A justificativa oficial, segundo nota divulgada pela própria secretaria, é baseada na Lei n° 11.947/2009 e na Resolução 06/2020 do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), que de fato proíbem a oferta de chocolates e produtos ultraprocessados como parte da merenda escolar. No entanto, fica uma pergunta no ar: distribuir um pequeno ovo de chocolate na Páscoa é merenda ou é afeto?
Não se trata aqui de defender o consumo desenfreado de doces nas escolas. Todos sabemos da importância de hábitos alimentares saudáveis desde a infância. Mas também sabemos que educar vai além da alimentação: envolve acolhimento, simbolismo e pertencimento. Um ovo de Páscoa, ainda que simples, carrega um significado profundo — principalmente para aquelas crianças que talvez não tenham outra oportunidade de receber esse carinho.
A Páscoa é um momento que simboliza renovação, esperança e partilha. Negar essa experiência em nome de uma leitura rígida da lei é deixar de enxergar o que a educação tem de mais poderoso: a capacidade de tocar corações e criar memórias.
É possível, sim, seguir as normas e ainda oferecer esse gesto simbólico. Muitas cidades brasileiras encontraram soluções criativas: utilizaram recursos próprios, buscaram doações da comunidade ou entregaram os ovos em ações separadas da alimentação escolar. O que não falta é alternativa quando existe vontade de fazer diferente.
O que vimos em Acreúna foi uma decisão que, embora tecnicamente correta, falhou no cuidado com o sentimento das crianças. E isso, no fim das contas, é o que mais importa quando falamos em formar cidadãos sensíveis, humanos e conscientes.
Talvez o que tenhamos perdido nesta Páscoa não seja apenas o sabor do chocolate, mas o doce valor de um gesto simbólico de carinho.

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