
Uma transformação silenciosa está acontecendo no sistema financeiro mundial — e o Brasil está perto dela.
Criado em 2021, o mBridge desenvolveu uma infraestrutura baseada em blockchain capaz de realizar pagamentos internacionais e operações de câmbio diretamente entre participantes, reduzindo uma cadeia que hoje pode envolver de três a cinco bancos intermediários.
O objetivo é atacar três problemas: custo, demora e complexidade das transferências internacionais.
Os números mostram que o projeto deixou de ser apenas experiência tecnológica. A plataforma já teria processado cerca de US$ 55,5 bilhões em mais de 4 mil transações, com aproximadamente 95% do volume liquidado em yuan digital.
China, Hong Kong, Tailândia, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita estão entre os participantes. O BIS deixou o projeto em 2024, afirmando que a plataforma havia alcançado maturidade para seguir adiante.
Mas há uma questão geopolítica inevitável: isso ameaça o domínio do dólar?
Por enquanto, os números dizem que não. No primeiro trimestre de 2026, o dólar ainda representava 57,13% das reservas cambiais declaradas, contra apenas 1,99% do yuan.
O sinal importante, entretanto, está na construção de uma infraestrutura alternativa.
E o Brasil entra nessa história.
O Banco Central brasileiro aparece como observador do mBridge. Além disso, a expansão internacional do e-CNY, o yuan digital, alcançou jurisdições que incluem o Brasil.
A dimensão econômica explica o interesse: o comércio Brasil-China atingiu US$ 171 bilhões em 2025, e a China respondeu por 28,7% das exportações brasileiras.
O dólar continua dominante.
Mas a China está construindo os trilhos para que, no futuro, parte do dinheiro internacional possa viajar por outro caminho.
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