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Mas o próprio Atlas alerta para um problema: existem mortes violentas de causa indeterminada que podem esconder homicídios. Quando o Ipea faz a correção estatística e calcula os “homicídios estimados”, o ranking muda:
Mas uma coisa é dizer que Goiás ficou mais seguro.
Outra, muito diferente, é descobrir quão seguro Goiás é quando comparado ao restante do Brasil.
E é justamente aí que os números começam a contar uma história mais complexa.
O 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em 2026 pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mostra que Goiás registrou 1.222 Mortes Violentas Intencionais (MVI) em 2025, contra 1.386 no ano anterior.
A taxa caiu de 18,9 para 16,5 mortes por 100 mil habitantes.
Uma redução de 12,7% em apenas um ano.
É um resultado relevante e precisa ser reconhecido.
O índice goiano também ficou abaixo da média brasileira, de 19,1 mortes violentas por 100 mil habitantes.
Só que existe outra maneira de olhar para esses mesmos números.
QUANDO GOIÁS É COMPARADO AOS MELHORES
Santa Catarina registrou apenas 7,6 mortes violentas por 100 mil habitantes.
São Paulo aparece praticamente empatado, com 7,8.
Depois aparecem Distrito Federal, com 9,6; Rio Grande do Sul, com 11,3; e Minas Gerais, com 12,9.
Goiás: 16,5.
Isso significa que, apesar da melhora, a taxa de mortes violentas de Goiás continua sendo mais que o dobro da registrada em Santa Catarina.
Essa comparação é importante porque impede duas distorções igualmente ruins.
A primeira seria ignorar a queda da criminalidade em Goiás simplesmente por disputa política.
Os números não permitem isso.
Houve redução.
A segunda seria transformar a melhora em uma espécie de certificado de excelência nacional.
Os números também não permitem isso.
O QUE É “MORTE VIOLENTA”?
O indicador utilizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública é mais abrangente que simplesmente contar homicídios.
As chamadas Mortes Violentas Intencionais incluem homicídios dolosos, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes decorrentes de intervenção policial.
É, portanto, um dos termômetros mais importantes para comparar a violência entre os estados.
E o termômetro mostra algo bastante claro:
Goiás melhorou muito, mas ainda tem caminho considerável até alcançar os estados brasileiros com menores índices de violência letal.
A PERGUNTA QUE FALTA RESPONDER
Existe ainda uma questão maior.
Segurança pública não é apenas homicídio.
Um cidadão pode viver em um estado com poucos assassinatos e, ao mesmo tempo, enfrentar altos índices de roubo, furto de veículos, estupro, violência doméstica ou estelionato.
Por isso, o Blog do Cleuber Carlos vai avançar nessa investigação.
Vamos cruzar os dados de homicídios, mortes violentas, roubos, furtos de veículos, estupros, feminicídios, violência doméstica e letalidade policial dos estados brasileiros.
O objetivo não será confirmar propaganda de governo nem discurso de oposição.
Será responder uma pergunta simples:
quando todos os principais indicadores são colocados sobre a mesa, qual é realmente a posição de Goiás no ranking da segurança pública brasileira?
A primeira fotografia já está disponível.
E ela mostra duas verdades ao mesmo tempo:
Goiás está mais seguro do que estava.


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