
Quanto vale a fábrica da Complem? Quanto vale a marca Compleite? Quanto a Piracanjuba vai pagar para assumir essa operação? Por quanto tempo? E, principalmente: cadê o contrato?
Passadas mais de duas semanas do anúncio de uma das maiores mudanças da história da Cooperativa Mista dos Produtores de Leite de Morrinhos, perguntas elementares continuam sem respostas públicas.
A Complem anunciou uma “parceria estratégica”. Mas o negócio é muito mais concreto do que a expressão institucional pode sugerir.
O acordo prevê o arrendamento dos ativos industriais e da marca Compleite, e a Piracanjuba ficará responsável pela operação do laticínio, incluindo industrialização e comercialização dos produtos. A própria Complem confirma que a transição depende de autorização do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE). (Complem)
Ou seja: existe uma transação empresarial relevante envolvendo patrimônio, estrutura industrial e uma marca construída ao longo de décadas pelos próprios cooperados.
Mas os números desapareceram da conversa.
QUANTO VALE O NEGÓCIO?
Até agora, não foi divulgado publicamente quanto a Piracanjuba pagará pelo arrendamento.
Não se conhece publicamente o prazo do contrato.
Não se sabe qual valor econômico foi atribuído à marca Compleite.
Não foram divulgadas as garantias, multas, critérios de remuneração ou condições de rescisão.
Também não está esclarecido publicamente se existem cláusulas de renovação, preferência ou opção de compra futura.
E não se conhece a relação detalhada dos bens efetivamente abrangidos pelo arrendamento.
São informações básicas para que os verdadeiros donos da cooperativa possam avaliar se o negócio é bom ou ruim para o patrimônio que construíram.
A PIRACANJUBA SABE O QUE ESTÁ RECEBENDO. E O COOPERADO?
A dimensão da operação ajuda a compreender por que essas respostas são importantes.
Informações divulgadas sobre o acordo apontam capacidade inicial de processamento de aproximadamente 300 mil litros de leite por dia, incorporação de cerca de 200 trabalhadores e investimentos destinados a potencialmente dobrar a capacidade da planta. (MilkPoint)
Para a Piracanjuba, a lógica empresarial está clara: ampliar capacidade industrial e fortalecer sua presença no mercado.
Mas qual é, em números, a contrapartida da Complem?
Quanto entrará no caixa da cooperativa?
R$ 1 milhão por mês? R$ 5 milhões? R$ 10 milhões?
Não sabemos.
E justamente esse é o problema.
Não cabe especular o valor. Cabe à direção apresentar o contrato.
O CONTRATO É O CORAÇÃO DA HISTÓRIA
A discussão não é simplesmente se a Piracanjuba é uma boa empresa ou se a parceria poderá trazer eficiência à operação.
Pode trazer.
A questão é outra.
Quais foram as condições negociadas em nome dos cooperados?
Uma cooperativa não pertence ao presidente. Não pertence aos diretores. Não pertence ao Conselho de Administração.
Pertence aos cooperados.
E quando uma estrutura industrial construída durante décadas e uma marca tradicional passam a ser exploradas por outra companhia, transparência não deveria ser favor da administração.
Deveria ser obrigação de governança.
O QUE EXISTE DENTRO DESSE CONTRATO?
O Blog do Cleuber Carlos quer respostas objetivas.
Qual é o valor total do negócio?
Qual é o prazo do arrendamento?
Quanto a Complem receberá?
Como será calculada essa remuneração?
Qual foi a avaliação econômica dos ativos?
Quanto vale a marca Compleite?
Quem realizou essa avaliação?
Quais bens estão sendo entregues à operação da Piracanjuba?
Quem pagará pelos investimentos na modernização da fábrica?
Os equipamentos adquiridos durante o contrato ficarão com quem quando o arrendamento terminar?
Existem garantias?
Existem cláusulas de exclusividade?
Existe renovação automática?
Existe direito de preferência?
Existe opção de compra?
Quais são as condições de rompimento do contrato?
E qual órgão interno da cooperativa teve acesso à íntegra do documento antes da decisão?
CADE: QUAL É O NÚMERO DO PROCESSO?
Há ainda outra pergunta que permanece relevante.
A própria Complem informa oficialmente que a transição aguarda autorização do CADE e chegou a prever prazo de até dois meses para o início da nova operação. (Complem)
Então a pergunta é simples:
qual é o número do processo ou protocolo da operação no CADE?
A divulgação desse número permitiria aos cooperados acompanhar diretamente o procedimento envolvendo patrimônio da própria cooperativa.
Não existe razão para transformar uma informação objetiva em mistério.
TRANSPARÊNCIA RESOLVE
A direção da Complem tem uma oportunidade extremamente simples de encerrar qualquer dúvida.
Publique o contrato.
Se existem cláusulas comercialmente sigilosas, que sejam justificadas juridicamente.
Mas apresente aos cooperados aquilo que diz respeito ao patrimônio deles: valor, prazo, remuneração, garantias, ativos envolvidos, direitos e obrigações.
Se o negócio é vantajoso para a Complem, os números ajudarão a demonstrar isso.
Se protege o patrimônio dos cooperados, as cláusulas mostrarão.
Se garante receita adequada à cooperativa, basta revelar quanto.
O problema é que, enquanto essas informações permanecerem desconhecidas, uma pergunta inevitavelmente continuará crescendo dentro da Complem:
o que existe nesse contrato que os cooperados ainda não podem conhecer?
O Blog do Cleuber Carlos deixa espaço aberto para que a Complem e o Grupo Piracanjuba apresentem o contrato, os valores e as condições econômicas da operação.
Porque depois de 48 anos de patrimônio construído pelos produtores, a pergunta não poderia ser mais simples:
CADÊ O CONTRATO?
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