sábado, 14 de março de 2026

PROJETO DA PREFEITURA ELEVA GASTO COM PROCURADORES PARA QUASE R$ 1,5 MILHÃO POR ANO EM MORRINHO

ENQUANTO PREFEITURA MANTÉM ESTRUTURA DE CARGOS COMISSIONADOS COM SALÁRIOS DE ATÉ R$ 14 MIL

Enquanto milhares de servidores municipais convivem com salários modestos e estruturas de trabalho frequentemente precárias, um projeto enviado pelo prefeito de Morrinhos à Câmara Municipal levanta um debate inevitável sobre prioridades dentro da máquina pública.


O Projeto de Lei Complementar nº 157/2026 propõe ampliar a carga horária dos procuradores municipais de 20 para 30 horas semanais — mudança que, na prática, representa também aumento significativo de remuneração para a categoria. 


A própria estimativa de impacto financeiro anexada ao projeto revela o tamanho da mudança: o custo mensal com os procuradores passará de R$ 84.771,86 para R$ 123.861,83, um salto de R$ 39.089,97 por mês. 


No acumulado de 2026, o impacto estimado chega a R$ 390.899,70 pagos pelos cofres públicos. 


Os números do próprio projeto revelam o tamanho do impacto. Atualmente, a Prefeitura de Morrinhos gasta cerca de R$ 84.771,86 por mês com a remuneração dos procuradores municipais. Com a ampliação da carga horária proposta no Projeto de Lei Complementar nº 157/2026, esse valor passará para aproximadamente R$ 123.861,83 mensais. Na prática, isso representa um aumento de R$ 39.089,97 por mês pagos pelos cofres públicos. No acumulado do ano, o custo total com os oito procuradores do município saltará de cerca de R$ 1,01 milhão para aproximadamente R$ 1,48 milhão, gerando um impacto adicional de cerca de R$ 469 mil por ano na folha da prefeitura.



A proposta atinge oito procuradores municipais, que passam a receber remuneração correspondente à nova jornada ampliada. 


A justificativa oficial do Executivo é previsível: aumento das demandas jurídicas, crescimento da cidade e necessidade de maior segurança legal nas decisões administrativas.


Tudo muito técnico no papel.


Mas a leitura mais ampla da estrutura da própria prefeitura revela um cenário que torna a discussão bem menos técnica — e muito mais política.

UMA PREFEITURA CHEIA DE CARGOS DE CONFIANÇA

Documentos da estrutura administrativa do município mostram que a prefeitura mantém uma extensa rede de cargos comissionados — os conhecidos DAS, cargos de livre nomeação política.

A tabela oficial de remuneração revela valores que chegam a R$ 14 mil mensais em determinados níveis da estrutura administrativa.

São cargos que não dependem de concurso público e que podem ser ocupados por indicação política.

E o número desses cargos chama atenção.

Apenas em duas secretarias — Educação e Saúde — a estrutura de assessores impressiona.

Na Secretaria de Educação, os documentos apontam:

  • 60 assessores DAS 1
  • 3 assessores DAS 4
  • 1 assessor DAS 9

Ou seja: 64 cargos comissionados apenas na educação municipal.

Já na Secretaria de Saúde, a estrutura é ainda mais robusta:

  • 40 assessores DAS 1
  • 30 assessores DAS 4
  • 7 assessores DAS 3
  • 8 assessores DAS 6
  • 8 assessores DAS 8
  • 5 assessores DAS 9

Somando tudo, são quase 100 cargos de confiança apenas na saúde.

Quando se juntam os números das duas pastas, o resultado ultrapassa 160 cargos comissionados.

Isso sem contar outras secretarias da administração.

A PERGUNTA QUE FICA

A proposta de aumento para os procuradores pode até ter justificativas administrativas legítimas.

Mas quando analisada dentro de uma estrutura municipal recheada de cargos comissionados, o debate muda de patamar.

A questão deixa de ser apenas jurídica.

Passa a ser política.

Porque, diante de uma máquina administrativa inflada por cargos de livre nomeação e salários que podem chegar a R$ 14 mil, a pergunta inevitável surge:

quais são, afinal, as prioridades da gestão municipal?

Mais estrutura jurídica para proteger a administração?

Ou mais cargos políticos dentro da máquina pública?

O projeto agora está nas mãos da Câmara Municipal.

E, diante dos números revelados pelos próprios documentos da prefeitura, os vereadores terão que decidir se aprovam apenas um aumento de jornada — ou se ignoram um debate maior sobre o tamanho e o custo da estrutura administrativa de Morrinhos.

Porque quando o assunto é dinheiro público, uma coisa é certa:

os números sempre acabam falando mais alto do que os discursos.


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