Como tem que ser em um roteiro promissor, havia um pano de fundo intrigante. Os Estados Unidos alimentavam o medo de Gana pelas eliminações nas duas últimas Copas. Era o vilão temível do outro lado, de muita força física e talento para atacar. Aos americanos, restava se defender um pouco mais, o que explica a estratégia de Jürgen Klinsmann, mais cautelosa. E também surpreender.
Pois o filme começou da melhor maneira possível, para prender a atenção de quem estava na poltrona. Logo aos 28 segundos, Clint Dempsey marcou um lindo gol. O quinto gol mais rápido da história das Copas. O golpe que dava a vantagem para os Estados Unidos aguentar a provação que passaria depois. A inteligência e a velocidade de uma das principais estrelas da companhia acabaram sendo decisivas para que Gana fosse vazada. Para que os Estrelas Negras começassem a castigar o US Team.
A partir do gol, os ganeses começaram a ter muito mais volume no ataque. A movimentação da trinca de meias escalada pelo técnico Kwasi Apiah, formada por André Ayew, Jordan Ayew e Christian Atsu, dava trabalho para a marcação americana, assim como Asamoah Gyan, de grande presença no ataque. Para incrementar o roteiro do filme de guerra, alguns dos soldados passaram a sair baleados. Jozy Altidore e Matt Besler se foram ainda na primeira etapa, enquanto Alejandro Bedoya saiu no segundo tempo. O artilheiro, o líder da defesa e o mais ativo no meio-campo. Dempsey baqueou tanto por perder o companheiro quanto por um chute fortíssimo que tomou no nariz. Michael Bradley, o capitão, estava desaparecido.
O segundo tempo passou a esquentar a obra hollywoodiana. Não era um jogo de bom nível técnico. Entretanto, sobrava tensão. Os Estados Unidos não conseguiam passar do meio-campo, enquanto Gana bombardeava a meta de Tim Howard, mas sem precisão. Para melhorar o nível do time, Apiah colocou em campo Kevin-Prince Boateng e Michael Essien, dois dos soldados mais experientes do inimigo. E os carrascos de 2010 resolveram aparecer. Gyan deu ótimo passe de calcanhar para Ayew marcar, a dez minutos do fim. O empate estava consumado, a derrocada parecia próxima.
A comemoração ao fim do jogo foi imensa, com jogadores e comissão técnica se abraçando na Arena das Dunas. A partir deste momento, já podem subir os créditos. O filme acabou, com a grande vitória do US Team por 2 a 1. A vitória reforça as chances de classificação dos EUA, especialmente depois da derrota de Portugal contra a Alemanha. E, mesmo com o tropeço, Gana não pode ser totalmente descartada em um grupo tão equilibrado. A partida em Natal contou a história de vencedores e vencidos. Mas promete ser ainda uma trilogia, com mais dois grandes episódios ainda a entrar em cartaz.
Ficha técnica
Estados Unidos 2×1 Gana
Estados Unidos
Tim Howard, Fabian Johnson, Geoff Cameron, Matt Besler (John Brooks, intervalo), DaMarcus Beasley; Alejandro Bedoya (Graham Zusi, 31’/2T), Kyle Beckerman, Jermain Jones; Michael Bradley; Clint Dempsey e Jozy Altidore (Aron Johansson, 23’/1T). Técnico: Jürgen Klinsmann.
Gana
Adam Kwarasey, Daniel Opare, Boye, Jonathan Mensah e Kwadwo Asamoah; Mohamed Rabiu (Michael Essien, 25’/2T), e Sulley Muntari; Christian Atsu (Albert Adomah, 31’/2T), Jordan Ayew (Kevin-Prince Boateng, 14’/2T) e André Ayew; Asamoah Gyan. Técnico: Kwasi Apiah.
Local: Arena das Dunas, em Natal
Árbitro: Jonas Eriksson (SUE)
Gols: Clint Dempsey, 1’/1T; André Ayew, 36’/2T; John Brooks, 41’/2T
Cartões amarelos: Rabiu Mohamed e Sulley Muntari (Gana)
Cartões vermelhos: Nenhum
Fonte: Trivela
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