
As reportagens do Blog do Cleuber Carlos sobre as contas da Complem ganharam um capítulo que exige esclarecimentos.
Depois da publicação de documentos, balanços e despesas realizadas com cartões corporativos, uma fonte interna da cooperativa procurou o Blog neste sábado (5) e relatou conversas ocorridas nos bastidores da instituição.
Segundo essa fonte — cuja identidade será preservada —, o presidente da Complem, Sérgio Penido, teria tratado da situação envolvendo as publicações e o nome de um delegado, identificado como Fernando, teria surgido nessas conversas.
Mensagens encaminhadas à reportagem registram afirmações atribuídas a uma conversa ocorrida na manhã deste sábado. Entre elas estão que “o delegado vai descobrir tudo”, que Cleuber seria chamado “para depor” e que o delegado estaria “nervoso”.
Há ainda o relato da fonte de que um advogado teria conversado com o delegado, com quem manteria relação de amizade, a respeito da situação.
Mas aqui existe uma divisão que o jornalismo responsável não pode ultrapassar.
O Blog não afirma que o delegado Fernando tenha praticado qualquer irregularidade. Também não afirma como fato comprovado que tenha existido uma articulação para pressionar este jornalista ou interromper as reportagens.
Até o momento, o que existe é um relato de fonte interna acompanhado de mensagens recebidas pela reportagem. Não há, em poder do Blog, documento ou manifestação do próprio delegado comprovando que ele tenha aceitado interferir nas publicações.
Por isso, existe inclusive uma hipótese que precisa ser considerada: o nome do delegado Fernando pode estar sendo utilizado indevidamente por terceiros.
AS PERGUNTAS AO DELEGADO FERNANDO
Diante da gravidade do relato, o Blog pergunta publicamente ao delegado:
O senhor foi procurado por Sérgio Penido, por advogado ou por qualquer pessoa ligada à Complem para conversar sobre as reportagens do Blog do Cleuber Carlos?
Existe procedimento policial formal envolvendo este jornalista ou as publicações sobre a cooperativa? Em caso positivo, qual é o objeto da apuração?
O senhor afirmou que chamaria Cleuber Carlos para depor? Em caso positivo, em qual procedimento e em que condição?
Alguém pediu ao senhor que descobrisse quem estaria fornecendo informações ao Blog ou quem supostamente estaria “por trás” das reportagens?
Houve pedido, sugestão ou conversa relacionada à interrupção das publicações?
Ou estão utilizando o nome do delegado Fernando indevidamente dentro da cooperativa para transmitir a ideia de que a Polícia Civil estaria agindo contra este jornalista?
As mesmas explicações são esperadas dos demais envolvidos mencionados no relato.
CORREGEDORIA SERÁ COMUNICADA PREVENTIVAMENTE
Diante da natureza das informações recebidas e justamente para resguardar todas as partes, inclusive o próprio delegado citado, o Blog está encaminhando cópia desta reportagem e dos elementos pertinentes à Corregedoria da Polícia Civil, para conhecimento e eventual adoção das providências que o órgão entender cabíveis.
O encaminhamento não significa acusação de irregularidade contra o delegado Fernando. Trata-se de medida preventiva diante de relato que atribui a terceiros referências ao nome de uma autoridade policial em contexto relacionado à atividade jornalística.
Se o nome do delegado estiver sendo utilizado indevidamente, isso também precisa ser esclarecido.
Se houve conversa, é necessário saber qual foi seu conteúdo e em que contexto ocorreu.
E, se existir procedimento policial formal, não há dificuldade alguma: que seja informado qual é o procedimento e que todos os atos ocorram pelos canais legais e institucionais.
O Blog do Cleuber Carlos continuará preservando o sigilo de suas fontes, apurando documentos e oferecendo espaço aos citados para manifestação.
A questão central permanece exatamente onde sempre esteve:
em vez de tentar descobrir de onde vêm as informações, a Complem vai responder às informações?
Porque balanços, faturas e despesas não desaparecem com pressão.
Documento se responde com documento. Questionamento se responde com transparência. E, se alguém estiver utilizando o nome da Polícia Civil para intimidar ou tentar interferir na atividade jornalística, isso também precisa ser esclarecido — pelas instituições competentes.
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