domingo, 23 de agosto de 2026

REDE UNISEN: SECRETÁRIO DA ALEGO ENTRA EM GRUPO COM CONTRATOS MILIONÁRIOS NA SAÚDE

INVESTIGAÇÃO | Documentos revelam que FMC e Unisen mantêm ligação societária desde 2021 e que empresas conectadas à estrutura aparecem em contratos de serviços médicos com hospitais públicos de Goiás. Lucas Nogueira Taveira Adorno, secretário de Serviços Médicos da Alego, entrou recentemente no quadro societário da FMC, hoje Fabermed. Documentos também colocam Renato Pereira Campelo no centro de diferentes empresas da rede.

O que inicialmente parecia ser a história de uma única empresa começa a revelar uma estrutura empresarial muito maior.

Documentos públicos levantados pelo Blog do Cleuber Carlos mostram que FMC, Unisen e RPC e Associados possuem conexões societárias, administrativas e operacionais, enquanto aparecem em contratos milionários para prestação de serviços médicos em unidades públicas de saúde de Goiás.

No centro da apuração está Lucas Nogueira Taveira Adorno, secretário de Serviços Médicos da Assembleia Legislativa de Goiás.

Lucas ingressou em 5 de agosto de 2026 no quadro societário da empresa registrada no CNPJ 41.063.390/0001-26, anteriormente denominada FMC Procedimentos Médicos Ltda. e atualmente Fabermed Soluções em Saúde Ltda.

O detalhe é importante.

Poucas semanas antes de sua entrada, a FMC havia firmado contratos para prestação de serviços médicos no Hospital Estadual de Formosa (HEF) e no Hospital Estadual de Trindade (Hetrin), ambos administrados pela OS IMED.

No HEF, a proposta comercial prevê serviços que podem alcançar aproximadamente R$ 2,1 milhões mensais.

No Hetrin, outros R$ 660,5 mil mensais.

Somados, são aproximadamente R$ 2,76 milhões por mês, ou cerca de R$ 33,2 milhões em uma projeção de 12 meses.

Mas a investigação encontrou algo que amplia consideravelmente a história.

A ligação vem de 2021

FMC e Unisen não se aproximaram agora.

Registros empresariais consultados apontam que a FMC Procedimentos Médicos figura como sócia ostensiva da Unisen Saúde Integrada S/S-SCP, constituída em março de 2021.

Ou seja: a conexão empresarial existe há aproximadamente cinco anos.

E outro nome aparece repetidamente nessa estrutura:

Renato Pereira Campelo.

Ele consta como administrador da Unisen Saúde Integrada e também está ligado à Unisen Holding de Participações Ltda.

A própria Unisen Holding posteriormente ingressou no quadro societário da FMC/Fabermed.

A conexão não termina aí.

Renato também aparece como sócio-administrador da RPC e Associados Serviços de Saúde Ltda., outra empresa encontrada em contratos de prestação de serviços médicos em Goiás.

MESMO E-MAIL, MESMA ESTRUTURA

Um detalhe documental chama atenção.

Contratos e propostas da RPC utilizam o endereço:

contato@unisen.com.br

Documentos da própria FMC também apresentam contatos ligados ao domínio da Unisen.

Não se trata, portanto, apenas de empresas atuando no mesmo segmento.

Os documentos encontrados indicam compartilhamento de identidade operacional e comercial, além das conexões societárias já identificadas.

A Unisen apresenta como atividade justamente a formação e gestão de equipes médicas, administração de escalas e prestação de serviços para instituições públicas e privadas.

CONTRATOS SE ESPALHAM PELA SAÚDE

A RPC aparece, por exemplo, em contrato para prestação de serviços médicos pediátricos no Hospital Estadual da Criança e do Adolescente (HECAD).

Valor estimado encontrado nos documentos:

R$ 11,98 milhões.

No Hospital Estadual da Mulher (HEMU), outra proposta da RPC prevê aproximadamente:

R$ 991,9 mil mensais.

Isso representa quase R$ 11,9 milhões em 12 meses, caso executada integralmente nos valores projetados.

A empresa também aparece em registros de serviços médicos no Hospital de Urgências de Goiás (HUGO).

E não é apenas no governo estadual.

A RPC também foi contratada pela Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia e teve o Contrato nº 113/2024 rescindido unilateralmente em 2025.

O motivo e todo o processo administrativo que levou à rescisão ainda estão sendo apurados.

UNISEN JÁ ATUAVA NA REDE MUNICIPAL

A presença da Unisen na saúde pública de Goiânia também aparece em documentos judiciais.

Relatório de fiscalização reproduzido em decisão judicial registrou que o descredenciamento da empresa pela Prefeitura provocou impacto na disponibilidade de médicos pediatras no CAIS Campinas.

Em 2026, outra mudança contratual envolvendo a saída da Unisen e a entrada de uma nova prestadora voltou a provocar discussão envolvendo equipes médicas da rede municipal.

O conjunto mostra que a atuação da estrutura empresarial vai muito além dos dois contratos inicialmente identificados da FMC.

E O SECRETÁRIO DA ALEGO?

É justamente neste cenário que surge a questão mais delicada.

Lucas ocupa um dos principais cargos relacionados à área médica dentro da Assembleia Legislativa e, ao mesmo tempo, tornou-se sócio de uma empresa inserida numa estrutura empresarial que atua justamente na prestação de serviços médicos.

Até aqui, não há documento que permita afirmar que Lucas seja administrador da Fabermed/FMC, nem que tenha participado da negociação dos contratos assinados antes de sua entrada formal na sociedade.

Também não está demonstrado, até este momento, que os contratos encontrados tenham participação direta da Alego.

Mas as conexões levantam perguntas inevitáveis.

Qual é exatamente a participação de Lucas nessa estrutura?

Ele exerce alguma atividade administrativa ou comercial nas empresas?

Existe relação entre empresas ligadas à Unisen e serviços contratados pela Assembleia?

Qual é a participação dessa estrutura nas chamadas “carretas da saúde” e nas ações médicas promovidas pelo Legislativo?

E, principalmente:

quanto dinheiro público já passou por todas as empresas que integram essa rede?

OS R$ 500 MILHÕES AINDA NÃO FECHAM

Publicações recentes afirmaram que contratos relacionados à FMC poderiam alcançar quase R$ 500 milhões em 60 meses.

O Blog do Cleuber Carlos ainda não encontrou documentação suficiente para confirmar esse número.

Os dois contratos da FMC localizados até agora representam aproximadamente R$ 33,2 milhões numa projeção anual.

Entretanto, a descoberta das conexões com Unisen, RPC e outras estruturas empresariais abre uma nova hipótese:

o valor atribuído ao negócio pode estar considerando contratos espalhados por diferentes CNPJs ligados ao mesmo núcleo empresarial.

É justamente isso que a investigação precisa esclarecer.

Porque o que parecia ser apenas uma empresa contratada por hospitais públicos agora revela uma teia de sociedades, administradores, endereços eletrônicos e contratos que se cruzam.

E no meio dessa estrutura aparece, agora como sócio de uma das empresas, o secretário responsável pelos Serviços Médicos da Assembleia Legislativa de Goiás.

A investigação continua.

O Blog do Cleuber Carlos deixa espaço aberto para manifestações de Lucas Nogueira Taveira Adorno, Renato Pereira Campelo, Fabermed/FMC, Unisen, RPC e Associados, Assembleia Legislativa de Goiás, IMED e demais instituições citadas.


CAVALO DE TROIA QUE MAJOR VITOR HUGO COLOCOU NO PL TRAI O PARTIDO

ELEIÇÕES 2026 | Em janeiro de 2024, antes mesmo da filiação de Márcio Corrêa ao PL e de sua eleição para prefeito de Anápolis, o Blog do Cleuber Carlos alertou para o risco da operação patrocinada por Major Vitor Hugo: Corrêa poderia usar o partido para se eleger e depois retornar ao grupo de Daniel Vilela. Dois anos depois, o prefeito anuncia apoio ao adversário de Wilder Morais.

Não foi surpresa.

Muito menos algo que o PL não pudesse prever.

Em 19 de janeiro de 2024, quando Márcio Corrêa ainda articulava sua entrada no PL para disputar a Prefeitura de Anápolis, o Blog do Cleuber Carlos publicou uma reportagem alertando para o risco da operação política que estava sendo construída.

Naquele momento, o Blog foi além: classificou Márcio Corrêa como um possível “cavalo de Troia” dentro do PL.

Dois anos depois, o cavalo abriu a barriga.

E de dentro dele saiu o apoio a Daniel Vilela (MDB) para governador de Goiás.

VITOR HUGO ABRIU A PORTA

Márcio Corrêa não chegou sozinho ao PL.

O principal padrinho de sua entrada foi Major Vitor Hugo, que trabalhou para levar Corrêa à legenda e transformá-lo no candidato bolsonarista à Prefeitura de Anápolis.

O próprio Márcio reconheceria posteriormente o papel decisivo do Major ao afirmar publicamente que quem havia “bancado” sua ida para o PL era Vitor Hugo.

Naquele momento, entretanto, havia outra possibilidade dentro do partido.

O então vice-prefeito de Anápolis, Márcio Cândido, também disputava o espaço para ser candidato.

Wilder Morais tinha uma escolha.

No final, Márcio Corrêa recebeu o PL.

Recebeu a candidatura.

Recebeu o apoio do partido e de Jair Bolsonaro.

E venceu a eleição.

O ALERTA VEIO ANTES DA ELEIÇÃO

O detalhe que transforma a história atual é que a ligação de Márcio Corrêa com Daniel Vilela não apareceu agora.

Corrêa estava no MDB antes de ingressar no PL e sua proximidade com Daniel já era conhecida no meio político.

A reportagem publicada pelo Blog em janeiro de 2024 levantava justamente a possibilidade de que a mudança para o PL fosse uma operação eleitoral: Márcio entraria no partido, utilizaria a força eleitoral de Bolsonaro para disputar Anápolis e, depois de eleito, poderia retornar politicamente ao campo de Daniel.

O Blog chegou a questionar qual seria o comportamento de Márcio numa futura eleição estadual colocando Daniel Vilela e Wilder Morais em lados opostos.

A eleição chegou.

E a resposta também.

Márcio escolheu Daniel.

WILDER PAGOU PARA VER

É justamente aqui que a crise deixa de ser apenas de Márcio Corrêa e passa também pela responsabilidade política de Wilder Morais.

Wilder tinha alternativas dentro do próprio campo político.

Tinha Márcio Cândido.

Conhecia a origem política de Corrêa.

Conhecia sua relação com Daniel.

E o risco de entregar a ele o comando eleitoral do PL em Anápolis havia sido colocado publicamente antes da eleição.

Mesmo assim, Corrêa recebeu a legenda.

Agora, o PL anuncia que poderá puni-lo por apoiar Daniel Vilela.

Pode até expulsá-lo.

Mas há uma ironia difícil de ignorar.

Márcio Corrêa não perde a Prefeitura de Anápolis se for expulso do partido.

Por ocupar cargo majoritário, seu mandato não pertence ao PL. Uma eventual expulsão rompe o vínculo partidário, mas não retira dele o cargo de prefeito.

Para alguém que aparentemente já escolheu outro projeto político, ser colocado para fora pode representar muito mais uma libertação do que uma punição.

A PROFECIA SE CUMPRIU

Em 2024, chamar Márcio Corrêa de “cavalo de Troia” poderia parecer uma provocação política.

Em 2026, a expressão ganha outro peso.

O político que Major Vitor Hugo ajudou a colocar dentro do PL, que recebeu a legenda comandada por Wilder Morais e que utilizou a força eleitoral bolsonarista para chegar à Prefeitura de Anápolis agora abandona o candidato do próprio partido ao Governo de Goiás e sobe no palanque de Daniel Vilela.

O PL pode discutir punição.

Pode abrir processo.

Pode expulsar Márcio.

Mas não pode dizer que ninguém avisou.

O cavalo de Troia estava identificado antes mesmo de entrar pelos portões.


Médico é Acusado de Fazer Vídeo Promocional Com Mulher Que Morreu Após Cirurgia Plástica

CASO ANDREIA | Irmã de empresária que morreu após mais de oito horas de procedimentos estéticos em Goiânia acusa médico de ter publicado, depois do sepultamento, vídeo promocional utilizando imagens da paciente. “Só esqueceu de dizer que ela estava morta”, escreveu.

O caso da morte da empresária Andreia Vieira Gaspar, de 51 anos, ganhou um novo e perturbador capítulo.

Depois de denunciar as circunstâncias que envolveram a cirurgia e a morte da irmã, a família agora faz uma acusação que amplia a controvérsia em torno do caso.

Segundo publicação feita pela irmã de Andreia, o médico responsável pelos procedimentos teria divulgado em suas redes sociais, depois do sepultamento, um vídeo de caráter promocional utilizando imagens da própria paciente.

Andreia já estava morta.

A irmã publicou o vídeo e fez um duro desabafo:

“Mesmo depois do sepultamento da minha irmã ele teve o desplante de postar em suas redes sociais a propaganda usando a imagem da minha irmã já morta. Só esqueceu de dizer que ela estava morta.”

Ao final, escreveu em letras destacadas:

“CULPADO?”

A acusação acrescenta mais um elemento a um caso que já está sob o olhar das autoridades.

Andreia morreu no dia 12 de agosto, após ser submetida a uma sequência de procedimentos estéticos no Hospital Ankar, em Goiânia.

Segundo informações apresentadas pela família, foram mais de oito horas de cirurgia e seis procedimentos na região da face, contratados por aproximadamente R$ 118 mil.

A família questiona ainda as condições clínicas da paciente antes da operação e sustenta que exames já apresentariam sinais de infecção.

O médico e o hospital contestam as acusações de negligência.

No dia 20 de agosto, a 2ª Promotoria de Justiça de Goiânia encaminhou os autos à Polícia Civil e pediu a abertura de inquérito para investigar a possibilidade de homicídio culposo.

Agora, a postagem apresentada pela irmã abre outro questionamento.

Quando exatamente o vídeo foi publicado?

A publicação original teria ocorrido efetivamente depois do sepultamento? Houve autorização para utilização da imagem de Andreia em material promocional? E, caso existisse autorização anterior, quais seriam seus limites diante da morte da paciente?

A afirmação de que o conteúdo foi publicado após o sepultamento é, neste momento, uma acusação da irmã da vítima. A cronologia da postagem original precisa ser documentalmente confirmada.

Mas o desabafo da família revela o tamanho da indignação.

Enquanto parentes ainda tentavam compreender uma morte ocorrida depois de um procedimento estético, segundo a irmã, a imagem de Andreia aparecia nas redes sociais promovendo justamente o trabalho médico que antecedeu sua morte.

O Blog do Cleuber Carlos deixa espaço aberto para manifestação do médico e do Hospital Ankar sobre esta nova acusação.