quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Prefeitura de São Miguel do Araguaia Paga Nota Fiscal Sem o Serviço Ser Prestado

Prefeitura de São Miguel do Araguaia admite falhas, fala em romper contratos milionários — mas pagamentos continuam

Documentos oficiais recomendam distrato por falta de dinheiro e serviços mal executados, enquanto dados públicos revelam empenhos, liquidações e repasses às mesmas empresas

Há momentos em que a própria administração produz a prova do que tentou esconder.

E o caso dos contratos da Prefeitura de São Miguel do Araguaia (GO) com as empresas PLAYER SERVICE LTDA e TEMA INFRAESTRUTURA LTDA entra exatamente nessa categoria.


De um lado, ofícios assinados por autoridades municipais em maio de 2025, sugerindo distrato unilateral dos contratos por:


  • falta de recursos financeiros
  • bloqueios judiciais
  • risco de prejuízo ao erário
  • falhas na execução dos serviços



De outro lado, dados oficiais de execução orçamentária mostram que, após esses alertas formais, os contratos continuaram gerando empenhos, liquidações e pagamentos.


Não é interpretação. É cruzamento de documento com número.


📄 O que a própria Prefeitura escreveu

🧹 PLAYER SERVICE LTDA — Limpeza Urbana


Contrato 080/2025

Valor mencionado: R$ 1.922.256,28

O ofício encaminhado ao prefeito afirma:

  • O município não tem recursos
  • Há bloqueios judiciais
  • O contrato é oneroso
  • Falta fiscalização adequada
  • Pode haver prejuízo ao erário



A conclusão técnica?

👉 Sugestão de distrato unilateral.


🛣 TEMA INFRAESTRUTURA LTDA — Pavimentação / Tapa-buracos


Contrato 032/2025

Valor citado: superior a R$ 3.800.000,00

O próprio documento aponta:

  • Serviços não executados conforme acordado
  • Buracos abertos e não fechados
  • Ausência de base adequada antes do asfalto
  • Danos à malha viária
  • Falta de recursos para manter o contrato

Mais uma vez:

👉 Recomendação de romper o contrato.

📊 O que os dados de execução mostram

Apesar da narrativa oficial de falta de dinheiro e problemas técnicos, os registros financeiros revelam:

🧹 PLAYER SERVICE LTDA

Período analisado: 01/01/2025 a 25/01/2026


  • Empenhado: R$ 1.907.251,28
  • Liquidado: R$ 1.907.251,28
  • Pago: R$ 1.691.104,13



Pagamentos fracionados em valores próximos de meio milhão.





🛣 TEMA INFRAESTRUTURA LTDA



Período: 01/01/2025 a 24/01/2026


  • Empenhado: R$ 1.032.552,25
  • Liquidado: R$ 1.603.392,93
  • Pago: R$ 541.711,57



Ou seja:

Mesmo após a Prefeitura afirmar que:


  • o serviço era problemático
  • havia risco ao erário
  • faltava dinheiro



…os contratos continuaram tramitando financeiramente.





🚨 O ponto central da investigação



A incoerência é objetiva:

Discurso oficial

Realidade financeira

Falta de recursos

Empenhos e liquidações continuam

Serviços falhos

Pagamentos são realizados

Risco ao erário

Valores são pagos mesmo assim

Sugestão de distrato

Contratos seguem vivos na execução

Isso levanta uma pergunta inevitável:


Se a própria administração reconheceu que os contratos eram problemáticos e financeiramente inviáveis, por que eles continuaram sendo pagos?





⚖️ O que isso pode indicar



Não se trata de acusação, mas de incongruência administrativa que exige apuração.

O cenário pode envolver:


  • Distrato apenas formal, sem efeito prático
  • Liquidação de serviços cuja qualidade foi contestada internamente
  • Falha de controle e fiscalização
  • Possível responsabilidade administrativa por pagamentos mesmo após alerta técnico



Em linguagem clara:

quando o próprio órgão técnico aponta risco e a máquina continua pagando, alguém assumiu essa decisão.





🎯 A questão que o Ministério Público precisará responder



O caso não é apenas sobre contratos. É sobre coerência administrativa.


A Prefeitura:


  1. Reconhece falhas
  2. Afirma falta de dinheiro
  3. Sugere romper contratos
  4. E depois… paga.



O que aconteceu entre o alerta técnico e os pagamentos?


Essa é a pergunta que separa gestão de narrativa.


E é também o ponto onde a investigação institucional começa.


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