sexta-feira, 4 de setembro de 2026

TAQUARAL NO OLHO DO FURACÃO: EMPRESA MUDA QUADRO SOCIETÁRIO ÀS VÉSPERAS DE CONTRATO DE R$ 3,1 MILHÕES

SAÚDE SOB A LUPA | Reorganização empresarial, Unisen, ocupante de cargo na Alego e uma médica que já aparece em estruturas privadas contratadas na saúde pública ampliam os questionamentos. Blog também investiga possível relação entre emendas parlamentares e empresas prestadoras de serviços.

Taquaral de Goiás entra definitivamente no olho do furacão.

Em 24 de agosto, o Fundo Municipal de Saúde assinou contrato com a Fabermed Soluções em Saúde Ltda. para consultas, exames e cirurgias. Valor global estimado: R$ 3.119.900 para 990 procedimentos

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O que transforma a contratação em objeto de uma investigação mais profunda é a estrutura empresarial que aparece em torno da contratada e a cronologia das alterações ocorridas às vésperas do negócio.

Registros empresariais consultados apontam uma reorganização envolvendo Unisen Holding, JVGF Participações e Lucas Nogueira Taveira Adorno, identificado pela Assembleia Legislativa como secretário de Serviços Médicos da Casa.

A proximidade temporal entre alterações societárias e a contratação não comprova favorecimento ou direcionamento. Mas exige uma pergunta elementar: o que motivou a reorganização justamente naquele período e em que estágio estava o credenciamento da empresa?

GLEYCIANNE ENTRA NO RADAR

Outro nome merece atenção especial: Gleycianne da Silva França.

Ela integra, ao lado de João Victor de Paula Pereira, a JVGF Participações, holding constituída em 18 de junho de 2026, com capital declarado de R$ 10 mil. 

Mas sua atuação na saúde é muito anterior.

Documento oficial da Prefeitura de Goiânia mostra que Gleycianne já possuía, em 2018, contrato de credenciamento como médica de urgência e emergência, no valor de R$ 84 mil. 

Mais relevante para a investigação atual é outro registro oficial.

Em março de 2025, a Comissão Permanente de Tomada de Contas Especial da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás notificou Gleycianne, identificando-a como sócia-diretora da Fluir Gestão em Saúde Ltda. A empresa havia sido contratada pelo Instituto Gênnesis para serviços de coordenação médica no Hospital Estadual de São Luís de Montes Belos, unidade gerenciada por contrato de gestão com a SES. 

A tomada de contas buscava apurar responsabilidades por pagamento integral de serviço cuja carga horária médica, segundo a notificação, não teria sido cumprida integralmente. O dano original apontado era de R$ 1,5 mil. 

É fundamental registrar: a instauração de tomada de contas não equivale a condenação, e a reportagem não atribui responsabilidade definitiva a Gleycianne sem conhecer o desfecho do procedimento.

O que interessa aqui é o modelo.

Empresa privada → organização responsável pela gestão de unidade pública → prestação de serviços médicos.

Agora seu nome reaparece dentro de uma estrutura empresarial ligada à Fabermed, contratada diretamente pela saúde de Taquaral.

UNISEN, INSTITUTO RONDON E UMA PERGUNTA DE MILHÕES

A presença da Unisen aumenta ainda mais a necessidade de esclarecimentos.

O Blog do Cleuber Carlos já apura informações segundo as quais pessoas ligadas à estrutura da Unisen teriam participado dos bastidores da contratação do Instituto Projeto Rondon pela saúde de Taquaral.

Essa suposta intermediação ainda não foi documentalmente comprovada e não é apresentada como fato.

Mas agora surge uma conexão concreta: a estrutura ligada à Unisen aparece formalmente dentro da empresa que celebra outro contrato milionário com o Fundo Municipal de Saúde.

Então a pergunta passa a ser inevitável:

há relação operacional, societária ou financeira entre os agentes envolvidos na execução do Instituto Rondon e aqueles que agora aparecem na Fabermed?

E existe sobreposição entre os serviços?

O contrato da Fabermed abrange PET Scan, ressonância, endoscopia, colonoscopia e diversas cirurgias, com valores unitários previamente estabelecidos. 

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EMENDAS PARLAMENTARES TAMBÉM ESTÃO NA MIRA

A investigação vai avançar mais uma camada.

O Blog do Cleuber Carlos também está rastreando emendas parlamentares destinadas à saúde e sua eventual conexão temporal e financeira com contratos de prestação de serviços desse modelo.

A existência de emenda, contrato ou vínculo empresarial, isoladamente, não caracteriza irregularidade.

O que será investigado é o caminho completo do dinheiro:

quem indicou a emenda, quanto foi destinado, quando o recurso entrou, qual objeto financiou, quem decidiu sua aplicação e quais empresas terminaram recebendo pela execução dos serviços.

Não haverá acusação baseada em coincidência.

Haverá cruzamento de documentos.

TAQUARAL PRECISA EXPLICAR

O contrato estabelece pagamento apenas pelos procedimentos efetivamente realizados e atestados. Portanto, os R$ 3,119 milhões constituem valor global estimado, e não prova de dinheiro já desembolsado. 

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Mas a quantidade de conexões justifica escrutínio.

Quem articulou cada contratação?

Quando começaram as tratativas?

Quando ocorreram as mudanças societárias?

Quem efetivamente realizará os procedimentos?

Existe relação financeira entre Instituto Rondon, Fabermed, Unisen ou empresas ligadas aos mesmos personagens?

E há recursos provenientes de emendas parlamentares alimentando alguma dessas estruturas?

São perguntas. Não acusações.

Mas são perguntas que envolvem milhões de reais da saúde pública.

E o Blog do Cleuber Carlos vai seguir o dinheiro.

Documento por documento. Empresa por empresa. Emenda por emenda.

Taquaral entrou no olho do furacão.

E estaremos de olho.


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