Por Cleuber Carlos – Investigação Internacional | Rio de Janeiro, 01 de julho de 2025
Em um episódio que pode gerar tensão diplomática e questionamentos sobre a eficácia dos embargos econômicos internacionais, um avião oficial do Governo do Irã vai pousar no próximo domingos no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, para participar da Cúpula dos BRICS — e será abastecido por uma empresa americana, a World Fuel Services Corporation, com combustível fornecido pelas estruturas da SHELL, representada no Brasil pela joint venture Raízen.
O abastecimento, confirmado por fontes que atuam na organização do evento contraria frontalmente as sanções econômicas impostas pelo governo dos Estados Unidos ao Irã, especialmente às suas instituições governamentais e aeronaves oficiais. A situação levanta suspeitas de possível violação direta do regime de sanções vigente desde 1979, reforçado nos últimos anos por Washington.
▪️ O QUE FOI IDENTIFICADO
Segundo mensagens internas e registros obtidos com exclusividade pela reportagem, a empresa World Fuel — com sede nos EUA — teria negociado e operacionalizado o fornecimento de combustível para o avião iraniano no Brasil, utilizando a estrutura logística e operacional da SHELL, com intermediação da Raízen.
A aeronave do Governo da República Islâmica do Irã — identificada com o brasão do país e cores nacionais, chegará no Rio de Janeiro no próximo sábado e irá receber suporte técnico e abastecimento. O avião vai trazer membros da delegação iraniana, vindos para a reunião do bloco BRICS.
Avião do Irã será abastecido no Galeão
▪️ UM JOGO DE INTERESSES: QUEM GANHA COM ISSO?
A World Fuel, cujo site foi divulgado junto à mensagem (https://www.world-kinect.com), atua globalmente na cadeia de suprimentos de energia, incluindo aviação, marítimo e transporte terrestre. Ainda que opere em diferentes jurisdições, a realização de transações comerciais com órgãos oficiais do Irã pode colocar a empresa em rota de colisão com o próprio Departamento de Estado norte-americano.
Mais ainda: a Raízen, controlada por Rubens Ometto (Cosan), aparece citada nas conversas como fornecedora indireta do combustível, por meio das estruturas da Shell no Brasil. O envolvimento de um grupo empresarial brasileiro em um eventual furo ao embargo internacional pode gerar reações no mercado financeiro, especialmente em meio à tentativa da Raízen de captar recursos via debêntures e financiamentos no exterior.
▪️ O CONTRASSENSO DIPLOMÁTICO
A aparente contradição de uma empresa americana fornecendo combustível ao governo iraniano, ainda que em solo brasileiro, é juridicamente e politicamente complexa. As sanções dos EUA proíbem suas empresas ou subsidiárias de negociarem com entidades iranianas sob risco de severas penalidades, incluindo bloqueio de ativos, multas bilionárias e proibição de operar no sistema financeiro internacional.
A reportagem solicitou esclarecimentos à Embaixada dos EUA no Brasil, à Agência Nacional do Petróleo (ANP) e à própria Raízen, mas até o fechamento desta matéria, não houve resposta.
▪️ ESCLARECIMENTOS EXIGIDOS
Diante da gravidade do caso, questiona-se:
A World Fuel viola sanções unilaterais ao realizar essa operação?
A Raízen tem ciência do destino final do abastecimento operacionalizado em suas estruturas?
Houve anuência ou omissão por parte das autoridades brasileiras?
Que medidas o governo americano adotará diante da exposição internacional desse episódio?
▪️ UM INCIDENTE COM REPERCUSSÃO GLOBAL
O episódio pode se tornar um verdadeiro “caso internacional” e ser usado como munição política entre países do BRICS e potências ocidentais. Com o Irã tentando ampliar sua inserção no bloco e os EUA aumentando a vigilância sobre transações com regimes considerados hostis, o Brasil pode se ver no epicentro de uma disputa diplomática e comercial.
O blog do Cleuber Carlos enviou ofícios e aguarda respostas.
OFÍCIO À ANP
Assunto: Solicitação de esclarecimentos sobre abastecimento de aeronave iraniana no Aeroporto Internacional do Galeão
À
Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP)
Att: Diretoria de Fiscalização e Abastecimento
Prezados(as),
Venho, por meio deste, requerer informações e esclarecimentos oficiais sobre o abastecimento de uma aeronave do Governo da República Islâmica do Irã, que aterrissou recentemente no Aeroporto Internacional do Galeão (RJ), supostamente para participação na Cúpula dos BRICS.
Segundo informações recebidas por esta redação e amplamente documentadas por imagens e testemunhos no local, o referido avião teria sido abastecido por meio de operação viabilizada pela empresa americana World Fuel, utilizando-se da infraestrutura da Shell (Raízen) no Brasil.
Diante da existência de embargos econômicos impostos pelos Estados Unidos ao Irã, e considerando o envolvimento de empresas com sede em território norte-americano na referida operação, solicitamos:
A ANP possui registro e autorização formal desse abastecimento?
Qual empresa foi responsável direta pela comercialização e logística do combustível?
Houve comunicação prévia com o Governo Federal ou outras autoridades brasileiras sobre esse procedimento?
Existe avaliação da ANP sobre possível conflito com sanções internacionais vigentes?
Quais medidas serão tomadas para apuração dos fatos?
A presente solicitação visa esclarecer eventuais violações regulatórias, comerciais ou diplomáticas e será utilizada em matéria investigativa de interesse público.
Atenciosamente,
Cleuber Carlos do Nascimento
Jornalista Investigativo – Blog do Cleuber Carlos
OFÍCIO À RAÍZEN COMBUSTÍVEIS S.A.
Assunto: Esclarecimentos sobre possível envolvimento da Raízen no abastecimento de aeronave do Governo do Irã
À
Diretoria Jurídica e Institucional da Raízen Combustíveis S.A.
São Paulo – SP
Prezados(as),
Conforme apuração jornalística em curso, foi identificado que uma aeronave oficial do Governo do Irã foi recentemente abastecida no Aeroporto Internacional do Galeão (RJ), tendo como intermediária a empresa americana World Fuel Services Corporation, que, segundo as informações recebidas, utilizou-se da infraestrutura da Shell (Raízen no Brasil).
Considerando a gravidade do episódio e seus possíveis desdobramentos diplomáticos e jurídicos, venho requerer os seguintes esclarecimentos:
A Raízen autorizou ou operacionalizou o fornecimento de combustível à aeronave em questão?
Qual o papel da empresa na relação contratual com a World Fuel nesse tipo de operação?
Houve ciência ou comunicação com o Governo Federal sobre o abastecimento de aeronave iraniana em território nacional?
A empresa está ciente dos riscos de violação de sanções internacionais impostas ao Irã?
Qual posicionamento oficial da Raízen frente ao episódio?
Dada a relevância pública e internacional do fato, esta solicitação integra investigação jornalística a ser publicada no Blog do Cleuber Carlos e outros veículos associados.
Aguardamos resposta no prazo de até 5 (cinco) dias úteis.
Atenciosamente,
Cleuber Carlos do Nascimento
Jornalista Investigativo – Blog do Cleuber Carlos
OFÍCIO AO MINISTÉRIO DAS RELAÇÕES EXTERIORES
Assunto: Solicitação de esclarecimentos diplomáticos sobre abastecimento de aeronave iraniana por empresa americana no Brasil
Ao
Ministério das Relações Exteriores – Itamaraty
Departamento de Comunicações e Assessoria de Assuntos Internacionais
Prezados(as),
Considerando a chegada ao Brasil de aeronave oficial do Governo da República Islâmica do Irã, registrada no Aeroporto Internacional do Galeão (RJ), com objetivo de participar da Cúpula dos BRICS, e o consequente abastecimento da mesma por intermédio de empresa americana (World Fuel), utilizando infraestrutura da Shell/Raízen, venho requerer:
O Governo Brasileiro foi notificado previamente sobre esse abastecimento?
Houve consulta ao Itamaraty ou chancela diplomática para a realização da operação?
Existe risco de retaliações diplomáticas ou comerciais por parte dos Estados Unidos, tendo em vista os embargos contra o Irã?
O Governo do Brasil avalia que houve transgressão a tratados internacionais dos quais o país seja signatário?
Que medidas o Itamaraty tomará para assegurar transparência e preservação da soberania nacional diante do episódio?
Este pedido integra apuração jornalística sobre eventual violação indireta de sanções internacionais, com possível impacto nas relações do Brasil com os EUA e países do BRICS.
Agradeço antecipadamente pela colaboração institucional.
Atenciosamente,
Cleuber Carlos do Nascimento
Jornalista Investigativo – Blog do Cleuber Carlos
⚠️ A reportagem segue apurando os desdobramentos do caso e busca contato com todas as partes envolvidas. Qualquer posicionamento oficial será atualizado nesta publicação.


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