sexta-feira, 14 de agosto de 2026

EM ANO DE ELEIÇÃO, TODO MUNDO QUER APARECIDA — MAS QUEM COLOCOU DINHEIRO NA CIDADE?

ELEIÇÕES 2026 | Candidatos desembarcam no segundo maior município de Goiás em busca de votos, mas registros de emendas permitem separar presença eleitoral de atuação parlamentar efetiva

Em época de eleição, Aparecida de Goiânia parece não ter fronteira política.

Tem candidato de Goiânia. Tem candidato do interior. Tem deputado que aparece em reunião, posa para fotografia, participa de evento, abraça liderança comunitária e descobre, convenientemente, que Aparecida é uma das cidades mais importantes de Goiás.

Não poderia ser diferente.

Aparecida tem centenas de milhares de eleitores e representa um dos maiores reservatórios de votos do Estado.

Mas existe uma pergunta que deveria ser feita antes de cada aperto de mão nesta campanha:

onde estavam esses candidatos quando não havia eleição?

E, principalmente:

quanto dinheiro efetivamente ajudaram a trazer para Aparecida de Goiânia nos últimos quatro anos?

O Blog do Cleuber Carlos começou a levantar as emendas parlamentares, transferências e recursos federais e estaduais destinados ao município.

E os números permitem fazer uma distinção fundamental entre duas espécies de políticos: aqueles que procuram Aparecida apenas atrás de voto e aqueles que também aparecem nos registros de recursos destinados à cidade.

O dinheiro deixa rastro

Emenda parlamentar não é favor do deputado.

O dinheiro é público.

Mas o parlamentar possui poder político para indicar onde parte desses recursos será aplicada.

É justamente por isso que as emendas representam um instrumento objetivo para medir a atenção dispensada por um deputado a determinada cidade.

Discurso desaparece depois da eleição.

Emenda deixa documento.

O Portal da Transparência da União, o Transferegov, os registros da Câmara dos Deputados, o Governo de Goiás e a Assembleia Legislativa permitem reconstruir parte desse caminho.

E existe um detalhe fundamental: anunciar dinheiro é diferente de colocar dinheiro na conta.

Uma emenda pode ser indicada, empenhada, liquidada ou efetivamente paga.

Por isso, o Blog não vai simplesmente reproduzir números apresentados por gabinetes parlamentares.

A investigação pretende conferir o estágio de execução de cada recurso.

Professor Alcides tem uma extensa relação de recursos para Aparecida

Um dos nomes que aparecem reiteradamente nos levantamentos é o deputado federal Professor Alcides.

Há recursos relacionados ao Hospital Municipal de Aparecida, unidades básicas de saúde, cirurgias eletivas, educação, equipamentos e infraestrutura.

Entre os valores divulgados estão R$ 23,37 milhões para equipamentos do HMAP e R$ 13,9 milhões relacionados ao destravamento de recursos para oito CMEIs.

Também existem registros individualizados de emendas do parlamentar destinadas ao município nos sistemas federais.

Isso não significa que todo valor anunciado tenha necessariamente sido pago.

E será justamente essa diferença que o Blog vai conferir.

Adriana Accorsi também aparece com milhões

Outro nome encontrado na documentação é o da deputada federal Adriana Accorsi.

Em 2024, a Prefeitura de Aparecida anunciou R$ 5,4 milhões em emendas destinadas pela parlamentar, principalmente para saúde e educação.

Em 2025, foram anunciados mais R$ 2,8 milhões para saúde e segurança pública.

Há ainda registros no sistema federal vinculando emenda individual da deputada ao Município de Aparecida.

Ou seja: independentemente de posição partidária, os documentos precisam falar mais alto do que a disputa política.

Deputados estaduais também entram na conta

A investigação não ficará restrita a Brasília.

Na Assembleia Legislativa existem deputados que mantêm relação política direta com Aparecida e outros que aparecem agora com maior intensidade no município.

Veter Martins, por exemplo, anunciou em 2023 a liberação de R$ 2 milhões para a cidade.

O deputado Anderson Teodoro também aparece em registros estaduais de 2025 com emenda para o Fundo Municipal de Saúde de Aparecida.

Mauro Rubem destinou R$ 100 mil em 2026 para projeto educacional desenvolvido pelo IFG no município.

Outros nomes ainda estão sendo cruzados com as bases orçamentárias estaduais.

A pergunta que incomoda

Mas a parte mais interessante da investigação talvez não esteja entre aqueles que mandaram dinheiro.

Está entre aqueles que não mandaram.

Porque Aparecida começa novamente a receber candidatos interessados em uma fatia de seu enorme eleitorado.

São políticos que vão frequentar igrejas, feiras, associações, reuniões, bairros e eventos durante os próximos meses.

E o eleitor aparecidense tem direito de perguntar:

“Nos quatro anos anteriores, o que você trouxe para Aparecida?”

Não vale fotografia.

Não vale promessa.

Não vale dizer que “lutou pela cidade”.

Não vale descobrir Aparecida três meses antes da eleição.

A resposta precisa aparecer no orçamento.

O Blog vai seguir o dinheiro

A investigação agora vai cruzar parlamentar por parlamentar.

Deputados federais.

Deputados estaduais.

Valores indicados.

Valores empenhados.

Valores efetivamente pagos.

E destino do dinheiro.

Saúde, educação, infraestrutura, esporte, assistência social ou entidades privadas.

O objetivo não é entregar certificado de bom ou mau político.

É fornecer ao eleitor uma informação muito mais simples:

quando não havia voto sendo pedido, quem estava destinando recursos para Aparecida?

E também revelar o outro lado:

quem agora procura o eleitor aparecidense, mas possui pouca ou nenhuma destinação de recursos identificada para o município no período analisado?

Em uma eleição na qual Aparecida será novamente disputada voto a voto, essa talvez seja uma das perguntas mais incômodas da campanha.

Porque promessa eleitoral todo candidato consegue fazer. Documento de quatro anos atrás não se fabrica na véspera da eleição.


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