Investigação aponta contratos direcionados por meio de atas de adesão fraudulentas. Empresa beneficiada teria recebido R$ 88,3 milhões dos cofres públicos em dez anos, enquanto prejuízo e enriquecimento ilícito investigados superam R$ 14 milhões.
O Ministério Público de Goiás deflagrou, na manhã desta terça-feira (11), uma das maiores operações recentes de combate a supostas fraudes em contratações públicas no Estado.
Batizada de Operação Simulatio, a ação do Grupo de Atuação Especial do Patrimônio Público (Gaepp) cumpriu três mandados de prisão preventiva, quatro afastamentos de cargos públicos e 44 mandados de busca e apreensão. As ordens foram expedidas pelo 1º Juízo das Garantias da Comarca de Goiânia.
Esquema teria atingido licitações de escolas e assistência social
No centro da investigação está um grupo empresarial sediado em Goiás. Segundo o MPGO, diferentes empresas teriam sido utilizadas para interferir na fase interna das licitações, preparando procedimentos que posteriormente permitiriam contratações direcionadas.
Os contratos envolviam fornecimento, montagem e instalação de ambientes modulares, destinados principalmente a escolas municipais e unidades das redes de assistência social.
Outra estratégia investigada seria a utilização de atas de adesão fraudulentas, mecanismo pelo qual órgãos públicos aderiam a registros de preços originados de outros procedimentos. A suspeita é de que o instrumento tenha sido usado para favorecer previamente a empresa investigada e frustrar a concorrência.
R$ 88,3 milhões dos cofres públicos
Um dos números que mais chama atenção é o volume de dinheiro movimentado.
De acordo com o Ministério Público, a pessoa jurídica apontada como beneficiária recebeu mais de R$ 88,3 milhões em valores liquidados pelos cofres estaduais e municipais entre 2015 e 2025.
O dano ao patrimônio público e o possível enriquecimento ilícito apurados até agora são estimados em mais de R$ 14 milhões.
A investigação não está restrita ao núcleo empresarial. Gestores e servidores públicos de diversos municípios goianos também são alvos, sob suspeita de terem facilitado ou participado das contratações direcionadas.
Operação chegou a 16 cidades
As buscas atingiram residências, empresas e órgãos públicos em Goiânia, Aparecida de Goiânia, Senador Canedo, Rio Verde, Itumbiara, Itaberaí, Goianira, Inhumas, Goianésia, Abadia de Goiás, Rio Quente, Uruaçu, Luziânia e Alexânia, além de São Paulo e Ribeirão Preto, no Estado de São Paulo.
A força-tarefa mobilizou 40 promotores de Justiça, com apoio da Polícia Militar de Goiás, Ministério Público de São Paulo e Polícia Civil paulista.
O material apreendido agora será analisado pelo Gaepp e poderá revelar a extensão do suposto esquema, novos contratos e outros eventuais envolvidos.
Até o momento, o MPGO não divulgou oficialmente, nas informações públicas consultadas, os nomes dos três presos, dos quatro agentes afastados nem da empresa apontada como beneficiária do esquema. A investigação continua.
Nenhum comentário:
Postar um comentário