As notas têm as datas de 16 de dezembro de 2013, 31 de janeiro de 2014, 5 de março de 2014 e 31 de março de 2014. São numeradas - 0094, 108, 119 e 0129, respectivamente. Três estão carimbadas.
"Recebemos de Construtora Norberto Odebrecht S.A a importância de um milhão de reais", diz o recibo. "Correspondentes a doação depositada na conta corrente do Banco do Brasil."
Em depoimento à PF, Marcelo Odebrecht afirmou que 'as cópias desses recibos foram extraídas do computador de Fernando Migliaccio'.
Além das notas fiscais, o empreiteiro apresentou à Lava Jato uma troca de e-mails entre ele e executivos do grupo sobre a doação de R$ 4 milhões. Segundo Marcelo, os e-mails foram entregues em agosto deste ano, pois não haviam sido localizados na época em que fechou seu acordo e apresentou os anexos. As mensagens foram anexadas aos processos da Lava Jato na quinta-feira, 21.
A primeira mensagem foi enviada por Marcelo Odebrecht em 26 de novembro de 2013, às 12h32, para os executivos Alexandrino Alencar e Hilberto Silva - chefe do Setor de Operações Estruturadas, o departamento de propinas da empreiteira. Todos são delatores da Lava Jato.
Em depoimento à PF, o empreiteiro explicou as siglas inseridas no e-mail. "Japonês corresponde a Paulo Okamotto; que a palavra "Inst." corresponde ao Instituto Lula; que "4M" corresponde ao valor de R$ 4 milhões; que "HS" são as iniciais de Hilberto Silva; que "MP" deve corresponder ao responsável pela comunicação na construtora, já que tudo seria formal e teriam que ter um discurso para eventual esclarecimento público", declarou.
COM A PALAVRA, O ADVOGADO FERNANDO FERNANDES, QUE DEFENDE OKAMOTTO
"Sobre pedido de esclarecimento quanto a supostos emails que Marcelo Odebretht teria entregue a Polícia Federal vinculado doação de 4 milhões ao Instituto Lula em nome de "Italiano" em sua planilha, o Advogado de Paulo Okamotto Fernando Augusto Fernandes informa que a defesa não teve acesso. No entanto não há qualquer relação de doações ao Instituto com qualquer propina. As "delações" vão sendo moldadas as necessidades acusatórias e as formas com que vão construindo as mentiras processuais. Fosse diferente o fato já constaria de delações passadas. Paulo Okamotto já foi absolvido na única ação que respondeu".
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