sábado, 14 de fevereiro de 2026

Bolsonaro bate o martelo Wilder é o candidato a governador do PL em Goiás

Aval dado na Papuda reorganiza o tabuleiro, expõe divisão interna e coloca fim — ao menos por ora — à tese de aliança com o grupo governista

A política goiana acordou com um recado claro vindo de Brasília.

Em visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro, o senador Wilder Morais recebeu aval para seguir como pré-candidato ao Governo de Goiás pelo PL. A informação, divulgada por O Popular, não é apenas um gesto protocolar. É movimento estratégico. E dos que produzem efeitos.

Nos bastidores, aliados relatam que Bolsonaro destacou o perfil conservador do eleitorado goiano e a necessidade de palanques fortes nos estados com vistas à disputa presidencial — cenário que envolve o senador Flávio Bolsonaro.

Traduzindo: Goiás não é detalhe regional. É peça nacional.

O RECADO INTERNO

O aval não atinge apenas adversários externos. Ele atinge, sobretudo, o próprio PL.

Havia, dentro da legenda em Goiás, movimentação para aproximação com o grupo do governador Ronaldo Caiado. A tese defendia composição com o vice-governador Daniel Vilela (MDB), incluindo articulações para a segunda vaga ao Senado

Entre os nomes citados como defensores dessa linha estavam os deputados federais Magda Mofatto e Gustavo Gayer.

O gesto de Bolsonaro, segundo a análise de aliados, encerra essa discussão.

Se o ex-presidente diz que o candidato é Wilder, qualquer outro caminho passa a ser dissidência — ainda que elegante.

O QUE ESTÁ EM JOGO

Não se trata apenas de candidatura.

Trata-se de identidade partidária.

O PL em Goiás estava diante de duas escolhas:

  1. Ter candidatura própria, com discurso ideológico alinhado ao bolsonarismo raiz.
  2. Compor com o grupo governista, ampliando espaço institucional e poder de negociação.

O aval inclina o partido para o primeiro caminho.

Isso preserva coerência ideológica? Sim.

Mas também aumenta o risco de isolamento político municipal, caso parte da base prefira pragmatismo a fidelidade.


A POLÍTICA NÃO É INOCENTE


Aval político nunca é gesto isolado. É cálculo.

Ao consolidar Wilder como nome, Bolsonaro:

  • Mantém o controle da narrativa no estado.
  • Impede que o PL goiano se dilua em alianças amplas.
  • Sinaliza que Goiás será trincheira eleitoral nacional.

Resta saber se todos dentro do partido aceitarão essa definição sem resistência.

Porque em política, silêncio não significa concordância. Muitas vezes significa espera.

A PERGUNTA QUE FICA

O PL de Goiás seguirá unido em torno de Wilder?

Ou veremos uma reconfiguração silenciosa, com movimentos paralelos nos bastidores?

O que está claro é que a disputa deixou de ser apenas externa.

Agora é também interna.

E, em política, racha interno costuma doer mais que oposição declarada.

Esta análise baseia-se em informações publicadas pela imprensa e em movimentações políticas públicas e notórias. Não há imputação de ilícito a qualquer agente político citado, mas interpretação crítica de fatos políticos divulgados.


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