
A situação do prefeito de São Miguel do Araguaia, Jeronymo Siqueira, sofreu uma reviravolta impressionante. O gestor que iniciou o mandato apoiado pela maioria da Câmara enfrenta agora dez dos onze vereadores e um novo pedido de impeachment.
A crise começou a ganhar forma em setembro de 2025, quando o Blog do Cleuber Carlos publicou as primeiras denúncias sobre a possível influência de financiadores e grupos privados em nomeações, contratos e decisões da prefeitura.
Em outubro, o engenheiro Osório Henrique de Souza Neto protocolou uma representação com mais de 50 páginas. O documento levantou questionamentos sobre o Instituto Alcance, contratos concentrados na W.B. Barreto, consultorias e a compra de 70 lousas digitais por R$ 6,6 milhões — negócio posteriormente cancelado. Naquele momento, porém, vereadores aliados rejeitaram a abertura da Comissão Processante e garantiram a blindagem do prefeito. Relembre a primeira representação
A proteção começou a rachar logo depois. Vereadores que haviam ajudado Jeronymo passaram a reclamar que não eram atendidos nem mesmo em reivindicações apresentadas em benefício da população. O sentimento de desprestígio transformou aliados em críticos.
Em dezembro, surgiu outro episódio: o Decreto nº 287/2025 havia nomeado, em março, um servidor para a gerência do Sine dentro de uma secretaria que ainda não existia legalmente. O projeto criando a estrutura somente foi enviado à Câmara em outubro. O caso reforçou os questionamentos sobre a legalidade dos atos administrativos. Veja a reportagem
Em março de 2026, o isolamento já ultrapassava a Câmara. Eleito pelo PL, Jeronymo deixou o partido e ingressou no MDB. No caminho, rompeu com o vice-prefeito Dr. Natanael, perdeu proximidade com o senador Wilder Morais e viu antigos aliados, entre eles o vereador Newber e o presidente da Câmara, Batista, se distanciarem. Análise publicada em março
A ruptura ficou explícita em maio. Nove vereadores votaram pela abertura de uma Comissão Processante para investigar contratos de recapeamento com a empresa TEMA. Paralelamente, médicos relatavam atrasos de quatro meses nos pagamentos e risco de paralisação da saúde. Leia a reportagem
Jeronymo conseguiu uma vitória judicial em agosto. A Justiça suspendeu aquela Comissão Processante por falhas graves no procedimento, incluindo ausência de leitura da denúncia, problemas no sorteio dos integrantes e falta de intimações. A decisão não julgou o mérito das acusações nem declarou o prefeito inocente; reconheceu que a Câmara descumpriu o rito legal. Decisão noticiada pelo Jornal Opção
Agora, o cenário é ainda mais perigoso. Segundo informações recebidas pelo Blog, dez vereadores estão politicamente contra Jeronymo e um novo pedido de impeachment chegou à Câmara.
Com onze cadeiras, dez adversários representam muito mais que perda de maioria: significam colapso completo da base. Se esse grupo permanecer unido e o novo processo seguir rigorosamente o Decreto-Lei nº 201/1967, existe força numérica suficiente para avançar até uma eventual cassação.
A queda de Jeronymo não aconteceu de uma vez. Foi construída pela soma de denúncias, desgaste administrativo, rompimentos e incapacidade de conservar os vereadores que garantiam sua sustentação. A Justiça salvou o mandato da primeira Comissão Processante porque o procedimento estava errado. Politicamente, porém, a decisão apenas adiou o enfrentamento.
O prefeito segue no cargo, tem direito ao contraditório e nenhuma acusação pode ser tratada como condenação antecipada. Mas sua situação política mudou completamente: quem antes controlava a Câmara agora parece não controlar sequer um voto além do próprio governo.
Jeronymo venceu uma batalha judicial. A guerra política, entretanto, nunca esteve tão perto de seu gabinete.
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