
Documentos obtidos pelo Blog do Cleuber Carlos abrem um novo capítulo na investigação sobre as finanças da Complem.
Telas do sistema de contas a pagar mostram quatro lançamentos vinculados ao presidente da cooperativa, Sérgio de Oliveira Penido, classificados como “adiantamento a carreteiro/cooperado” ou “adiantamento cooperados”.
Os valores são de R$ 11.829,04, R$ 33.773,83, R$ 115 mil e R$ 35 mil. Juntos, chegam a R$ 195.602,87.
O lançamento que mais chama atenção é o de R$ 115 mil. O registro indica transferência eletrônica, vencimento em 12 de junho de 2026 e situação “baixado”, com o valor integral contabilizado como total baixado.
Na prática, isso indica que a obrigação da Complem de transferir o dinheiro foi liquidada. A tela, entretanto, não demonstra se o presidente devolveu o adiantamento, se o valor foi compensado com créditos que teria a receber ou se ainda existe saldo pendente.
Uma relação encaminhada por fonte ligada à cooperativa aponta outros pagamentos entre dezembro de 2025 e maio de 2026, que somariam R$ 412.453,34. Parte dos lançamentos aparece com descrições diferentes, razão pela qual sua natureza ainda precisa ser esclarecida por documentos contábeis.
As perguntas interessam diretamente ao cooperado: qual foi a finalidade dos adiantamentos? Sérgio Penido prestou transporte ou entregou produção que justificasse os pagamentos? Quem autorizou as operações? O Conselho de Administração e o Conselho Fiscal foram informados? Houve devolução ou compensação? Outros cooperados tiveram acesso às mesmas condições?
O assunto ganha ainda mais relevância porque a Complém encerrou 2025 com aproximadamente R$ 290,2 milhões em empréstimos e financiamentos e R$ 33,7 milhões em despesas com juros.
Os documentos apresentados até agora não comprovam que os valores estejam inadimplentes, mas justificam uma explicação pública, acompanhada de autorizações, extratos e comprovantes de quitação.
O espaço permanece aberto para manifestação da Complém e de Sérgio Penido. Enquanto isso, o cooperado tem o direito de perguntar: de quem é o dinheiro e quem fiscaliza quem comanda a cooperativa?
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