segunda-feira, 21 de setembro de 2026

TAQUARAL: REFORMA CHEGOU À ENTRADA, MAS ENFERMARIA EXIBE PAREDES E TETO DETERIORADOS

SAÚDE | Imagens recebidas pelo Blog do Cleuber Carlos mostram o contraste entre as melhorias anunciadas no Hospital Municipal Doralice Galdino Rocha e as condições encontradas na área destinada à internação de pacientes.

A reforma chegou onde quem entra no hospital vê. Mas, segundo denúncia encaminhada ao Blog do Cleuber Carlos, ainda não chegou da mesma forma ao lugar onde pacientes permanecem internados.

Imagens registradas neste domingo (21) e enviadas ao Blog mostram uma enfermaria atribuída ao Hospital Municipal Doralice Galdino Rocha, em Taquaral de Goiás, com paredes apresentando extensas áreas de pintura e revestimento deteriorados. Em outro ponto, parte do teto aparece com perda aparente de revestimento.

O contraste chama atenção justamente porque o hospital passou a receber intervenções divulgadas como reforma.

A primeira etapa anunciada pela administração municipal contemplava áreas como entrada, corredor e sala de raio-X. Ou seja: espaços de circulação e atendimento receberam intervenções enquanto, pelas imagens e pelo relato recebido agora pelo Blog, a área de internação ainda apresenta sinais evidentes de deterioração.

É aí que surge a pergunta inevitável: qual deveria ter sido a prioridade de uma reforma hospitalar?

Melhorar entrada, corredores e áreas de atendimento é necessário. Mas as imagens da enfermaria colocam em discussão a ordem das prioridades adotadas: enquanto ambientes de maior circulação receberam melhorias, pacientes internados continuam, segundo a denúncia, em uma estrutura com paredes e teto deteriorados.

Não se trata de afirmar que os serviços executados anteriormente incluíam a reforma dessa enfermaria. Até o momento, os documentos localizados não permitem fazer essa afirmação.

O que existe é um contraste objetivo entre o que já recebeu intervenção e o estado atual apresentado pela área de internação.

E existe mais dinheiro previsto.

Em dezembro de 2025, a Comissão Intergestores Bipartite de Goiás pactuou um projeto de R$ 683.550 para reforma do Hospital Municipal Doralice Galdino Rocha

O hospital continua oficialmente cadastrado no CNES como hospital geral municipal e teve seus dados atualizados em setembro de 2026. 

Portanto, a questão agora vai além de saber se houve reforma.

Por que uma unidade hospitalar recebeu inicialmente melhorias em áreas de entrada e circulação enquanto a enfermaria chegou a setembro de 2026 nas condições mostradas pelas imagens?

A aparência da porta de entrada importa. Mas, dentro de um hospital, o espaço onde permanece o paciente internado não pode ser tratado como cenário secundário.

O Blog do Cleuber Carlos vai buscar junto à Prefeitura de Taquaral o detalhamento das intervenções já realizadas e do projeto de R$ 683,5 mil, especialmente para saber quando a enfermaria será reformada, quais serviços estão previstos e qual o cronograma de execução.

A pergunta que fica é simples: num hospital, o que deveria vir primeiro — aquilo que o visitante vê ou o ambiente onde o paciente permanece internado?


TCE MULTA LÉO PORTILHO POR LEILÃO IRREGULAR DE VEÍCULOS APREENDIDOS PELO DETRAN-GO

INVESTIGAÇÃO | Ex-presidente da comissão responsável pelos leilões foi responsabilizado por edital com graves irregularidades para venda de carros, caminhões e sucatas recolhidos aos pátios do órgão. Portilho recorreu, mas o Tribunal de Contas manteve a punição.

O Tribunal de Contas do Estado de Goiás multou Leonnardo Portilho Soares Silva, conhecido como Léo Portilho, pela condução de um leilão destinado à venda de veículos leves e pesados apreendidos e depositados nos pátios do Detran-GO.

A penalidade foi aplicada no Processo nº 202000047001141, por meio do Acórdão nº 5.532/2021. O plenário do TCE-GO concluiu que o Edital de Leilão nº 01/2020 avançou com irregularidades graves, capazes de comprometer a legalidade, a segurança e a transparência da alienação dos veículos.

Portilho recorreu, mas perdeu novamente.


Em fevereiro de 2024, o Tribunal negou o pedido de reexame e manteve integralmente a multa de R$ 8.804,42.


CARROS, CAMINHÕES E SUCATAS DOS PÁTIOS DO DETRAN


O leilão tinha como objetivo retirar dos pátios do Detran-GO veículos apreendidos ou removidos havia mais de 60 dias.


O patrimônio levado ao procedimento incluía automóveis leves, veículos pesados, unidades consideradas recuperáveis e sucatas destinadas ao desmonte, reciclagem, siderurgia ou fundição.


Não se tratava, portanto, de um processo administrativo secundário.


O edital tratava da transferência de milhares de bens que estavam sob a guarda do Estado e envolvia arrecadação de recursos, direito dos proprietários, segurança dos compradores, controle ambiental e destinação de peças e materiais potencialmente contaminantes.


Mesmo com toda essa responsabilidade, o TCE-GO constatou que o edital foi conduzido sem a necessária análise jurídica prévia.


EDITAL NÃO PASSOU PELA ASSESSORIA JURÍDICA


Uma das irregularidades centrais foi a ausência de parecer da Procuradoria Setorial do Detran-GO sobre o edital e seus anexos.


A defesa tentou classificar a falha como meramente formal. O Tribunal rejeitou essa versão.


Para a área técnica do TCE, encaminhar a documentação à assessoria jurídica era uma providência básica e obrigatória. A omissão permitiu que o Leilão nº 01/2020 avançasse com diferentes ilegalidades, até acabar anulado.


O processo também aponta falhas na publicidade do edital, ausência de regras adequadas sobre a destinação das sucatas e falta de restrição suficiente para que determinados materiais fossem adquiridos exclusivamente por empresas devidamente credenciadas para reciclagem, siderurgia ou fundição.


Também foram identificados riscos ambientais relacionados à desmontagem, descontaminação e destinação final dos veículos.


PORTILHO ERA O PRESIDENTE DA COMISSÃO


Os documentos oficiais identificam Léo Portilho como presidente da Comissão Especial de Leilão de Veículos Automotores — CELVA, designado pela Portaria nº 198/2020.


Era a comissão responsável pela condução do leilão.


Portilho também assinou o Termo de Referência utilizado como base para o procedimento. Por esse motivo, o TCE afastou a tentativa de transferir toda a responsabilidade para outros servidores ou departamentos internos do Detran-GO.


A conclusão do Tribunal foi de que o presidente e a comissão tinham responsabilidade direta sobre a preparação e a condução do certame.


DEFESA NEGOU DOLO E ERRO GROSSEIRO


No recurso, Portilho alegou que não teria agido com dolo ou erro grosseiro. Disse que não recebeu todas as informações necessárias e sustentou que a falta do parecer jurídico não seria suficiente para justificar a penalidade.


Também argumentou que a multa seria desproporcional.


As alegações foram rejeitadas.


A análise técnica classificou a omissão como erro grosseiro, especialmente porque o procedimento envolvia a venda de veículos apreendidos sob responsabilidade do Estado e porque o leilão acabou anulado em razão das ilegalidades encontradas.


O Ministério Público de Contas também se manifestou pela manutenção da punição, reconhecendo a existência de nexo entre a atuação do responsável e as irregularidades do edital.


Por meio do Acórdão nº 560/2024, o plenário conheceu o recurso, mas negou o pedido e manteve a decisão anterior.


MULTA AINDA APARECIA SEM BAIXA


A última movimentação encontrada na consulta pública do processo, datada de 22 de janeiro de 2025, apresentava a seguinte situação:


“AGUARDANDO RECEB. MULTA/DÉBITO”.


Isso significa que, naquela data, o sistema público do Tribunal ainda não registrava a baixa da obrigação.


Não foi localizada movimentação posterior confirmando pagamento, desconto, parcelamento, cobrança judicial ou emissão de certidão de quitação.


Esse dado não permite afirmar definitivamente que a multa permanece sem pagamento atualmente. Permite afirmar, entretanto, que a última informação disponibilizada ao público ainda apontava que o TCE aguardava o recebimento.


OUTROS LEILÕES TAMBÉM FORAM QUESTIONADOS


Léo Portilho também aparece no Processo nº 202000047002203, relacionado aos leilões nº 02 e 03/2020 do Detran-GO.


Esses procedimentos chegaram a ser suspensos cautelarmente pelo Tribunal de Contas. Posteriormente, parte da medida foi revogada, mas a representação foi julgada parcialmente procedente, novamente por causa da ausência de análise jurídica do edital.


Nesse segundo processo, não foi identificada uma nova multa pessoal contra Portilho.


O QUE AINDA PRECISA SER EXPLICADO


Os documentos demonstram que o Detran-GO tentou realizar um leilão de veículos apreendidos com um edital que não havia passado pelo controle jurídico necessário e que continha irregularidades consideradas graves pelo Tribunal de Contas.


Também demonstram que Léo Portilho presidia a comissão responsável, assinou documento central do procedimento, foi multado, recorreu e teve o recurso negado.


Agora, resta ao TCE-GO esclarecer se a multa foi efetivamente paga após a última movimentação pública e quais medidas foram adotadas para cobrar o débito.


A decisão representa uma responsabilização administrativa perante o Tribunal de Contas. Os documentos analisados não apontam condenação criminal ou por improbidade administrativa.


O Blog do Cleuber Carlos mantém espaço aberto para manifestação de Léo Portilho, do Detran-GO e do Tribunal de Contas do Estado de Goiás.

​PODEMOS DEVE FAZER TRÊS DEPUTADOS. VEJA QUAIS SÃO OS QUE ESTÃO NA BRIGA

ELEIÇÕES 2026 | A disputa dentro do Podemos pela Assembleia Legislativa promete ser uma das mais apertadas desta eleição. Henrique César tenta renovar o mandato, enquanto Felipe Mabel, Willian Panda, Isaac Martins, Léo Portilho, Vanilson Bueno e outros nomes disputam espaço numa chapa em que três cadeiras são mencionadas em levantamentos publicados. Pesquisa recente coloca Mabel, Henrique e Rafael Marra empatados numericamente, mas a situação jurídica de Marra adiciona uma variável importante à corrida.

A eleição para deputado estadual não é uma corrida em que basta olhar quem aparece na frente individualmente.

Primeiro, o partido precisa produzir votos suficientes para conquistar cadeiras. Depois começa outra batalha: saber quem ficará com essas vagas dentro da própria chapa.

E é exatamente aí que está uma das disputas mais interessantes do Podemos em Goiás.

O partido chegou ao registro eleitoral com 39 candidaturas estaduais na base consultada, embora a convenção inicialmente tenha homologado 37 nomes. O único deputado estadual da legenda buscando permanecer no cargo é Henrique César. A nominata reúne ainda políticos com votação anterior relevante, vereadores, ex-secretários e lideranças principalmente de Goiânia, Aparecida e do interior. 

A referência de três cadeiras aparece em publicações recentes sobre a disputa do partido, mas deve ser entendida como cenário divulgado, e não como resultado assegurado: a quantidade final dependerá da votação total da legenda e das regras do sistema proporcional. 

E, se forem mesmo três vagas, a pergunta passa a ser:

quem consegue chegar nelas?

HENRIQUE CÉSAR TEM O PESO DO MANDATO

Henrique César entra na eleição com uma vantagem objetiva sobre os adversários internos: já demonstrou capacidade de produzir votação estadual suficiente para chegar à Assembleia.

É o único deputado estadual do Podemos tentando a reeleição e, portanto, dispõe da visibilidade proporcionada pelo exercício do mandato. A própria imprensa política vem tratando Henrique como uma referência importante dentro da nominata. 

Mas a disputa interna deixou de ser confortável.

Reportagens recentes, citando informações atribuídas ao núcleo político do parlamentar e pesquisas internas, afirmam que o crescimento de Felipe Mabel levou a campanha de Henrique a intensificar agendas e articulações. Essas pesquisas internas não são verificáveis da mesma forma que pesquisas públicas registradas e, por isso, devem ser tratadas como informação de bastidor atribuída às fontes que as divulgaram. 

Há, portanto, uma disputa paralela: não apenas entrar na faixa dos eleitos, mas também terminar como uma das maiores votações do partido.

FELIPE MABEL ENTROU FORTE NA DISPUTA

Felipe Mabel apresenta indicadores recentes que ajudam a explicar por que passou a ocupar espaço no debate interno.

Na pesquisa IGAPE/TV Atual realizada entre 9 e 14 de setembro, com 2 mil eleitores de 86 municípios, Mabel, Henrique César e Rafael Marra apareceram numericamente empatados, todos com 0,6%.

A margem de erro geral informada é de 2,2 pontos percentuais e o nível de confiança de 95%. Portanto, diferenças individuais dessa dimensão não permitem estabelecer estatisticamente uma ordem segura entre candidatos. O levantamento está registrado sob o número GO-01814/2026. 

Mabel também declarou já ter percorrido 150 municípios.

E existe dinheiro de campanha.

Dados de prestação de contas compilados pelo 72Horas apontavam R$ 610 mil recebidos, incluindo R$ 400 mil do Fundo Especial de Financiamento de Campanha. O valor representava quase metade do teto de gastos indicado pela fonte para uma candidatura estadual. 

É uma combinação relevante: presença em pesquisa, recursos e campanha territorial.

WILLIAN PANDA TEM UMA BASE QUE PODE SER MEDIDA

Se Mabel apresenta crescimento recente, Willian Panda carrega uma característica diferente: votos anteriores concretos e uma base eleitoral concentrada em Aparecida de Goiânia.

Panda recebeu 15.612 votos para deputado estadual em 2022, ficando na suplência. Dois anos depois, disputou a Prefeitura de Aparecida e recebeu 20.443 votos

Isso não significa que os 20 mil votos municipais sejam automaticamente transferíveis para uma eleição estadual. São eleições diferentes, com universos de candidatos e comportamentos eleitorais diferentes.

Mas existe um dado atual interessante.

Na pesquisa IGAPE realizada especificamente em Aparecida entre 30 de agosto e 2 de setembro, Panda apareceu com 4,9%, numericamente atrás de Felipe Cortez, com 5,1%, e à frente de Felipe Mabel, com 4,1%. Como a margem de erro era de 3,5 pontos, os números precisam ser interpretados dentro dessa incerteza estatística. 

Panda também já recebeu recursos significativos nesta campanha. A prestação consultada registra R$ 217,5 mil arrecadados e R$ 210,7 mil em despesas contratadas

Seu desafio é transformar a força que possui em Aparecida numa votação estadual suficientemente ampla.

ISAAC MARTINS CORRE PELO MESMO TERRITÓRIO

Isaac Martins acrescenta outro componente interessante à briga porque também possui estrutura eleitoral em Aparecida.

E isso cria um fenômeno que pode ser decisivo para o Podemos: vários candidatos competitivos da mesma chapa disputando fatias do mesmo eleitorado.

Na pesquisa municipal do IGAPE, Isaac apareceu com 2,9% em Aparecida.

No mesmo levantamento, Panda marcou 4,9%, Mabel 4,1% e Vanilson Bueno 1,8%. 

Ou seja, quatro nomes do Podemos estão simultaneamente tentando extrair votos de uma das maiores cidades do Estado.

Essa concentração transforma Aparecida numa espécie de eleição dentro da eleição para a chapa.

LÉO PORTILHO TEM HISTÓRICO DE SUPLÊNCIA

Léo Portilho também não pode ser ignorado na disputa interna.

Na eleição de 2022, terminou como primeiro suplente da legenda pela qual concorreu, e em 2025 chegou a exercer temporariamente mandato na Assembleia durante licença de Henrique César. Em 2026, o Podemos voltou a incluí-lo entre os nomes da nominata estadual. 

A questão central para sua campanha é verificar quanto daquela votação anterior permanece organizada quatro anos depois e qual será sua capacidade de competir com candidaturas que hoje dispõem de mandato, bases municipais ou investimento partidário expressivo.

VANILSON BUENO TAMBÉM DISPUTA O VOTO DE APARECIDA

Vanilson Bueno completa outro núcleo relevante da chapa.

Ele aparece entre os nomes destacados na composição política do partido e registrou 1,8% na pesquisa IGAPE realizada em Aparecida. 

Isoladamente, o percentual não determina seu desempenho estadual.

Mas reforça a característica incomum dessa chapa: boa parte da disputa interna passa por Aparecida de Goiânia.

Panda, Mabel, Isaac e Vanilson precisam crescer eleitoralmente ao mesmo tempo em que competem, em maior ou menor medida, por eleitores geograficamente próximos.

E RAFAEL MARRA?

Aqui está uma variável que pode mexer diretamente com a composição da disputa.

Rafael Marra registrou 0,6% na pesquisa estadual IGAPE/TV Atual — exatamente o mesmo percentual de Felipe Mabel e Henrique César. 

Mas sua situação jurídica é diferente.

Na base eleitoral atualizada em 19 de setembro consultada para esta reportagem, sua candidatura aparecia “sob recurso”

Portanto, qualquer análise eleitoral envolvendo Marra precisa separar duas perguntas: seu desempenho político e a situação jurídica definitiva de sua candidatura.

Enquanto essa questão não estiver encerrada, existe uma variável adicional sobre a chapa.

HÁ OUTROS NOMES COM DINHEIRO DE CAMPANHA

Outro erro seria reduzir toda a nominata aos candidatos mais conhecidos.

A prestação parcial de contas mostra investimentos relevantes em candidaturas que aparecem menos no debate público.

No levantamento financeiro consultado, Débora Domingues aparecia com R$ 280 mil recebidos, enquanto Willian Panda, Professor Marcos Júnior e Elisa da Saúde apareciam com R$ 200 mil cada. Os valores são retratos da prestação disponível no momento da consulta e podem mudar conforme novas receitas e despesas sejam declaradas. 

Dinheiro, evidentemente, não é voto.

Mas recursos permitem ampliar material, equipes, deslocamentos, publicidade e presença digital. Por isso, essas candidaturas também precisam ser observadas até o fechamento das urnas.

A CONTA MAIS IMPORTANTE É A DO PARTIDO

Existe uma diferença fundamental entre eleição majoritária e proporcional.

Na disputa pela Assembleia, não basta um candidato ter uma boa votação individual.

A quantidade de cadeiras conquistadas depende da votação partidária e das regras de distribuição previstas pela legislação eleitoral.

Por isso, dizer antecipadamente que o Podemos terá exatamente três deputados seria tratar um cenário eleitoral como resultado consumado.

Três cadeiras são hoje uma referência publicada para a legenda, não uma garantia matemática. 

Se o partido alcançar esse número, porém, a disputa interna ficará extremamente apertada.

UMA CHAPA COM VÁRIAS GUERRAS AO MESMO TEMPO

Os dados disponíveis mostram pelo menos três movimentos simultâneos.

Henrique César tenta defender o espaço construído pelo mandato. Felipe Mabel apresenta crescimento nas medições recentes e estrutura financeira significativa. Willian Panda tenta transformar sua votação anterior e sua presença em Aparecida numa votação estadual maior.

Ao redor deles estão Isaac Martins, Léo Portilho, Vanilson Bueno e outras candidaturas tentando entrar nessa disputa, enquanto Rafael Marra combina presença nas pesquisas com uma situação jurídica que ainda precisa ser acompanhada.

A pesquisa estadual mais recente citada nesta reportagem ainda mostrou mais de 23% de entrevistados sem candidato declarado ou que não responderam

Isso ajuda a explicar por que a fotografia de setembro ainda pode mudar bastante até as urnas.

Se o Podemos conquistar três cadeiras, haverá 39 candidatos disputando posições numa chapa em que alguns nomes chegam com mandato, outros com votos anteriores, outros com dinheiro, estrutura territorial ou crescimento recente.

E talvez esteja justamente aí a parte mais interessante dessa eleição:

o Podemos não disputa apenas contra os outros partidos. Seus candidatos também travam uma intensa disputa entre si pelos lugares que a votação coletiva da legenda conseguir abrir na Assembleia Legislativa.


TAQUARAL ENTRA NA ROTA DA FABERMED: EMPRESA DE SÓCIA INVESTIGADA PELA PF TEM CONTRATO DE R$ 3,1 MILHÕES NA SAÚDE MUNICIPAL

SAÚDE PÚBLICA | Documentos obtidos pelo Blog do Cleuber Carlos mostram que a mesma Fabermed citada pelo Metrópoles em contratos de R$ 8,9 milhões mensais com hospitais estaduais também foi credenciada pelo Fundo Municipal de Saúde de Taquaral de Goiás. Revelação nacional lança nova luz sobre uma estrutura empresarial que o Blog já vinha investigando.

A investigação que o Blog do Cleuber Carlos vem realizando sobre a saúde de Taquaral de Goiás acaba de ganhar um novo e importante capítulo.

Documentos oficiais mostram que o Fundo Municipal de Saúde de Taquaral assinou, em 24 de agosto de 2026, o Contrato nº 106/2026 com a Fabermed Soluções em Saúde Ltda., CNPJ 41.063.390/0001-26.

O contrato decorre do Credenciamento nº 03/2026 e prevê prestação de serviços médicos, exames, diagnósticos e procedimentos cirúrgicos. 

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O valor global estimado chama atenção:

R$ 3.119.900 para até 990 procedimentos.

A lista inclui PET Scan, ressonâncias, colonoscopias, histerectomias, laqueaduras, vasectomias, cirurgias de catarata, colecistectomias, herniorrafias e partos cesáreos. O contrato estabelece pagamento conforme os procedimentos efetivamente realizados e atestados, portanto os R$ 3,119 milhões representam teto estimado, e não necessariamente valor já pago. 

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O QUE O METRÓPOLES REVELOU AGORA

Neste domingo (21), uma reportagem do Metrópoles colocou a mesma Fabermed no centro de uma investigação nacional.

Segundo o veículo, a empresa conseguiu contratos para fornecer médicos aos hospitais estaduais de Formosa, Uruaçu e Trindade, administrados pelo Imed.

Valor: R$ 8,9 milhões por mês.

A reportagem informa ainda que uma das sócias da Fabermed, a médica Gleycianne França, responde a inquérito que tramita na Polícia Federal e no TRF-1 sobre suspeita de simulação de concorrência em contratações anteriores.

Segundo decisão judicial reproduzida pelo Metrópoles, investigadores apontaram que Gleycianne teria promovido declarações falsas em 11 processos para simular concorrência em benefício de outra empresa.

Gleycianne nega categoricamente qualquer participação em simulação ou combinação de preços, e sua defesa ressalta que ela não foi denunciada pelo Ministério Público. 

E AGORA O CAMINHO CHEGA A TAQUARAL

É aqui que as duas investigações se encontram.

A Fabermed que aparece na reportagem nacional é a mesma pessoa jurídica contratada diretamente pelo Fundo Municipal de Saúde de Taquaral.

E o contrato municipal foi assinado há menos de um mês: 24 de agosto de 2026

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Mais: o documento estabelece que os recursos para custear os serviços podem ter origem nos Tesouros Federal, Estadual e Municipal e prevê vigência de até 12 meses, com possibilidade de prorrogação. 

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O Blog já vinha investigando justamente a estrutura empresarial relacionada à Fabermed e à Unisen. A nova revelação do Metrópoles, portanto, não surge isoladamente: ela acrescenta uma informação relevante ao conjunto de relações societárias e contratos públicos que já estavam sob levantamento deste Blog.

CONTRATO TEM CLÁUSULA QUE AGORA GANHA IMPORTÂNCIA

Há um detalhe no próprio contrato de Taquaral que merece atenção.

A cláusula décima determina que a contratada deve apresentar, “a qualquer tempo”, documentos considerados necessários pelo Município referentes à sua vida profissional, civil e criminal. 

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A revelação da existência de investigação envolvendo uma sócia não significa, por si só, impedimento da empresa nem prova irregularidade no contrato de Taquaral.

Mas produz uma pergunta objetiva:

a Prefeitura de Taquaral fará alguma diligência sobre a empresa que poderá receber até R$ 3,1 milhões da saúde municipal?

NÃO É O MESMO MODELO DE CONTRATAÇÃO

Existe uma diferença que precisa ser registrada.

O Metrópoles revelou que, em uma seleção do Imed, a proposta da Fabermed ficou apenas R$ 770 abaixo da segunda colocada, enquanto outras quatro concorrentes foram desclassificadas. 

Em Taquaral, porém, o procedimento documentado é outro.

O contrato foi realizado mediante credenciamento, com reconhecimento de inexigibilidade de licitação, e os preços estavam previamente estabelecidos na Tabela de Credenciamento 2026 aprovada pelo Conselho Municipal de Saúde. 

Não há, portanto, base documental nesses arquivos para afirmar que houve em Taquaral uma disputa de preços semelhante à relatada pelo Metrópoles.

AS PERGUNTAS AGORA SÃO OUTRAS

Quem verificou os antecedentes societários da Fabermed antes do credenciamento? O Município tinha conhecimento da investigação envolvendo integrante de seu quadro societário? Quais diligências de integridade foram realizadas? Quanto já foi efetivamente executado e pago dos R$ 3,119 milhões? Quantos dos 990 procedimentos previstos já foram realizados? E quais empresas ou profissionais efetivamente estão executando esses serviços?

Há ainda uma questão que o Blog pretende aprofundar: como a Fabermed se encaixa na estrutura empresarial envolvendo a Unisen que já vinha sendo investigada e qual é a extensão dessa rede de contratos na saúde pública de Goiás.

Nenhum dos documentos analisados permite concluir, neste momento, que o contrato de Taquaral seja fraudulento.

Mas uma coisa mudou.

A empresa que já estava no radar do Blog em Taquaral agora aparece no centro de uma investigação nacional sobre contratos milionários na saúde de Goiás.

São R$ 8,9 milhões por mês nos hospitais estaduais apontados pelo Metrópoles.

Em Taquaral, mais R$ 3,119 milhões em valor estimado.

A partir de agora, a pergunta deixa de ser apenas quanto custa.

Passa a ser também:

quem fiscalizou, quem verificou e quem responde pela escolha?