sábado, 14 de março de 2026

GOIÁS DE FIBRA: MEIO BILHÃO DE REAIS, FILIAIS ABERTAS ÀS PRESSAS E O SILÊNCIO ENSURDECEDOR DO GOVERNO CAIADO

Quando um contrato público se aproxima da casa dos R$ 500 milhões, transparência deveria ser regra básica — não um detalhe opcional. Mas é exatamente o oposto que começa a emergir na estrutura do programa Goiás de Fibra, apresentado pelo Governo de Goiás como uma revolução digital capaz de conectar o estado com uma rede moderna de fibra óptica.


No papel, o projeto promete tecnologia, conectividade e inclusão digital. Nos bastidores, porém, os documentos revelam algo bem menos confortável: filiais empresariais abertas às pressas, estruturas societárias que convergem para o mesmo grupo econômico e um silêncio administrativo que começa a chamar mais atenção do que as próprias obras prometidas.


Levantamento realizado pela reportagem do #gynnoticias mostra que empresas centrais do consórcio vencedor decidiram fincar bandeira em Goiás justamente no período em que o contrato bilionário em importância estratégica estava sendo consolidado.


A coincidência temporal impressiona.


Em 30 de junho de 2025, a ATIVAS Data Center abriu filial em Goiânia, no Jardim América. Pouco mais de duas semanas depois, em 16 de julho de 2025, a TELSINC Comércio de Equipamentos de Informática Ltda. inaugurou sua unidade em Aparecida de Goiânia, no Polo Empresarial Goiás.


Duas estruturas empresariais surgindo praticamente juntas às vésperas da consolidação de um projeto de meio bilhão de reais.


Mas a história não para aí.


Nos registros da própria Receita Federal, a filial da TELSINC em Aparecida de Goiânia já aparece baixada, como se tivesse cumprido rapidamente sua função burocrática e simplesmente desaparecido do mapa empresarial. Para um projeto que promete 18 meses de execução tecnológica e infraestrutura complexa, a pergunta surge naturalmente: por que abrir estruturas regionais às pressas — e encerrá-las com a mesma velocidade?


A resposta pode estar no que aparece quando se levanta o capô societário do consórcio.


Embora o Governo de Goiás tenha contratado um consórcio com múltiplas empresas, a investigação aponta que, na prática, todas orbitam o mesmo núcleo econômico: o Grupo SONDA, multinacional chilena de tecnologia que domina boa parte dessa estrutura empresarial.


A TELSINC, por exemplo, foi adquirida pela SONDA em 2010.

A ATIVAS Data Center também opera sob controle do mesmo grupo.

Já a SONDA Procwork aparece como um dos principais braços operacionais da companhia no Brasil.


Ou seja: formalmente são empresas diferentes. Na prática, o comando empresarial converge para o mesmo grupo econômico.


Nomes como Ricardo Scheffer de Figueiredo, CEO da SONDA no Brasil, e Jorge David Ramirez Scott aparecem associados à administração de empresas que compõem o consórcio responsável por executar o projeto.


Nada disso, por si só, configura irregularidade. Grandes grupos tecnológicos frequentemente operam por meio de múltiplas empresas.


Mas quando estruturas jurídicas distintas participam do mesmo contrato público milionário — e todas convergem para o mesmo controle econômico — surge uma pergunta que nenhum gestor público sério deveria ignorar:


houve competição real ou apenas uma engenharia societária sofisticada ocupando diferentes espaços dentro do edital?


O contrato prevê implantação de rede de alta capacidade com WiFi 7 e prazo de execução de 18 meses. Um projeto dessa dimensão exigiria transparência permanente, acompanhamento público e informações claras sobre cronograma, pagamentos e execução.


Mas até agora o que predomina é o silêncio institucional.


A reportagem do #gynnoticias procurou formalmente a Secretaria de Comunicação do Governo de Goiás (Secom) solicitando informações sobre o andamento do projeto, a execução contratual e os questionamentos envolvendo a abertura e o fechamento relâmpago de filiais empresariais em território goiano.


O retorno foi simples: nenhum.


Mesmo após o envio de questionamentos formais, conforme exigência da própria assessoria do governo, não houve resposta até o fechamento desta edição.


O silêncio administrativo, nesse caso, não ajuda a esclarecer — apenas alimenta dúvidas.


E quando meio bilhão de reais de dinheiro público está em jogo, dúvida não é detalhe. É alerta.


Ao final desta reportagem serão disponibilizados os documentos obtidos pela investigação, incluindo registros da Receita Federal que demonstram a ligação societária entre as empresas envolvidas, o compartilhamento de administradores e o status cadastral das filiais abertas em Goiás.


Porque, quando o poder público decide investir R$ 500 milhões, a sociedade não merece cortina de fumaça.


Merece respostas.


PROJETO DA PREFEITURA ELEVA GASTO COM PROCURADORES PARA QUASE R$ 1,5 MILHÃO POR ANO EM MORRINHO

ENQUANTO PREFEITURA MANTÉM ESTRUTURA DE CARGOS COMISSIONADOS COM SALÁRIOS DE ATÉ R$ 14 MIL

Enquanto milhares de servidores municipais convivem com salários modestos e estruturas de trabalho frequentemente precárias, um projeto enviado pelo prefeito de Morrinhos à Câmara Municipal levanta um debate inevitável sobre prioridades dentro da máquina pública.


O Projeto de Lei Complementar nº 157/2026 propõe ampliar a carga horária dos procuradores municipais de 20 para 30 horas semanais — mudança que, na prática, representa também aumento significativo de remuneração para a categoria. 


A própria estimativa de impacto financeiro anexada ao projeto revela o tamanho da mudança: o custo mensal com os procuradores passará de R$ 84.771,86 para R$ 123.861,83, um salto de R$ 39.089,97 por mês. 


No acumulado de 2026, o impacto estimado chega a R$ 390.899,70 pagos pelos cofres públicos. 


Os números do próprio projeto revelam o tamanho do impacto. Atualmente, a Prefeitura de Morrinhos gasta cerca de R$ 84.771,86 por mês com a remuneração dos procuradores municipais. Com a ampliação da carga horária proposta no Projeto de Lei Complementar nº 157/2026, esse valor passará para aproximadamente R$ 123.861,83 mensais. Na prática, isso representa um aumento de R$ 39.089,97 por mês pagos pelos cofres públicos. No acumulado do ano, o custo total com os oito procuradores do município saltará de cerca de R$ 1,01 milhão para aproximadamente R$ 1,48 milhão, gerando um impacto adicional de cerca de R$ 469 mil por ano na folha da prefeitura.



A proposta atinge oito procuradores municipais, que passam a receber remuneração correspondente à nova jornada ampliada. 


A justificativa oficial do Executivo é previsível: aumento das demandas jurídicas, crescimento da cidade e necessidade de maior segurança legal nas decisões administrativas.


Tudo muito técnico no papel.


Mas a leitura mais ampla da estrutura da própria prefeitura revela um cenário que torna a discussão bem menos técnica — e muito mais política.

UMA PREFEITURA CHEIA DE CARGOS DE CONFIANÇA

Documentos da estrutura administrativa do município mostram que a prefeitura mantém uma extensa rede de cargos comissionados — os conhecidos DAS, cargos de livre nomeação política.

A tabela oficial de remuneração revela valores que chegam a R$ 14 mil mensais em determinados níveis da estrutura administrativa.

São cargos que não dependem de concurso público e que podem ser ocupados por indicação política.

E o número desses cargos chama atenção.

Apenas em duas secretarias — Educação e Saúde — a estrutura de assessores impressiona.

Na Secretaria de Educação, os documentos apontam:

  • 60 assessores DAS 1
  • 3 assessores DAS 4
  • 1 assessor DAS 9

Ou seja: 64 cargos comissionados apenas na educação municipal.

Já na Secretaria de Saúde, a estrutura é ainda mais robusta:

  • 40 assessores DAS 1
  • 30 assessores DAS 4
  • 7 assessores DAS 3
  • 8 assessores DAS 6
  • 8 assessores DAS 8
  • 5 assessores DAS 9

Somando tudo, são quase 100 cargos de confiança apenas na saúde.

Quando se juntam os números das duas pastas, o resultado ultrapassa 160 cargos comissionados.

Isso sem contar outras secretarias da administração.

A PERGUNTA QUE FICA

A proposta de aumento para os procuradores pode até ter justificativas administrativas legítimas.

Mas quando analisada dentro de uma estrutura municipal recheada de cargos comissionados, o debate muda de patamar.

A questão deixa de ser apenas jurídica.

Passa a ser política.

Porque, diante de uma máquina administrativa inflada por cargos de livre nomeação e salários que podem chegar a R$ 14 mil, a pergunta inevitável surge:

quais são, afinal, as prioridades da gestão municipal?

Mais estrutura jurídica para proteger a administração?

Ou mais cargos políticos dentro da máquina pública?

O projeto agora está nas mãos da Câmara Municipal.

E, diante dos números revelados pelos próprios documentos da prefeitura, os vereadores terão que decidir se aprovam apenas um aumento de jornada — ou se ignoram um debate maior sobre o tamanho e o custo da estrutura administrativa de Morrinhos.

Porque quando o assunto é dinheiro público, uma coisa é certa:

os números sempre acabam falando mais alto do que os discursos.


Filha de Amado Batista morre aos 46 anos após lutar contra câncer no fígado


Morreu na noite desta sexta-feira (13), em Goiânia, Lorena Alves Batista, de 46 anos, filha do cantor Amado Batista. Ela estava internada no Hospital São Francisco de Assis, onde realizava tratamento contra um câncer no fígado.


A doença havia sido tornada pública pela própria Lorena no ano passado, quando passou a compartilhar nas redes sociais informações sobre o tratamento e a rotina de enfrentamento da enfermidade.


Em comunicado divulgado nas redes sociais, a assessoria do cantor Amado Batista informou que apresentações previstas para este fim de semana foram adiadas em razão do falecimento.


Em mensagem direcionada aos fãs, o artista falou sobre a perda da filha e destacou a coragem com que ela enfrentou a doença.


“Minhas princesas e meus príncipes, é com o coração pesado, mas cheio de fé, que venho falar com cada um de vocês. A vida nos reserva palcos iluminados e aplausos, mas também nos coloca diante de silêncios que parecem não ter fim”, escreveu.


Amado Batista também relembrou o período de tratamento enfrentado por Lorena.


“Ela lutou com uma bravura que me orgulhou todos os dias. Foram tempos difíceis, de batalhas silenciosas contra uma doença grave, mas ela nunca perdeu a doçura que era só dela”, afirmou.


Ao final da mensagem, o cantor agradeceu as manifestações de apoio e as orações recebidas do público e afirmou que pretende seguir cantando em homenagem à filha.


sexta-feira, 13 de março de 2026

PSD Descarta Caiado e Escolhe Ratinho Júnior Como Candidato a Presidente

PSD BATE O MARTELO EM RATINHO JR. E COLOCA CAIADO DIANTE DE UM DILEMA POLÍTICO

Nos bastidores de Brasília, uma informação que circula com força crescente pode alterar o tabuleiro da corrida presidencial de 2026 — e atingir diretamente o projeto nacional do governador de Goiás, Ronaldo Caiado.

Segundo apuração divulgada pelo jornalista Merval Pereira, o PSD já teria tomado sua decisão estratégica: o partido deve anunciar no próximo dia 27 de março que o seu candidato à Presidência da República será o governador do Paraná, Ratinho Jr..

A decisão, se confirmada oficialmente, significa na prática que o PSD descarta apoiar o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, como candidato ao Palácio do Planalto.

E isso muda muita coisa.


O PROJETO PRESIDENCIAL DE CAIADO SOFRE UM PRIMEIRO TESTE REAL

Nos últimos meses, Caiado passou a circular com frequência crescente no debate nacional como possível presidenciável da direita moderada. O governador de Goiás intensificou agendas fora do estado, buscou interlocução com lideranças nacionais e passou a aparecer com mais constância em eventos políticos de alcance nacional.

Mas qualquer projeto presidencial precisa de três pilares básicos:

  • partido competitivo
  • estrutura nacional
  • tempo de TV e alianças

E é exatamente aí que a decisão do PSD pesa.


O partido comandado nacionalmente por Gilberto Kassab possui uma das maiores estruturas políticas do país, com governadores, prefeitos, bancada robusta no Congresso e presença consolidada em praticamente todos os estados.

Se o PSD decide lançar Ratinho Jr., ele automaticamente ocupa o espaço político que Caiado vinha tentando construir no campo da direita institucional.



A DISPUTA PELO MESMO ELEITORADO

Ratinho Jr. e Caiado têm perfis políticos semelhantes em vários aspectos:

  • ambos governadores
  • ambos posicionados no campo conservador
  • ambos tentando ocupar o espaço entre o bolsonarismo e o centro tradicional
  • ambos com discurso de gestão eficiente

Ou seja: disputam praticamente o mesmo eleitorado nacional.

Isso cria um problema estratégico evidente.

Se dois nomes semelhantes entram na disputa presidencial ao mesmo tempo, um tende a neutralizar o crescimento do outro.

O IMPACTO DIRETO EM GOIÁS

A decisão também produz efeitos internos na política goiana.

Caiado vinha sendo apresentado por aliados como um nome nacional em ascensão, o que naturalmente fortalece sua liderança dentro do estado e influencia alianças locais.

Mas se Ratinho Jr. passa a ocupar o espaço de candidato viável do PSD, Caiado precisará responder a uma pergunta central:

qual será o seu caminho partidário e político para sustentar uma candidatura presidencial?

Hoje, o União Brasil ainda enfrenta suas próprias disputas internas e não possui uma definição clara sobre quem representaria o partido em 2026.

Sem uma estrutura nacional consolidada por trás, qualquer candidatura presidencial se torna extremamente difícil.


O TABULEIRO DA DIREITA AINDA ESTÁ ABERTO

É importante registrar: nada ainda foi oficialmente formalizado.

Na política brasileira, decisões de bastidores podem mudar rapidamente.

Mas o movimento do PSD revela algo relevante:

os partidos grandes começaram a se posicionar cedo para 2026.

E quando um partido do tamanho do PSD sinaliza um nome competitivo, ele reorganiza automaticamente o jogo político nacional.


O DILEMA DE CAIADO

Se o anúncio de Ratinho Jr. se confirmar, Caiado terá três caminhos possíveis:

  1. manter o projeto presidencial, apostando em outra estrutura partidária;
  2. negociar uma composição nacional, talvez como vice em uma chapa competitiva;
  3. ou recuar estrategicamente, preservando força política para continuar influente no cenário nacional.

Nenhuma dessas decisões é simples.

Mas uma coisa é certa:

A possível escolha do PSD por Ratinho Jr. representa o primeiro grande obstáculo real para o projeto presidencial do governador de Goiás.

E, em política, os movimentos de bastidor costumam dizer muito antes dos anúncios oficiais.

Se o martelo realmente foi batido dentro do PSD, o jogo para 2026 acaba de ganhar uma nova peça — e Caiado precisará reagir rápido para não perder espaço no tabuleiro nacional.