domingo, 1 de fevereiro de 2026

PISTA DE CAMINHADA SOB ALTA TENSÃO EM ITUMBIARA LEVANTA ALERTA DE RISCO À POPULAÇÃO

 Obra pública na Avenida Celso Maeda entra em debate técnico após registro de campo eletromagnético sob duas linhas de transmissão paralelas

O que foi apresentado como obra urbana de lazer começa a assumir contornos de imprudência técnica. A construção de uma pista de caminhada na Avenida Celso Maeda, em Itumbiara (GO), exatamente sob duas linhas de transmissão de energia de alta tensão, desloca o debate da política para a segurança pública.

Aqui não se discute estética.

Discute-se física, eletricidade e responsabilidade administrativa.

📍 O LOCAL DA OBRA

A estrutura foi implantada dentro de área que corresponde a faixa de servidão de rede de transmissão de energia, espaço tecnicamente delimitado para operação e segurança do sistema elétrico, não para permanência contínua de pessoas.

Essas faixas existem porque:

  • conduzem energia em altíssima tensão
  • exigem corredor livre para manutenção
  • apresentam campo eletromagnético constante
  • possuem risco técnico associado a fenômenos elétricos invisívei

📸 REGISTRO NO LOCAL APONTA PRESENÇA DE CAMPO ELETROMAGNÉTICO


Durante verificação técnica realizada na própria Avenida Celso Maeda, um instrumento indicador de campo eletromagnético apresentou comportamento instável no trecho exato da pista localizada sob os cabos energizados.

O dispositivo não é equipamento de medição laboratorial, mas atua como indicador qualitativo, sinalizando a presença de campo elétrico e magnético gerado pelas linhas de transmissão.

A observação reforça uma premissa técnica reconhecida na engenharia elétrica: áreas sob redes de alta tensão não são projetadas para uso recreativo permanente.

⚡ DOIS CIRCUITOS PARALELOS: UM AGRAVANTE

A situação é ainda mais sensível porque não se trata de uma única linha. São duas redes paralelas no mesmo corredor.

Do ponto de vista elétrico, isso pode representar:

  • somatório de campos eletromagnéticos
  • maior indução elétrica em objetos metálicos
  • ambiente de influência elétrica ampliada

Essa configuração é tratada tecnicamente como área de maior restrição.


⚖️ O PONTO LEGAL E ADMINISTRATIVO

Se havia conhecimento prévio de que a área está dentro de faixa de servidão, a aplicação de recursos públicos na obra levanta questionamentos sobre:

  • adequação do projeto ao zoneamento técnico
  • observância de normas de segurança
  • responsabilidade por eventual exposição da população a risco previsível
  • possível desvio de finalidade da obra pública

Não se trata de debate ideológico.

Trata-se de uso de dinheiro público em área com restrição técnica conhecida


🎭 DESVIO DO FOCO

Ao deslocar a discussão para embates políticos, ignora-se o essencial: linhas de transmissão não respondem a discurso.


Elas operam sob leis da física.


Energia de alta tensão não reconhece narrativa.

Reconhece distância, isolamento e área de segurança.

🧩 O QUE ESTÁ EM JOGO

A obra da pista de caminhada na Avenida Celso Maeda não é apenas uma questão urbana. É um ponto de interseção entre:


⚡ engenharia elétrica

⚖️ responsabilidade administrativa

👥 segurança da população


Quando a administração pública opta por intervir em área tecnicamente restrita, a decisão deixa de ser apenas política e passa a ser técnica e jurídica.


E, em casos assim, a história mostra que o problema raramente aparece na inauguração.

Ele surge depois — quando a física cobra o que a gestão ignorou.


1. EFEITOS IMEDIATOS (os mais certos do ponto de vista físico)



Estes não dependem de “opinião”, são fenômenos elétricos conhecidos:



🔹 Indução elétrica no corpo



Sob linhas de alta tensão, o campo elétrico pode induzir pequenas correntes no corpo humano. Normalmente são fracas, mas podem causar:


  • formigamento leve
  • sensação de choque ao tocar objetos metálicos
  • desconforto em pessoas sensíveis




🔹 Descarga por contato indireto



Objetos metálicos (cercas, bicicletas, corrimãos) podem acumular tensão induzida e provocar pequenos choques.



🔹 Arco elétrico (situações extremas)



Em condições específicas (tempestade, falha estrutural), pode ocorrer descarga elétrica sem contato direto.



🔹 Queda de cabos



Evento raro, mas de alto impacto. Por isso as faixas de servidão são mantidas livres.





🧠 2. EFEITOS BIOLÓGICOS DE LONGO PRAZO (campo eletromagnético)



Aqui entramos no que a ciência chama de exposição crônica a campos eletromagnéticos de baixa frequência.


Organismos como a OMS (Organização Mundial da Saúde) e a IARC (Agência Internacional para Pesquisa em Câncer) classificam campos magnéticos de baixa frequência como:


“Possivelmente carcinogênicos para humanos” (Grupo 2B)


Isso não é afirmação de que causa câncer, mas indica que há evidências limitadas em estudos epidemiológicos.


O que já foi observado em pesquisas:


🔹 associação estatística com leucemia infantil em exposições prolongadas e elevadas

🔹 alterações discretas no sono em pessoas sensíveis

🔹 queixas de dor de cabeça e fadiga relatadas por alguns grupos expostos


Mas é importante ser honesto:

👉 não há consenso de causalidade direta

👉 os efeitos, se existirem, são de longo prazo

👉 a principal preocupação das normas é segurança elétrica, não biológica





👶 3. Por que crianças e idosos são mais citados



Não porque “o campo ataca”, mas porque:


  • têm sistemas biológicos mais sensíveis
  • ficam mais tempo em áreas de lazer
  • estudos epidemiológicos focam nesses grupos






🐄 4. Animais



Animais de criação podem apresentar:


  • maior sensibilidade a correntes induzidas no solo
  • alterações de comportamento sob estruturas de alta tensão (observado em alguns estudos rurais)






⚖️ 5. Por que existem faixas de servidão?



Não é por causa de câncer.

É por causa de segurança elétrica e operacional.


Essas áreas são projetadas para:


  • evitar contato com condutores
  • permitir manutenção
  • reduzir riscos em caso de falha
  • manter distância segura da população


Toy Story Quer Ser Governador de Goiás

 🎭 QUANDO A POLÍTICA VIRA DESENHO: “TOY STORY” ENTRA NA DISPUTA PELO GOVERNO DE Goiás

Entre chapéus, personagens e marketing, a fronteira entre liderança real e fantasia eleitoral fica cada vez mais turva


A cena política goiana vive um momento curioso — e simbólico. O debate público, que deveria girar em torno de gestão, políticas públicas e capacidade administrativa, começa a ser ocupado por uma estética de personagem. Não é força de expressão: o figurino, a performance e o roteiro têm lembrado mais um set da Toy Story do que um projeto de governo.


A imagem do caubói destemido, importada diretamente do universo de Woody, surge como metáfora perfeita desse momento. O problema é que, fora da animação, liderança não se constrói com figurino. No cinema, o herói salva o dia em 90 minutos. Na vida real, segurança pública, saúde e educação exigem planejamento, comando técnico e articulação institucional — coisas que não cabem em roteiro de animação.


O fenômeno não é isolado. A política contemporânea tem flertado perigosamente com a lógica do entretenimento. Personagens carismáticos substituem propostas. Gestos ensaiados tomam o lugar de decisões estruturais. O resultado é uma espécie de “disneyficação” do poder — onde a imagem vale mais que o conteúdo. Não por acaso, o imaginário coletivo passa a enxergar o processo eleitoral quase como um parque temático da The Walt Disney Company, onde tudo é cenário e nada é concreto.


Mas o eleitor não vive em animação. Ele enfrenta filas, impostos, violência, falta de leitos, estradas precárias. E aí está o ponto central: governar não é interpretar um papel. Não é trocar de figurino conforme a estratégia de marketing. Não é performar autoridade diante das câmeras. É exercer poder real com responsabilidade real.


Quando a política vira caricatura, o risco é sério. A caricatura simplifica, exagera, distorce. Funciona no humor. Funciona no desenho. Mas, no comando de um estado, pode virar sinônimo de superficialidade. O governante precisa ter eixo, não roteiro. Precisa de equipe técnica, não plateia.


Talvez por isso a metáfora de Mickey Mouse também faça sentido nesse cenário: um ícone global, reconhecido por todos, mas que pertence ao mundo da fantasia. Popularidade e reconhecimento não são sinônimo de capacidade administrativa. São coisas diferentes.


A eleição, portanto, impõe uma escolha clara ao eleitor goiano: votar em propostas ou em personagens? Em planos de governo ou em performances de campanha? Em quem administra ou em quem atua?


Porque, no fim das contas, o Palácio não é um estúdio. E o estado não é um desenho animado.


CRECHE DE R$ 4 MILHÕES NÃO SAI DO PAPEL EM IPAMERI E CONTRATO LEVANTA ALERTA SOBRE EXECUÇÃO


Obra em distrito distante do centro urbano, empresa de fora e ausência de início dos serviços colocam contrato público sob escrutínio técnico e político

Em Domiciano Ribeiro, distrito de Ipameri, o que existe hoje não é uma creche.

É um contrato.


O Município de Prefeitura de Ipameri firmou o Contrato Administrativo nº 554/2025, no valor de R$ 4.005.854,94, para a construção de uma Unidade de Educação Infantil — Creche Tipo 1, padrão FNDE. O instrumento está formalizado, assinado, publicado e juridicamente válido.


Mas, no chão, a obra não começou.


Segundo informação recebida por esta reportagem, o contrato foi assinado em julho de 2025. E até o momento, não há registro de início dos serviços. Nem canteiro, nem placa, nem movimentação visível.


Em contratos de engenharia, isso não é detalhe. É sinal.

🏗️ 

A EMPRESA CONTRATADA

A execução foi atribuída à empresa M & M Empreiteira Ltda, sediada em Catalão (GO), vencedora da Concorrência Eletrônica nº 003/2025.

Dados do próprio contrato indicam:

  • CNPJ: 07.377.271/0001-00
  • Representante legal: Carolina Rosa Brasil
  • Objeto: construção de creche padrão FNDE
  • Valor: R$ 4 milhões

Não se trata de uma compra simples. É obra de infraestrutura educacional, com cronograma físico-financeiro, responsabilidade técnica, fiscalização designada e obrigação de mobilização imediata após a ordem de serviço.

Quando a obra não inicia, o debate deixa de ser político e passa a ser técnico.


📌 

O QUE PASSA A SER RELEVANTE

A partir da qualificação da empresa, surgem questões objetivas que qualquer órgão de controle faria:

  • A M & M Empreiteira possui histórico de execução de creches padrão FNDE?
  • Qual o porte econômico da empresa frente a um contrato de R$ 4 milhões?
  • A empresa possui outras obras simultâneas que possam comprometer a mobilização?
  • Houve emissão de ordem de serviço? Se sim, por que não houve início?
  • O município aplicou alguma notificação formal por atraso?

Essas perguntas não são acusações. São protocolos de governança.

🧭 

O FATOR DOMICIANO

Domiciano Ribeiro não é um bairro urbano. É distrito.

Distante do centro de Ipameri. Logística mais complexa. Mobilização mais cara. Transporte de material mais demorado.

Em obras públicas em áreas afastadas, o planejamento operacional da empresa é determinante. E é justamente nesses contextos que a capacidade real da contratada aparece — ou não.

⚖️ 

CONTRATO ASSINADO NÃO É OBRA EXECUTADA

A Lei de Licitações não foi criada para produzir papel. Foi criada para produzir entrega.

Contrato de R$ 4 milhões parado representa:

  • recurso público imobilizado
  • atendimento educacional atrasado
  • risco de reprogramações orçamentárias
  • e, principalmente, frustração social

Creche não é obra ornamental. É política pública de base.

O PONTO CENTRAL

Até aqui, não há denúncia de desvio.

Há algo que, no setor de obras públicas, acende a luz amarela: contrato vigente sem execução visível.

E em engenharia pública, atraso inicial é sintoma.

Pode ser burocracia.

Pode ser projeto.

Pode ser falha de mobilização.

Mas nunca é irrelevante.

🗞️ Opinião

A cidade assina contratos. O distrito espera obra.

E quando a distância entre o papel e o concreto começa a crescer logo no início, o dever de fiscalização deixa de ser apenas institucional — passa a ser moral.

Porque, no fim, quem não pode esperar não é a prefeitura, nem a empresa.

São as crianças que ainda não têm creche.