quarta-feira, 14 de outubro de 2026

JHC PRECISA SAIR DO MURO: ALAGOAS TEM O DIREITO DE SABER QUAL BRASIL SEU GOVERNADOR ELEITO DEFENDE

JHC conquistou o governo de Alagoas e recebeu das urnas uma responsabilidade que ultrapassa as fronteiras do estado. Quem pede ao eleitor confiança para governar precisa também demonstrar clareza sobre os rumos do país. Diante de uma disputa presidencial decisiva, o silêncio pode ser uma escolha conveniente para o político, mas oferece pouco à sociedade. Alagoas tem o direito de saber qual projeto nacional seu governador eleito considera melhor.

Até o levantamento da CNN atualizado em 13 de outubro, JHC figurava entre os governadores eleitos que ainda não haviam declarado apoio formal a nenhum dos candidatos no segundo turno. Enquanto isso, integrantes importantes de seu grupo já apresentaram suas escolhas. A vice-governadora eleita Célia Rocha anunciou apoio a Flávio Bolsonaro em 9 de outubro, seguindo uma direção também adotada por aliados como Arthur Lira, Cabo Bebeto e Fábio Costa. 

A posição dos aliados, entretanto, não substitui a palavra de quem comandará o estado. JHC construiu sua vitória com protagonismo próprio. É dele, portanto, a responsabilidade política de explicar aos alagoanos como enxerga a escolha entre Lula e Flávio Bolsonaro. Permanecer em silêncio enquanto seu entorno se movimenta deixa uma lacuna justamente onde deveria existir liderança.

Este editorial defende uma exigência democrática simples: quem ocupa uma posição de tamanha relevância pública deve apresentar suas convicções e assumir os custos de defendê-las. JHC tem liberdade para escolher seu candidato. Tem também a possibilidade de declarar neutralidade e explicar os motivos. O que merece cobrança é a indefinição prolongada, que preserva todas as portas abertas para o dirigente e mantém o eleitor sem uma resposta clara.

A Presidência da República influencia diretamente o ambiente em que Alagoas será governada. Investimentos federais, infraestrutura, saúde, educação, segurança e políticas sociais fazem parte dessa relação. Um governador eleito precisa avaliar propostas, identificar convergências e dizer quais compromissos considera indispensáveis para seu estado. A escolha presidencial exige mais do que afinidade pessoal ou cálculo sobre quem está à frente nas pesquisas.

Se JHC considera Flávio Bolsonaro a melhor alternativa, deve declarar esse apoio e explicar suas razões. Se prefere Lula, deve assumir essa posição com a mesma transparência. Se rejeita os dois projetos, precisa dizer por quê e apresentar os critérios que sustentam essa decisão. Em qualquer dessas hipóteses, o eleitor recebe uma informação necessária para compreender a liderança que acaba de escolher.

Ficar em cima do muro pode parecer uma estratégia prudente quando se pretende preservar relações com todos os lados. Mas governar exige decisões que desagradam, escolhas que produzem consequências e compromissos que podem ser cobrados depois. A autoridade de um líder se fortalece quando suas posições são conhecidas antes do resultado, no momento em que ainda existe risco político em assumi-las.

Também seria insuficiente apresentar o apoio apenas como uma aposta em vantagens futuras para Alagoas. Recursos públicos e cooperação federativa devem atender à população, qualquer que seja a escolha partidária do governador. O posicionamento precisa expressar uma avaliação sobre o país: economia, instituições, políticas sociais, responsabilidade fiscal e capacidade de governar.

JHC não precisa acompanhar automaticamente sua vice ou seus aliados. Sua liderança lhe permite formular uma posição própria. É justamente por isso que sua manifestação importa. A sociedade deve ouvir do governador eleito o que ele pensa, e não tentar deduzir sua preferência a partir das declarações de outras pessoas.

O Blog do Cleuber Carlos cobra essa clareza. O homem público tem liberdade de escolha, mas carrega uma responsabilidade de transparência proporcional ao poder que recebeu. Alagoas escolheu seu próximo governador. Agora, merece conhecer, pela voz dele, qual caminho considera melhor para o Brasil.

JHC, apresente sua posição. Explique suas razões. Assuma sua escolha enquanto ela ainda pode contribuir para o debate público.

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