
Goiás deu a Jair Bolsonaro 58,71% dos votos válidos no segundo turno de 2022, contra 41,29% de Lula. Foram mais de 2,19 milhões de votos para Bolsonaro. Esse histórico não permite concluir automaticamente como esse eleitorado votará em 2026, mas ajuda a dimensionar sua importância eleitoral no estado.
É justamente aí que está o risco político provocado pelo confronto.
Caiado intensificou os ataques a Flávio em plena reta final. Se parte dos eleitores que hoje escolhem Flávio para presidente interpretar essas declarações como uma agressão ao seu campo político, a reação pode não ficar restrita à eleição presidencial.
Gracinha é a primeira diretamente exposta. Ela disputa uma das duas vagas ao Senado enquanto Gustavo Gayer, do PL, busca mobilizar o eleitorado bolsonarista.
Mas Daniel Vilela também precisa ser colocado nessa equação.
Daniel construiu sua candidatura ao governo como sucessor do grupo político de Caiado. Embora tenha identidade própria e pertença ao MDB, é o candidato apoiado pela estrutura governista. Portanto, uma eventual rejeição ao grupo de Caiado entre bolsonaristas pode alcançar também sua candidatura.
Isso não significa afirmar que exista hoje uma transferência automática de rejeição de Caiado para Daniel ou Gracinha. As pesquisas não demonstram, por si só, essa relação de causa e efeito. A questão eleitoral é saber se ela aparecerá nas urnas.
O cenário abre duas perguntas diferentes.
O eleitor que votar em Flávio Bolsonaro para presidente continuará escolhendo Gracinha para uma das vagas ao Senado?
E, principalmente, esse mesmo eleitor continuará votando em Daniel Vilela para governador, mesmo depois de Caiado transformar Flávio em adversário nacional?
Esse comportamento pode ser particularmente importante porque a eleição para governador possui apenas um voto. No Senado, o eleitor goiano poderá escolher dois nomes, permitindo combinações entre candidatos de diferentes grupos. Para governador, não existe essa possibilidade.
Por isso, o confronto de Caiado com Flávio adiciona uma variável nova à sucessão estadual.
A campanha governista precisa preservar uma distinção na cabeça do eleitor: Caiado disputa a Presidência; Daniel disputa o Governo; Gracinha disputa o Senado.
Se essa separação prevalecer, o conflito nacional pode ter impacto limitado nas disputas estaduais. Se uma parcela relevante do eleitorado bolsonarista decidir votar em bloco contra candidatos associados a Caiado, Daniel e Gracinha podem sentir o efeito.
A menos de uma semana das urnas, essa passa a ser uma das questões centrais da eleição goiana:
até onde Caiado pode atacar Flávio Bolsonaro sem produzir consequências eleitorais para Daniel Vilela e Gracinha Caiado em Goiás?
Um comentário:
Esse Caiado é vôo de galinha, não chega a lugar nenhum.... caiado não passa de um coronel que está se achando.. já está sem mandato e vai continuar assim.
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