Primeiro pregão após a derrota de Flávio Bolsonaro registra a maior queda da Bolsa desde a pandemia. Mercado financeiro reage com desconfiança à continuidade da política econômica, enquanto ações de grandes empresas chegam a despencar mais de 50%.
A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva provocou uma reação devastadora no mercado financeiro brasileiro nesta segunda-feira, 26 de outubro. No primeiro pregão após o segundo turno das eleições presidenciais, a Bolsa de Valores sofreu sua maior queda percentual em seis anos, o dólar disparou e bilhões de reais em valor de mercado foram perdidos pelas empresas negociadas na B3.
O Ibovespa encerrou o dia com uma queda de 13,88%, aos 176.608 pontos. No pior momento, chegou a recuar 17,34%, obrigando a Bolsa a acionar o chamado circuit breaker, mecanismo de segurança que suspendeu temporariamente as negociações para conter a turbulência. A última interrupção semelhante havia ocorrido em março de 2020, durante a pandemia.
O dólar comercial registrou valorização de 8,21%, encerrando o pregão cotado a R$ 5,403. Durante o dia, a moeda norte-americana chegou a ultrapassar R$ 5,60, refletindo a intensa procura por proteção diante das incertezas econômicas. Foi a maior alta percentual diária do dólar desde 1999.
A dimensão da crise ficou evidente no desempenho das principais empresas brasileiras. As ações do Magazine Luiza despencaram 58,23%, enquanto a Hapvida perdeu 54,93%. O Banco do Brasil registrou queda de 29,33%, e o Bradesco também sofreu forte desvalorização. Dos 76 papéis integrantes do Ibovespa, 68 encerraram o pregão em baixa.
O resultado eleitoral contrariou as expectativas de parte significativa dos investidores, que apostavam na vitória de Flávio Bolsonaro e em mudanças na condução da política econômica. Com a confirmação da permanência de Lula no Palácio do Planalto, essas apostas foram rapidamente desfeitas, provocando uma onda de vendas.
A principal preocupação apontada por analistas está relacionada à continuidade dos gastos públicos, ao crescimento da dívida brasileira e às dificuldades para reduzir as taxas de juros. O mercado teme que a ausência de um ajuste fiscal mais consistente comprometa a estabilidade econômica nos próximos anos.
As consequências não ficam restritas aos investidores. A valorização do dólar pode pressionar os preços dos combustíveis, dos produtos importados e dos alimentos, enquanto juros elevados encarecem financiamentos, dificultam investimentos e prejudicam o consumo das famílias.
Embora empresas exportadoras, como Suzano e Vale, tenham registrado valorização, o comportamento predominante foi de forte aversão ao risco.
O volume negociado no Ibovespa alcançou R$ 88,6 bilhões, aproximadamente três vezes a média diária, demonstrando a intensidade da movimentação financeira.
O cenário coloca o governo Lula diante de um desafio imediato: recuperar a confiança dos investidores e apresentar respostas convincentes sobre o futuro das contas públicas.
A reação desta segunda-feira não determina, isoladamente, o desempenho futuro da economia brasileira, mas revela o tamanho da preocupação de parte do mercado com os próximos quatro anos.
As urnas garantiram a Lula mais um mandato. O mercado financeiro, porém, abriu o primeiro dia após a eleição com um recado contundente: a confiança na condução econômica do país está sob forte pressão.

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