segunda-feira, 6 de abril de 2026

A COVARDIA DO SILÊNCIO : VIOLÊNCIA CONTRA MULHER CONTINUA PORQUE HOMEM NÃO ENFRENTA HOMEM

Há crimes que não terminam na cena. Eles continuam reverberando nas instituições, na política e, sobretudo, na forma como a sociedade escolhe reagir — ou se omitir.

O episódio ocorrido em Itumbiara, envolvendo o então secretário de Governo Tales Machado, que matou os próprios filhos e, em seguida, tirou a própria vida, não pode ser tratado como uma tragédia isolada. Ele se insere em um padrão que o Brasil insiste em não enfrentar com a seriedade necessária: a escalada contínua da violência doméstica, especialmente contra mulheres.

Mas, em meio a esse cenário, um elemento desloca o eixo da análise. Não pelo apelo emocional, mas pelo significado político. A manifestação pública do Coronel Edson Raiado rompeu uma lógica que ainda predomina nos bastidores do poder: a proteção de vínculos pessoais acima de princípios.


https://www.instagram.com/reel/DUv2UHEkaa6/?igsh=MXNyYjBhZDR0cGJpMA== Raiado conhecia as pessoas envolvidas. Esse elemento, por si só, já seria suficiente para justificar silêncio, cautela ou até mesmo uma defesa indireta — comportamento comum em estruturas políticas locais, onde laços pessoais frequentemente se sobrepõem à responsabilidade pública. No entanto, não foi essa a escolha feita. Ao contrário, o coronel se posicionou de forma clara, direta e pública em defesa da mulher, sem relativizações, sem ambiguidades e sem qualquer tentativa de suavizar o ocorrido.

Esse ponto é central porque desloca a análise do campo emocional para o campo político. Não se trata apenas de um posicionamento individual, mas de uma quebra de lógica. Em ambientes onde prevalece o corporativismo, onde relações pessoais frequentemente determinam o tom das manifestações públicas, a decisão de não proteger o vínculo, mas sim o princípio, produz um efeito que vai além do episódio em si.

E esse efeito dialoga diretamente com um problema estrutural que o Brasil ainda enfrenta de forma insuficiente: a escalada da violência contra a mulher. Trata-se de uma realidade que já não pode mais ser tratada como exceção ou como estatística isolada. É um fenômeno contínuo, que exige não apenas resposta penal, mas também reposicionamento cultural e institucional.

Há um erro recorrente na forma como essa pauta é tratada. Ainda se insiste em colocá-la como uma bandeira exclusivamente feminina, como se fosse um tema restrito às mulheres. Essa leitura não apenas reduz a dimensão do problema, como também compromete sua efetividade. A violência contra a mulher não nasce no campo feminino. Ela nasce, em grande medida, dentro de uma cultura masculina que ainda precisa ser confrontada, revista e responsabilizada.

Nesse sentido, o papel dos homens — especialmente daqueles que ocupam espaços de poder — torna-se central. Não apenas na defesa da punição, que é necessária e inegociável, mas na construção de uma nova postura pública. Uma postura que não relativize, que não hesite e que não se esconda atrás de conveniências políticas ou relações pessoais.

É exatamente nesse ponto que a atitude de Raiado ganha relevância. Ao se posicionar de forma firme, mesmo diante de um vínculo pessoal direto, ele estabelece um marco simbólico importante: o de que há limites que não podem ser ultrapassados e, sobretudo, há princípios que não podem ser negociados.

Esse tipo de gesto produz impacto em múltiplas camadas. No campo simbólico, rompe com a lógica da omissão e sinaliza que há espaço para uma atuação mais responsável e coerente. No campo institucional, reforça a ideia de autoridade alinhada à proteção social. E, inevitavelmente, no campo político, dialoga com uma realidade objetiva: mulheres são maioria do eleitorado e estão cada vez mais atentas à coerência entre discurso e prática.

O que o episódio de Itumbiara revela, portanto, não é apenas a gravidade de um crime. Ele expõe um contraste. De um lado, uma sociedade ainda marcada por índices alarmantes de violência contra a mulher. De outro, a raridade de posicionamentos claros, especialmente entre homens em espaços de poder, quando essa violência se manifesta de forma concreta.

E talvez seja exatamente esse o ponto mais incômodo de toda essa análise: o fato de que fazer o correto ainda chama atenção.

Não porque seja extraordinário.

Mas porque, no cenário atual, ainda não é regra.

O caso de Itumbiara expõe um contraste incômodo: de um lado, uma realidade persistente de violência contra a mulher; de outro, a raridade de homens que, em espaços de poder, enfrentam outros homens quando essa violência se manifesta.


sexta-feira, 3 de abril de 2026

ACREÚNA: LULA NA FRENTE, MARCONI LIDERA COM FOLGA E CAIADO É TERCEIRO

ACREÚNA: PESQUISA REGISTRADA EXPÕE O TABULEIRO — LULA NA FRENTE NA CIDADE, MARCONI LIDERA ENTRE OS ELEITORES E Dra FLÁVIA BATISTA SURGE COMO O FATO NOVO DA POLÍTICA LOCAL

Há momentos em que a política deixa de ser discurso e passa a ser leitura de cenário. A pesquisa realizada em Acreúna, no final de fevereiro de 2026, é um desses momentos. Não é achismo, não é bastidor — é dado registrado na Justiça Eleitoral.

O levantamento está sob o número GO-07598/2026, no Tribunal Superior Eleitoral, foi conduzido pelo Instituto Podium (Podium Consultoria, Marketing, Pesquisas e Editoração Ltda), com 350 entrevistas, realizadas entre os dias 26 e 27 de fevereiro de 2026. Ou seja: é um retrato formal do eleitor de Acreúna e Arantina— e não de Goiás, nem do Brasil.

E o que esse retrato mostra é um cenário que começa a se organizar. No plano nacional, dentro do eleitorado de Acreúna, Luiz Inácio Lula da Silva aparece na frente com 36,20%, podendo chegar a 40,62% quando o cenário é mais direto  . Na sequência, Flávio Bolsonaro vem com 29,17%, chegando a 33,07%, enquanto Ronaldo Caiado aparece com até 20,31%  .

À primeira vista, o número pode surpreender. Afinal, em 2022, o município seguiu o padrão do interior goiano, com vitória do campo da direita no consolidado local. Mas a política não é estática — e o que a pesquisa revela agora tem explicação objetiva.


A entrada de Ronaldo Caiado na disputa presidencial muda o eixo do jogo. Caiado não disputa o eleitor de Lula. Caiado disputa o eleitor de direita. Na prática, isso fragmenta um campo que antes era concentrado.


O resultado aparece com clareza: Lula mantém sua base, enquanto Flávio Bolsonaro passa a dividir votos com Caiado. E, em eleição, divisão pesa. O efeito direto é o que a pesquisa mostra: Lula na frente, Flávio em segundo, Caiado em terceiro.

Não é crescimento isolado.

É reorganização de cenário.

No governo de Goiás, o movimento é mais estável. Dentro do eleitorado de Acreúna e Arantina Marconi Perillo aparece com 40,10%, podendo chegar a 45,83%, enquanto Daniel Vilela registra 27,86%, indo a 29,17%  .

Aqui o dado é direto: o eleitor de Acreúna, hoje, coloca Marconi à frente no cenário estadual.

Mas é no município que a pesquisa deixa de ser apenas número e passa a ser sinal político.

O primeiro sinal vem direto: 28,39% dos entrevistados dizem que não votariam em ninguém  . Não é detalhe. É um recado. Um pedaço expressivo da cidade ainda não se vê representado.

Na espontânea, quando o eleitor fala sem sugestão de nomes, o quadro ainda está aberto: Dra. Flávia Batista aparece com 18,23%, enquanto Claudiomar marca 15,89%, com uma parcela relevante ainda observando o cenário  .

Quando os nomes entram na mesa, o jogo muda: Adélio Neto aparece com 33,07%, seguido por Dra. Flávia Batista com 29,95%, enquanto Robson Rios registra 11,72%  .Até aqui, leitura tradicional.

Mas a política não vive só de lista. Vive de escolha. E é quando a escolha é direta que o dado mais forte aparece: 

Dra. Flávia Batista chega a 51,30%, contra 38,28% de Adélio Neto  .

Em outro cenário, contra Robson Rios, o número é ainda mais expressivo: 64,58% para Flávia contra 19,01%  . Não é um detalhe estatístico. É um movimento político.

Os nomes ajudam a entender esse quadro.

Adélio Neto, atual vice-prefeito de Claudiomar Portugal, carrega a estrutura da gestão.

Dra. Flávia Batista, advogada, professora e psicóloga, construiu presença a partir de atuação social em Acreúna e Arantina.

Robson Rios, que já disputou a prefeitura, mantém visibilidade, mas hoje aparece mais distante do centro da disputa. E há um dado que atravessa tudo isso: 46,35% da população vive com até um salário mínimo  . Isso não é estatística fria. Isso explica o comportamento do voto.

Porque, no fim, a política em Acreúna não está sendo decidida em discurso. Está sendo observada na prática.

E o que a pesquisa mostra, sem rodeio, é isso:

👉 Lula aparece na frente entre os eleitores da cidade 

👉 Marconi lidera no voto para governador dentro do município

👉 E, no cenário local, um fato novo começa a ganhar forma:

👉 Dra. Flávia Batista deixa de ser apenas nome e passa a ocupar espaço real na disputa

A eleição não está posta.

Mas o tabuleiro já está montado.


quinta-feira, 2 de abril de 2026

NOMEAÇÃO NA GOINFRA REVELA DOMÍNIO DE ZÉ MARIO NA INFRAESTRUTURA

NOMEAÇÃO NA GOINFRA ESCANCARA AVANÇO DO AGRO DENTRO DO NÚCLEO DE INFRAESTRUTURA EM GOIÁS

Há nomeações que não são apenas administrativas — são movimentos políticos em estado puro.

O decreto publicado no Diário Oficial desta quarta-feira (2) oficializa a nomeação de Alexandro Alves dos Santos para a vice-presidência da GOINFRA. No papel, trata-se de um cargo comissionado. Na prática, o gesto revela muito mais: a consolidação de um eixo de poder onde infraestrutura e agronegócio passam a operar de forma ainda mais integrada dentro do governo estadual.

A mensagem pública do nomeado não deixa margem para dúvida. Ao agradecer diretamente a José Mário Schreiner — uma das figuras mais influentes do agro goiano — e à deputada Marussa Boldrin, Alexandro sinaliza de forma explícita a origem política da sua ascensão.

Não é apenas gratidão. É alinhamento.

E esse alinhamento tem implicações.

A GOINFRA é hoje um dos centros nervosos da execução de políticas públicas em Goiás, responsável por obras, logística e investimentos estruturais. Ao inserir um nome diretamente vinculado ao núcleo do agronegócio em sua vice-presidência, o governo não apenas ocupa um cargo — redefine prioridades, influencia decisões e reposiciona forças dentro da máquina pública.

O discurso de “humildade” e “compromisso” segue o roteiro tradicional. Mas o conteúdo político está nas entrelinhas: trata-se de uma ocupação estratégica, que amplia o raio de influência de um setor que já possui peso decisivo na economia e na política do estado.

A pergunta que emerge não é sobre a capacidade individual do nomeado.

É sobre o desenho institucional que está sendo montado.

Quando infraestrutura e agro passam a compartilhar o mesmo eixo de comando, o que se constrói não é apenas estrada, ponte ou logística.

Constrói-se poder.

E, em Goiás, esse movimento está longe de ser casual.


GOINFRA VIRA MOEDA DE PODER: INDICAÇÃO DE “XANDÃO DO AGRO” ESCANCARA ARRANJO PARA ACOMODAR FAEG SEM ENTREGAR O COMANDO

Movimento combina vice “de confiança” de José Mário Schreiner com nome técnico na Agricultura e revela estratégia de controle político sobre estruturas bilionárias do Estado

Há movimentos políticos que não precisam ser anunciados. Eles se impõem pela lógica interna — e, principalmente, pelas conexões que carregam.

A possível nomeação de “Xandão do Agro” para a vice-presidência da Goinfra não é um gesto isolado. É uma peça dentro de um arranjo mais amplo, onde o governo busca acomodar o agronegócio sem, no entanto, abrir mão do controle efetivo da máquina.

Sem histórico relevante na gestão pública, Xandão não chega pelo currículo técnico. Chega pela proximidade com José Mário Schreiner. E, no ambiente político, isso basta. Não como detalhe — mas como credencial central.

A operação é clara: oferecer ao presidente da FAEG o “sabor de vice”, mantendo-o próximo do centro decisório, mas sem entregar a caneta. Um movimento que atende, sinaliza, mas delimita.

Paralelamente, a articulação para a Secretaria de Agricultura segue outro roteiro. O nome ventilado, Ademar Leal, carrega trânsito no setor, mas não está organicamente vinculado à estrutura da federação. A escolha, se confirmada, reforça o desenho: dialogar com o agro, absorver pressão política, mas evitar a concentração formal de poder nas mãos da entidade.

Quando analisados em conjunto, os dois movimentos deixam de ser coincidência. São engrenagens de uma mesma estratégia: acomodar interesses relevantes sem ceder o eixo de comando.

E é aqui que a Goinfra ganha peso real.

Não se trata de um cargo secundário. A autarquia é ponto de passagem de contratos vultosos, obras estruturantes e decisões que impactam diretamente o fluxo de investimentos públicos. Controlar a Goinfra é, na prática, controlar uma das veias mais sensíveis da administração estadual.

Nesse contexto, a montagem de uma vice alinhada politicamente, combinada com uma secretaria “técnica”, não é improviso. É arquitetura de poder.

O discurso público pode falar em equilíbrio. Mas, nos bastidores, o que se desenha é outra coisa: uma engenharia de contenção. Dá-se espaço, mas não se entrega domínio. Abre-se a porta, mas se mantém a chave.

O problema não está, necessariamente, na legalidade do movimento. Está no método.

Quando relações pessoais passam a pesar mais do que critérios técnicos na ocupação de estruturas estratégicas, a fronteira entre gestão pública e acomodação política deixa de ser nítida. E quando isso ocorre em áreas que movimentam bilhões e estruturam o desenvolvimento do Estado, o alerta deixa de ser retórico.

Passa a ser institucional.

Porque, no fim, o ponto central não é quem será nomeado.

É entender quem, de fato, passará a influenciar — ainda que sem assinatura formal — as decisões que saem de dentro dessas estruturas.


Gugu Nader Rompe Com Caiado e Filia no PSDB de Marconi

TERREMOTO POLÍTICO EM ITUMBIARA: GUGU NADER ROMPE COM A BASE DE CAIADO E PODE ESTAR PUXANDO UMA DEBANDADA


A saída do deputado estadual Gugu Nader da base do governador Ronaldo Caiado, logo no início de um novo ciclo político, está longe de ser apenas mais uma movimentação dentro da janela partidária. O gesto, ao mesmo tempo rápido e cirúrgico, carrega um peso político que vai além da decisão individual e começa a produzir ruídos mais amplos dentro do próprio grupo governista.


Ao se filiar ao PSDB, sob a órbita do ex-governador Marconi Perillo, Gugu não apenas muda de partido. Ele muda de campo político — e faz isso em um momento sensível: o início de um novo governo, quando, em tese, a base ainda deveria estar consolidada.


É justamente esse timing que transforma o movimento em algo mais relevante.


Na política, romper cedo nunca é neutro. Não é um gesto de conveniência momentânea, mas de leitura antecipada. E, nesse caso, a leitura parece clara: reposicionamento antes que o custo de saída se torne maior — ou que o ambiente interno se torne menos previsível.


Mas o ponto que começa a chamar atenção nos bastidores não é apenas a saída em si.


É o efeito que ela pode provocar.


Interlocutores do meio político já tratam o movimento como um possível gatilho — não necessariamente imediato, mas simbólico — de uma reorganização mais ampla dentro da base. Porque, na dinâmica política, raramente um movimento desse tipo acontece de forma isolada. Ele costuma abrir espaço, testar ambiente e, principalmente, autorizar outros movimentos que estavam represados.


Em outras palavras:

Gugu pode não ser apenas mais um a sair. Pode ser o primeiro a sair.


E isso muda completamente a leitura do episódio.


A filiação ao PSDB também não é casual. O partido, que busca reconstruir espaço em Goiás, especialmente fora dos grandes centros, ganha com a chegada de um parlamentar com base eleitoral consolidada em Itumbiara — um município que historicamente tem peso político regional. Ao mesmo tempo, reforça o desenho de um campo oposicionista que começa a se reorganizar com vistas a 2026.


Do lado governista, o movimento inevitavelmente gera desconforto. Não apenas pela perda pontual de um deputado, mas pelo sinal que se projeta: o de que há fissuras em um momento em que a expectativa era de estabilidade.


Porque, no fundo, a política funciona por sinais.


E alguns sinais são mais fortes do que discursos.


A saída de Gugu Nader, no início do jogo, não é apenas uma troca de legenda. É uma mensagem. E, dependendo de como for interpretada nos bastidores, pode marcar o início de um processo mais amplo — silencioso no começo, mas potencialmente ruidoso ao longo do tempo.


Se isso vai se consolidar como uma debandada ou permanecer como um movimento isolado, ainda é cedo para afirmar.


Mas uma coisa já está posta:

quando o primeiro se levanta da mesa, os demais passam, inevitavelmente, a olhar em volta.


quarta-feira, 1 de abril de 2026

XANDÃO DO AGRO NA GOINFRA EXPÕE O MODELO DE PODER QUE OPERA POR DENTRO — E NÃO PELO DISCURSO

Há movimentos políticos que não precisam de anúncio oficial para serem compreendidos. Eles se revelam na forma como são construídos — e, principalmente, nas conexões que carregam.

A possível ascensão de “Xandão do Agro” à vice-presidência da GOINFRA não é, em si, apenas uma escolha administrativa. É um gesto político que precisa ser lido dentro de um arranjo maior, onde infraestrutura, agronegócio e poder institucional passam a operar em camadas sobrepostas.

E é justamente nesse ponto que o caso deixa de ser pontual. Porque, paralelamente a essa movimentação, o governo articula a indicação de um secretário de Agricultura historicamente vinculado ao presidente da FAEG — uma das estruturas mais influentes do agronegócio goiano. A coincidência, aqui, não é detalhe. É método.

Quando se observa os dois movimentos em conjunto, o que emerge não é improviso. É alinhamento.

A GOINFRA, responsável por contratos robustos, obras estratégicas e execução de investimentos de alto impacto, passa a dialogar diretamente com um núcleo político que também avança sobre a formulação da política agrícola do Estado. Não se trata apenas de ocupação de cargos. Trata-se de integração de interesses.

E isso exige atenção. Porque governos que operam nesse modelo — em que o mesmo eixo de influência ocupa simultaneamente estruturas distintas — tendem a produzir decisões menos fragmentadas e mais coordenadas. O problema é quando essa coordenação se dá sem transparência equivalente.

É aí que surge o ruído institucional. Não por ilegalidade presumida, mas pela lógica.

Quando os mesmos grupos orbitam, ao mesmo tempo, os centros de decisão e os ambientes de interesse direto, a fronteira entre política pública e representação setorial começa a se tornar difusa.

E em um Estado onde contratos, obras e políticas agrícolas movimentam cifras expressivas, essa difusão não pode ser tratada como algo natural.

Ela precisa ser explicada. Porque, no fim, a questão não é quem assume. É a quem essa estrutura responde — e com que nível de independência real.

GOINFRA REABILITA EMPRESA IMPEDIDA DE LICITAR NO APAGAR DAS LUZES

NO APAGAR DAS LUZES, DECISÃO NA GOINFRA REACENDE DÚVIDAS SOBRE CRITÉRIOS E INTERESSES EM LICITAÇÕES

Há decisões administrativas que passam despercebidas. Outras, porém, carregam peso político, simbólico e institucional suficiente para exigir leitura mais atenta — sobretudo quando ocorrem no apagar das luzes.

Foi exatamente nesse contexto que um ato envolvendo a GOINFRA passou a levantar questionamentos relevantes sobre critérios, timing e eventuais beneficiários.

Sob a estrutura da Secretaria de Infraestrutura, à época comandada por Adib Elias, foi formalizada a revogação de impedimento que recaía sobre a construtora CCB — empresa que, até então, estava impossibilitada de participar de novas licitações.

A mudança não foi trivial.

Na prática, a decisão reabilita a empresa para voltar ao mercado público em um momento sensível, reabrindo portas que estavam oficialmente fechadas.

E é justamente aqui que o caso deixa de ser burocrático para entrar no campo político.              A CCB é associada a um grupo empresarial ligado a um empreiteiro de sobrenome Vilela — o que, por si só, não configura irregularidade, mas insere o episódio dentro de um ambiente onde relações, conexões e influência sempre merecem escrutínio público.

O ponto central, portanto, não está apenas na revogação.

Está no contexto. Está no momento. Está na escolha de fazer disso um dos últimos atos de gestão.

Porque decisões dessa natureza, quando tomadas na reta final, inevitavelmente levantam uma pergunta que não pode ser ignorada: foi um ato técnico — ou um movimento que atende a interesses previamente alinhados?

Não se trata de acusação. Trata-se de lógica institucional.

Em qualquer ambiente público minimamente transparente, mudanças que alteram a condição de empresas em processos licitatórios exigem motivação clara, publicidade efetiva e, sobretudo, rastreabilidade.

Sem isso, o que se cria não é apenas dúvida.É ruído. 

E no setor de infraestrutura — onde contratos são milionários e os efeitos se estendem por anos — ruído não é detalhe. É sinal.