segunda-feira, 21 de setembro de 2026

TAQUARAL ENTRA NA ROTA DA FABERMED: EMPRESA DE SÓCIA INVESTIGADA PELA PF TEM CONTRATO DE R$ 3,1 MILHÕES NA SAÚDE MUNICIPAL

SAÚDE PÚBLICA | Documentos obtidos pelo Blog do Cleuber Carlos mostram que a mesma Fabermed citada pelo Metrópoles em contratos de R$ 8,9 milhões mensais com hospitais estaduais também foi credenciada pelo Fundo Municipal de Saúde de Taquaral de Goiás. Revelação nacional lança nova luz sobre uma estrutura empresarial que o Blog já vinha investigando.

A investigação que o Blog do Cleuber Carlos vem realizando sobre a saúde de Taquaral de Goiás acaba de ganhar um novo e importante capítulo.

Documentos oficiais mostram que o Fundo Municipal de Saúde de Taquaral assinou, em 24 de agosto de 2026, o Contrato nº 106/2026 com a Fabermed Soluções em Saúde Ltda., CNPJ 41.063.390/0001-26.

O contrato decorre do Credenciamento nº 03/2026 e prevê prestação de serviços médicos, exames, diagnósticos e procedimentos cirúrgicos. 

Saúde taquaral .PDF

O valor global estimado chama atenção:

R$ 3.119.900 para até 990 procedimentos.

A lista inclui PET Scan, ressonâncias, colonoscopias, histerectomias, laqueaduras, vasectomias, cirurgias de catarata, colecistectomias, herniorrafias e partos cesáreos. O contrato estabelece pagamento conforme os procedimentos efetivamente realizados e atestados, portanto os R$ 3,119 milhões representam teto estimado, e não necessariamente valor já pago. 

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O QUE O METRÓPOLES REVELOU AGORA

Neste domingo (21), uma reportagem do Metrópoles colocou a mesma Fabermed no centro de uma investigação nacional.

Segundo o veículo, a empresa conseguiu contratos para fornecer médicos aos hospitais estaduais de Formosa, Uruaçu e Trindade, administrados pelo Imed.

Valor: R$ 8,9 milhões por mês.

A reportagem informa ainda que uma das sócias da Fabermed, a médica Gleycianne França, responde a inquérito que tramita na Polícia Federal e no TRF-1 sobre suspeita de simulação de concorrência em contratações anteriores.

Segundo decisão judicial reproduzida pelo Metrópoles, investigadores apontaram que Gleycianne teria promovido declarações falsas em 11 processos para simular concorrência em benefício de outra empresa.

Gleycianne nega categoricamente qualquer participação em simulação ou combinação de preços, e sua defesa ressalta que ela não foi denunciada pelo Ministério Público. 

E AGORA O CAMINHO CHEGA A TAQUARAL

É aqui que as duas investigações se encontram.

A Fabermed que aparece na reportagem nacional é a mesma pessoa jurídica contratada diretamente pelo Fundo Municipal de Saúde de Taquaral.

E o contrato municipal foi assinado há menos de um mês: 24 de agosto de 2026

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Mais: o documento estabelece que os recursos para custear os serviços podem ter origem nos Tesouros Federal, Estadual e Municipal e prevê vigência de até 12 meses, com possibilidade de prorrogação. 

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O Blog já vinha investigando justamente a estrutura empresarial relacionada à Fabermed e à Unisen. A nova revelação do Metrópoles, portanto, não surge isoladamente: ela acrescenta uma informação relevante ao conjunto de relações societárias e contratos públicos que já estavam sob levantamento deste Blog.

CONTRATO TEM CLÁUSULA QUE AGORA GANHA IMPORTÂNCIA

Há um detalhe no próprio contrato de Taquaral que merece atenção.

A cláusula décima determina que a contratada deve apresentar, “a qualquer tempo”, documentos considerados necessários pelo Município referentes à sua vida profissional, civil e criminal. 

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A revelação da existência de investigação envolvendo uma sócia não significa, por si só, impedimento da empresa nem prova irregularidade no contrato de Taquaral.

Mas produz uma pergunta objetiva:

a Prefeitura de Taquaral fará alguma diligência sobre a empresa que poderá receber até R$ 3,1 milhões da saúde municipal?

NÃO É O MESMO MODELO DE CONTRATAÇÃO

Existe uma diferença que precisa ser registrada.

O Metrópoles revelou que, em uma seleção do Imed, a proposta da Fabermed ficou apenas R$ 770 abaixo da segunda colocada, enquanto outras quatro concorrentes foram desclassificadas. 

Em Taquaral, porém, o procedimento documentado é outro.

O contrato foi realizado mediante credenciamento, com reconhecimento de inexigibilidade de licitação, e os preços estavam previamente estabelecidos na Tabela de Credenciamento 2026 aprovada pelo Conselho Municipal de Saúde. 

Não há, portanto, base documental nesses arquivos para afirmar que houve em Taquaral uma disputa de preços semelhante à relatada pelo Metrópoles.

AS PERGUNTAS AGORA SÃO OUTRAS

Quem verificou os antecedentes societários da Fabermed antes do credenciamento? O Município tinha conhecimento da investigação envolvendo integrante de seu quadro societário? Quais diligências de integridade foram realizadas? Quanto já foi efetivamente executado e pago dos R$ 3,119 milhões? Quantos dos 990 procedimentos previstos já foram realizados? E quais empresas ou profissionais efetivamente estão executando esses serviços?

Há ainda uma questão que o Blog pretende aprofundar: como a Fabermed se encaixa na estrutura empresarial envolvendo a Unisen que já vinha sendo investigada e qual é a extensão dessa rede de contratos na saúde pública de Goiás.

Nenhum dos documentos analisados permite concluir, neste momento, que o contrato de Taquaral seja fraudulento.

Mas uma coisa mudou.

A empresa que já estava no radar do Blog em Taquaral agora aparece no centro de uma investigação nacional sobre contratos milionários na saúde de Goiás.

São R$ 8,9 milhões por mês nos hospitais estaduais apontados pelo Metrópoles.

Em Taquaral, mais R$ 3,119 milhões em valor estimado.

A partir de agora, a pergunta deixa de ser apenas quanto custa.

Passa a ser também:

quem fiscalizou, quem verificou e quem responde pela escolha?

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