segunda-feira, 1 de setembro de 2025

“São Simão: a água mais cara do Brasil”

São Simão paga a conta mais cara do Brasil? Diretora admite aditivos e confirma tarifa mínima de R$ 100,02

Entrevista à Band FM expõe que a Águas de São Simão já fez dois aditivos em apenas dois anos, mudou prazos de investimento e atende só ~1.000 famílias com tarifa social — apesar de 2.800 elegíveis no CadÚnico.


Pode parecer contraditório: uma cidade que abriga um dos maiores reservatórios de água do Brasil, com um lago de 722 km² formado pela Usina Hidrelétrica de São Simão, ser justamente a que paga a maior tarifa mínima de água do país. Essa ironia amarga foi confirmada pela própria concessionária: a tarifa mínima é de R$ 100,02.


A informação veio à tona em entrevista da diretora Tallyssa Martins Clemente à Rádio Band FM de São Simão, quando ela também admitiu que a empresa já realizou dois aditivos contratuais (e está no terceiro trâmite), alterando prazos de investimento com apenas dois anos de contrato.


O contrato de concessão com a São Simão Saneamento Ambiental S.A. entrou em vigor em 15 de junho de 2022, com prazo de 35 anos de vigência. Ou seja: em apenas dois anos de execução (2022–2024), a concessionária já alterou compromissos originais de investimentos por meio de aditivos sucessivos.


Enquanto isso, apenas cerca de 1.000 famílias recebem a tarifa social. O número chama atenção quando comparado aos 2.800 cadastros no CadÚnico do município — ou seja, há déficit de inclusão que pode manter gente vulnerável pagando caro por um serviço essencial.


O que a entrevista revelou

  • Início da vigência do contrato: 15 de junho de 2022, com prazo de 35 anos.
  • Tarifa mínima: R$ 100,02 (a maior faixa mínima reportada no país).
  • Aditivos: dois já assinados e terceiro em curso, mudando prazos de investimento originalmente pactuados.
  • Tarifa social: ~1.000 famílias beneficiadas (potencial de alcance até 2.800 com base no CadÚnico local).

Comparativo com outras cidades

O contraste com municípios vizinhos e até capitais é gritante:


  • Goiânia (SANEAGO) → tarifa mínima de R$ 27,30.
  • Quirinópolis (GO) → cerca de R$ 35,00.
  • Paranaiguara (GO) → cerca de R$ 33,00.
  • Cachoeira Alta (GO) → em torno de R$ 32,00.
  • Caçu (GO) → aproximadamente R$ 34,00.

➡️ Em todos os exemplos, a tarifa mínima varia entre R$ 27 e R$ 35. Já em São Simão, o usuário não paga menos de R$ 100,02.

Esse comparativo reforça que São Simão ostenta a tarifa mínima mais alta do Brasil, superando inclusive capitais como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, onde os valores giram em torno de R$ 30 a R$ 45.

Prazos de investimentos descumpridos

O contrato de concessão previa que, nos dois primeiros anos, a concessionária deveria entregar obras estruturantes fundamentais:


  • ETE Itaguaçu (Estação de Tratamento de Esgoto Compacta) → investimento de cerca de R$ 1,5 milhão, previsto para os anos 1 e 2 do contrato.
  • Aterro Sanitário → projeto, licenciamento e implantação deveriam ocorrer até o 3º ano, com início já no 1º biênio contratual, além do encerramento e recuperação do aterro municipal existente no prazo máximo de 36 meses.

📌 Essas metas, consideradas prioritárias, foram postergadas pelos aditivos firmados entre a empresa e a Prefeitura. Ou seja, a população já deveria estar usufruindo de um novo sistema de tratamento de esgoto em Itaguaçu e de um aterro sanitário regularizado, mas os prazos foram esticados sem transparência adequada.


Por que os aditivos importam

Aditivos não são ilegais por si só, mas precisam ser excepcionais, motivados e transparentes. Quando alteram prazos de investimentos estruturantes logo no início da concessão, podem desfigurar a proposta vencedora do leilão — ferindo a isonomia com concorrentes que disputaram o contrato sob condições originais. Em miúdos: se os prazos “pesados” viram “leves” depois, muda o jogo que definiu quem ganhou.


Modicidade tarifária em xeque

A Constituição (art. 175) e as leis de concessões determinam que a tarifa deve ser “módica” — justa e acessível — ao mesmo tempo em que garante a sustentabilidade do serviço. Quando um município paga três a quatro vezes mais que vizinhos e capitais, e parte expressiva da população vulnerável fica fora da tarifa social, a pergunta é inevitável: onde está a modicidade?


Impacto social: quem está ficando para trás

  • Elegíveis não atendidos: Se existem 2.800 famílias no CadÚnico e só ~1.000 estão na tarifa social, ~1.800 podem estar pagando a conta cheia sem precisar.
  • Efeito-cascata: a tarifa mínima de R$ 100,02 pressiona orçamentos familiares, aumenta inadimplência e eleva o risco de corte — numa cidade onde a água é insubstituível e constitucionalmente protegida.

Editorial

São Simão está pagando caro demais por respostas de menos. Não é aceitável que o município, que ostenta um lago de 722 km² e abundância hídrica, tenha que conviver com a maior tarifa mínima do país, aditivos em série e descumprimento de prazos de investimentos essenciais como a ETE Itaguaçu e o aterro sanitário, já previstos no biênio inicial do contrato (2022–2024), sem transparência absoluta. Água é direito, não privilégio. Se a regra do jogo mudou, a cidade tem o direito de saber, discutir e corrigir a rota — inclusive pelos caminhos do controle externo (TCM-GO, MP-GO) caso a modicidade e a isonomia tenham sido atropeladas.

👉 Quer que eu monte também um box de destaque visual para abrir a matéria com os dados mais fortes (lago 722 km² × tarifa mínima R$ 100,02 × 2 aditivos × 1.800 famílias sem tarifa social)?


sábado, 30 de agosto de 2025

AparecidaPrev no olho do furacão: empresa investigada, presidente sem certificação e risco às aposentadorias

Márcia Tinoco assume o instituto sob suspeitas, mantém contrato emergencial com empresa investigada em Goiânia e coloca Aparecida em situação irregular no sistema previdenciário nacional


Sob a promessa de moralizar a gestão, a nova presidente do Instituto de Previdência dos Servidores de Aparecida de Goiânia (AparecidaPrev), Márcia Tinoco da Silva, assumiu o cargo já cercada de polêmicas. Sua primeira decisão foi contratar, em caráter emergencial, a empresa responsável pela folha de pagamento do GoiâniaPrev — hoje investigada por fraudes envolvendo aposentados da capital.


O contrato foi firmado sem licitação, sob justificativa de urgência administrativa, reacendendo o debate sobre o uso recorrente de dispensas questionáveis e o risco de direcionamento na gestão de recursos públicos. Para especialistas em gestão pública, a dispensa levanta suspeitas de burla à concorrência e fragiliza o controle externo.


O caso se torna ainda mais grave quando se descobre que a nova presidente não possui a certificação obrigatória exigida em lei federal para comandar o instituto previdenciário. Sem essa qualificação mínima, a nomeação afronta diretamente a legislação previdenciária e compromete a credibilidade da gestão.


O resultado foi imediato: desde 31 de julho de 2025, Aparecida de Goiânia está em situação de irregularidade junto ao Ministério da Previdência, o que impede o município de firmar convênios, receber repasses e captar novos recursos. Na prática, significa colocar em risco a sustentabilidade do fundo dos servidores e a segurança das aposentadorias.


Para sindicatos e aposentados, a escolha da empresa investigada e a ausência de certificação da presidente representam um grave retrocesso. A gestão da AparecidaPrev, que deveria ser pautada pela transparência e rigor técnico, se vê mergulhada em dúvidas, desconfiança e denúncias.


O silêncio de Márcia Tinoco, que até agora não se manifestou publicamente, apenas reforça a percepção de improvisação política e desrespeito institucional. Um erro que pode custar caro aos servidores, aos aposentados e ao próprio município.


sexta-feira, 29 de agosto de 2025

TCM suspende contrato de R$ 167 milhões da Prefeitura de Goiânia com a Jardiplan


Tribunal confirma denúncia de Clésio Alves: superfaturamento em itens de sinalização atinge milhões e expõe contradições da gestão Sandro Mabel


O Tribunal de Contas dos Municípios de Goiás (TCM-GO) suspendeu a adesão da Prefeitura de Goiânia à Ata de Registro de Preços nº 009/2023, que previa contrato de R$ 167,2 milhões com o consórcio Jardiplan Axe, sediado em São Paulo.


A decisão, relatada pelo conselheiro Valcenô Braz, acolheu denúncia que já havia sido antecipada pelo deputado estadual Clésio Alves (MDB) na tribuna da Assembleia Legislativa. O parlamentar havia alertado sobre superfaturamento, contradições administrativas e uso artificial de decreto de calamidade financeira para justificar contratações sem licitação


📌 Itens com sobrepreço identificados pelo TCM-GO

A unidade técnica do TCM apontou diferença de R$ 9,7 milhões a mais entre o contrato vigente e a minuta de adesão. Entre os exemplos de superfaturamento:


  • Pintura de faixa (sinalização horizontal):
    • Contrato atual (2020): entre R$ 16,63 e R$ 17,12/m².
    • Nova adesão: R$ 38,93/m².
    • Com 182 mil m² previstos, o acréscimo seria de R$ 3.969.010,86.

  • Tacha refletiva bidirecional:
    • Atual: entre R$ 35,10 e R$ 36,14/unidade.
    • Nova adesão: R$ 50,38/unidade.
    • Com 162,5 mil unidades, o impacto é de R$ 2.314.169,00.

  • Tacha refletiva monodirecional:
    • Atual: entre R$ 13,05 e R$ 13,44/unidade.
    • Nova adesão: R$ 41,66/unidade.
    • Com 81,2 mil unidades, o acréscimo chega a R$ 2.293.177,25.

  • Placas de trânsito (sinalização vertical):
    • Contrato atual: entre R$ 401,29 e R$ 413,17/unidade.
    • Nova adesão: R$ 778,94/unidade, chegando em alguns casos a R$ 3.250,00/m².
    • Diferença projetada: R$ 1.188.758,40.


📑 Decisão do TCM


  • O Ministério Público de Contas defendeu a suspensão imediata, afirmando que o risco de dano irreversível era evidente.
  • O conselheiro relator acatou o parecer e proibiu a assinatura do contrato até decisão definitiva.
  • O secretário municipal de Engenharia de Trânsito, Tarcísio Abreu, foi intimado a comprovar em 24h o cumprimento da ordem e justificar a tentativa de adesão.
  • O TCM advertiu que descumprir a determinação pode gerar multas e penalidades administrativas.

🚨 Impacto político


O episódio reforça a narrativa levantada por Clésio Alves, que batizou a gestão de Mabel de “Mutirão Mentiras”, acusando-a de gastar em propaganda e shows enquanto promove contratos lesivos ao erário.


Além do desgaste político, a suspensão oficializada pelo TCM abre caminho para ações do Ministério Público e levanta questionamentos jurídicos sérios sobre a responsabilidade do prefeito e de seus auxiliares.


A incoerência é gritante: Mabel, que criticou a gestão anterior pelo uso de atas de registro de preços de outros estados, agora repete a mesma prática em valores ainda mais altos — e sob suspeita de superfaturamento.


🧭 Conclusão opinativa


O contrato de sinalização de Goiânia virou símbolo de como discursos de austeridade e transparência podem ruir diante da prática. O TCM confirmou que não se trata apenas de suspeita política, mas de sobrepreço comprovado em diversos itens.


A gestão Sandro Mabel, que deveria marcar renovação, entra para a história com um carimbo negativo: o de ter tentado empurrar à população um contrato de R$ 167 milhões recheado de preços inflados, suspenso graças à atuação de órgãos de controle e da oposição.


Sandro Mabel Entra Para História Como o Prefeito do Mutirão de Mentiras” na Prefeitura de Goiânia

Deputado estadual expõe na tribuna da Alego superfaturamento, contradições políticas e uso questionável de decreto de calamidade financeira


A administração do prefeito Sandro Mabel (União Brasil) enfrenta sua primeira grande crise política e moral. Em pronunciamento duro na tribuna da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), o deputado estadual Clésio Alves (MDB) denunciou a adesão da Prefeitura de Goiânia à Ata de Registro de Preços nº 001/2024 do Conleste Maranhense, que resultou em um contrato de R$ 167,2 milhões para sinalização viária da capital.


  • Mesmo após anunciar que não faria mais contratações via “carona” em atas, o prefeito Sandro Mabel aderiu à referida ata no início de 2025. A Secretaria Municipal de Engenharia de Trânsito (SET) firmou contrato de R$ 167,2 milhões, com duração de cinco anos, para implantação, ampliação e manutenção da sinalização viária em Goiânia  .
  • O contrato incluiu sinalização horizontal e vertical, dispositivos de segurança viária, além de 450 luminárias de LED sobre faixas de pedestres, orçadas em cerca de R$ 33 mil cada  .

⚠ Contrastando promessas e prática

  • A gestão de Mabel havia criticado a prática de adesão à atas por parte da gestão anterior (de Rogério Cruz), suspendendo contratos semelhantes assim que assumiu  .
  • Contudo, a decisão de aderir novamente à ata do Conleste expôs contradição entre discurso e prática, gerando críticas de membros da Câmara Municipal (como o vereador Fabrício Rosa) e da oposição na Assembleia  

Item

Detalhes

Origem da Ata

Ata de Registro de Preços nº 001/2024 – Conleste Maranhense

Publicação

25 de março de 2024

Modalidade

Pregão Eletrônico nº 001/2024 (Conleste)

Contratante Local

Prefeitura de Goiânia (SET) – Adesão em 2025

Valor e prazo

R$ 167,2 milhões, vigência de 5 anos

Empresa contratada

Jardiplan (consórcio com Axe Capital)

Serviços

Sinalização horizontal/vertical, dispositivos de segurança, LEDs etc



Segundo o deputado Clésio Alves, o contrato substituiu um anterior de R$ 39 milhões e incluiu itens com preços multiplicados em até seis vezes, como equipamentos orçados a R$ 300 que passaram a custar R$ 1.800. Para Clésio, trata-se de um “escândalo de superfaturamento” disfarçado sob o pretexto de modernização da cidade.

A denúncia: de R$ 39 milhões para R$ 167 milhões

Segundo Clésio Alves, a prefeitura substituiu um contrato anterior, avaliado em cerca de R$ 39 milhões, por outro quatro vezes maior, firmado com um consórcio maranhense. Pior: itens que custavam R$ 300 passaram a constar no novo contrato por R$ 1.800, um salto que o parlamentar classificou como “superfaturamento escandaloso”.


“Não é possível que uma cidade que enfrenta tantos problemas essenciais aceite gastar R$ 167 milhões em sinalização, sem sequer licitar, apenas aderindo a uma ata de outro estado”, disse Clésio, em tom de indignação.


A ata do Conleste

O contrato de Goiânia decorre da adesão à Ata de Registro de Preços nº 001/2024, vinculada ao Pregão Eletrônico nº 001/2024 do Consórcio Público Intermunicipal das Mesorregiões Norte e Leste Maranhense (Conleste).

Apesar de a atual gestão ter criticado e até suspenso contratações por “carona” em atas herdadas de Rogério Cruz, Mabel contradisse o próprio discurso ao reeditar a prática que havia prometido banir.

Calamidade financeira como justificativa

Clésio também acusou o prefeito de ter recorrido a um decreto de calamidade financeira artificial para dar sustentação jurídica ao contrato. Decretos dessa natureza permitem contratações emergenciais, sem processo licitatório competitivo, ampliando o risco de direcionamento e favorecimentos.


“Não há calamidade em Goiânia que justifique esse cheque em branco de R$ 167 milhões. Isso é um golpe contra o contribuinte e contra a moralidade pública”, afirmou o deputado.

Taxas, propaganda e contradições

Além da denúncia sobre a sinalização, Clésio Alves usou a tribuna para criticar a criação de novas taxas municipais, como a cobrança para uso de parques públicos e a polêmica taxa do lixo, que encarece a vida do contribuinte sem apresentar contrapartida em serviços.


Ele também classificou os chamados “mutirões de vagas” como “mintirões”, acusando a prefeitura de investir em shows e propaganda com dinheiro público, em vez de resolver os problemas estruturais da cidade.

Impacto político

As declarações de Clésio Alves colocam Sandro Mabel em xeque tanto no campo jurídico quanto no político. A oposição já articula pedidos de investigação junto ao Ministério Público de Goiás e ao Tribunal de Contas dos Municípios, enquanto na própria base aliada vereadores começaram a questionar a coerência do prefeito, que em menos de um ano de gestão já acumula contradições e desgaste.


A denúncia ganha ainda mais força porque foi feita em plenário da Alego, com repercussão imediata na imprensa e nas redes sociais. Mabel, que pretendia se consolidar como alternativa política em Goiânia para 2026, vê agora sua imagem abalada por um escândalo que combina suposto superfaturamento, incoerência administrativa e abuso de decretos de exceção

🧭 Conclusão opinativa



O caso da ata do Conleste expõe mais do que um contrato bilionário: revela a contradição de um governo que prometeu moralidade e transparência, mas recorre às mesmas práticas que criticava. A fala de Clésio Alves, registrada oficialmente em ata legislativa, pode ser o ponto de partida de uma crise maior — política, jurídica e de confiança pública.

Goiânia, mais uma vez, parece condenada a pagar a conta de gestões que tratam o erário como moeda de conveniência.