sexta-feira, 8 de agosto de 2025

A Câmara que envergonha Rio Verde: silêncio cúmplice, rabo preso e uma cidade sem fiscalização


Por Cleuber Carlos

Rio Verde vive tempos sombrios. Não apenas pela sucessão de escândalos que rondam a prefeitura, contratos suspeitos, dispensas de licitação em série ou pelo uso político da máquina pública. Mas principalmente por causa da omissão vergonhosa da Câmara Municipal, que virou um puxadinho do poder Executivo — um clube submisso, amordaçado pela conveniência, pelo medo e pelos favores.

É impossível falar em transparência, fiscalização ou responsabilidade pública quando a maioria dos vereadores age como cúmplice do prefeito, seja ele qual for. Os escândalos se acumulam, mas não há uma CPI, uma denúncia formal, uma cobrança séria ou uma iniciativa de apuração. Nenhuma.

Rabo preso, cargos e silêncio comprado

A explicação para o silêncio é tão simples quanto revoltante: a Câmara está vendida politicamente. Muitos parlamentares têm parentes nomeados em cargos comissionados, ocupando secretarias, chefias e coordenações dentro da própria prefeitura. Outros recebem favores escusos, são financiados por grupos que controlam contratos públicos e vivem à sombra do Executivo como extensões de sua vontade.

É o “rabo preso” institucionalizado. E enquanto isso, a população é tratada como figurante num teatro montado para parecer democracia, mas que opera como conveniência privada.

Coleta de lixo: 10 anos de emergência e nenhum vereador reagiu

Não é preciso ir longe para comprovar essa omissão. A Prefeitura de Rio Verde está há quase 10 anos contratando serviços de coleta de lixo por meio de supostos contratos emergenciais, sem realizar licitação — o que é ilegal. O próprio Tribunal de Contas dos Municípios de Goiás (TCM-GO) já notificou e recomendou que a licitação fosse realizada, determinando inclusive um prazo que não foi cumprido pela gestão atual. Nenhum vereador cobrou, denunciou ou sequer questionou a irregularidade.

O caso foi exposto em detalhes na matéria “Emergência Fabricada em Rio Verde: R$ 38 milhões contratados sem licitação e sem transparência” (leia aqui). Mas da Câmara, apenas silêncio.

Terceirização da saúde: contratos milionários com empresas de parentes de políticos

Outra aberração ignorada pela Câmara é a terceirização da prestação de serviços médicos com empresas ligadas diretamente a parentes do ex-prefeito Paulo do Vale e do atual deputado estadual Lucas do Vale. Empresas como a Clínica Hemorim e a Herenios Serviços Médicos, com contratos milionários com o Fundo Municipal de Saúde, têm entre seus sócios pessoas com vínculos familiares diretos com esses políticos. Os contratos seguem firmes, com cifras altíssimas e suspeitas graves de favorecimento. E novamente: nenhuma comissão, nenhuma investigação, nenhum barulho vindo dos vereadores.

Loteamentos e nascentes: silêncio diante de crimes ambientais

Para completar o pacote da omissão, a Câmara também se cala diante da expansão de loteamentos urbanos em áreas de nascentes, com indícios claros de envolvimento direto do ex-prefeito Paulo do Vale nos empreendimentos. O fiscal ambiental que liberou os projetos — mesmo sob suspeitas ambientais — foi promovido a secretário do Meio Ambiente, como se fosse premiado pela conivência.

E os vereadores? Fingem que não veem. Não há questionamento sobre os impactos ambientais, sobre a legalidade dos alvarás, sobre o favorecimento descarado.

Uma legislatura que trai o povo

A atual composição da Câmara de Rio Verde é uma traição à democracia. Não representa o povo. Representa seus próprios interesses. Atua como escudo do Executivo, enquanto a cidade é saqueada em silêncio. E o mais grave: quem deveria fiscalizar precisa, na verdade, ser fiscalizado.

Por isso, não investigam. Por isso, se calam. Porque têm o que esconder.

O povo está vendo. E vai lembrar.

A população não é cega. Ela vê o silêncio dos vereadores diante das denúncias que pipocam semanalmente. Vê os contratos milionários sem licitação, os cargos sendo distribuídos como moeda de troca, os apadrinhamentos, os conchavos, as articulações feitas nos bastidores — sempre contra o interesse da coletividade.

É hora de reagir. É hora de nomear os omissos. É hora de cobrar coragem.

Porque quem não fiscaliza, quem se omite, quem se esconde atrás do gabinete... não representa o povo.

Imprensa domesticada: paga para aplaudir, não para investigar

“Quem tem medo de investigar, é porque tem algo a esconder.” Essa frase vale não apenas para os vereadores de Rio Verde, mas também para uma parte significativa da imprensa local, que abdicou do jornalismo para virar assessoria de marketing do poder.

Há veículos e profissionais que vivem da bajulação institucional. Estão pagos — direta ou indiretamente — para elogiar, se omitir e puxar saco. Não questionam, não cobram, não investigam. O que se vê são manchetes laudatórias, entrevistas encomendadas, matérias pagas com dinheiro público e colunas transformadas em vitrines do prefeito e seus aliados.

Essa imprensa não serve ao povo. Serve ao poder. E se cala porque lucra com o silêncio.

Rio Verde não precisa de panfletos institucionalizados. Precisa de jornalismo. De independência. De coragem para enfrentar os interesses e revelar os bastidores.

Jornalista que tem medo de perguntar, não merece microfone. Imprensa que se ajoelha, perde sua voz.

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