificou a despesa?

Há mais um detalhe.

Entre fevereiro e julho de 2024 aparecem seis cobranças consecutivas relacionadas à Azul, todas próximas de R$ 582.

No mesmo ano, o gasto do centro de custo do presidente disparou para R$ 24,7 mil, contra R$ 10,5 mil em 2023.

Nenhum desses números, isoladamente, prova irregularidade ou uso pessoal.

Mas cartão corporativo não deveria funcionar à base de confiança.

Funciona à base de prestação de contas.

Por isso, a Complem precisa abrir as faturas, apresentar notas, identificar viagens e explicar as despesas de representação.

Porque o cooperado pode até pagar a conta.

O que ele não pode é ficar sem saber quem jantou, quem viajou e por quê.


Cartão corporativo não é cartão pessoal.

É um instrumento destinado ao pagamento de despesas relacionadas às atividades da instituição. No caso de uma cooperativa, cada gasto precisa ter finalidade institucional, documentação e prestação de contas..

O dinheiro passou por restaurantes e estabelecimentos que chamam atenção.

Há lançamento de R$ 448,96 no Coco Bambu, em Goiânia. No Valori Walmor Grill, aparece uma despesa de R$ 3.180,43. A planilha também registra churrascarias, peixaria, Retrô Gourmet e despesas relacionadas à Chácara do Paim.


O ponto não é afirmar que essas despesas sejam irregulares. Um presidente pode ter refeições, viagens e despesas de representação pagas pela cooperativa, desde que exista interesse institucional e prestação de contas.

Mas é exatamente isso que o cooperado tem direito de conhecer.

Quem estava nesses restaurantes? Qual era a agenda? Quem viajou? Para onde? Por quê? Onde estão as notas e justificativas?

Cartão corporativo não significa dinheiro sem dono.

Na cooperativa, o dinheiro tem dono: o cooperado. E quem gasta precisa explicar a conta.



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