ELEIÇÕES 2026 | Em janeiro de 2024, antes mesmo da filiação de Márcio Corrêa ao PL e de sua eleição para prefeito de Anápolis, o Blog do Cleuber Carlos alertou para o risco da operação patrocinada por Major Vitor Hugo: Corrêa poderia usar o partido para se eleger e depois retornar ao grupo de Daniel Vilela. Dois anos depois, o prefeito anuncia apoio ao adversário de Wilder Morais.
Não foi surpresa.
Muito menos algo que o PL não pudesse prever.
Em 19 de janeiro de 2024, quando Márcio Corrêa ainda articulava sua entrada no PL para disputar a Prefeitura de Anápolis, o Blog do Cleuber Carlos publicou uma reportagem alertando para o risco da operação política que estava sendo construída.
Naquele momento, o Blog foi além: classificou Márcio Corrêa como um possível “cavalo de Troia” dentro do PL.
Dois anos depois, o cavalo abriu a barriga.
E de dentro dele saiu o apoio a Daniel Vilela (MDB) para governador de Goiás.
VITOR HUGO ABRIU A PORTA
Márcio Corrêa não chegou sozinho ao PL.
O principal padrinho de sua entrada foi Major Vitor Hugo, que trabalhou para levar Corrêa à legenda e transformá-lo no candidato bolsonarista à Prefeitura de Anápolis.
O próprio Márcio reconheceria posteriormente o papel decisivo do Major ao afirmar publicamente que quem havia “bancado” sua ida para o PL era Vitor Hugo.
Naquele momento, entretanto, havia outra possibilidade dentro do partido.
O então vice-prefeito de Anápolis, Márcio Cândido, também disputava o espaço para ser candidato.
Wilder Morais tinha uma escolha.
No final, Márcio Corrêa recebeu o PL.
Recebeu a candidatura.
Recebeu o apoio do partido e de Jair Bolsonaro.
E venceu a eleição.
O ALERTA VEIO ANTES DA ELEIÇÃO
O detalhe que transforma a história atual é que a ligação de Márcio Corrêa com Daniel Vilela não apareceu agora.
Corrêa estava no MDB antes de ingressar no PL e sua proximidade com Daniel já era conhecida no meio político.
A reportagem publicada pelo Blog em janeiro de 2024 levantava justamente a possibilidade de que a mudança para o PL fosse uma operação eleitoral: Márcio entraria no partido, utilizaria a força eleitoral de Bolsonaro para disputar Anápolis e, depois de eleito, poderia retornar politicamente ao campo de Daniel.
O Blog chegou a questionar qual seria o comportamento de Márcio numa futura eleição estadual colocando Daniel Vilela e Wilder Morais em lados opostos.
A eleição chegou.
E a resposta também.
Márcio escolheu Daniel.
WILDER PAGOU PARA VER
É justamente aqui que a crise deixa de ser apenas de Márcio Corrêa e passa também pela responsabilidade política de Wilder Morais.
Wilder tinha alternativas dentro do próprio campo político.
Tinha Márcio Cândido.
Conhecia a origem política de Corrêa.
Conhecia sua relação com Daniel.
E o risco de entregar a ele o comando eleitoral do PL em Anápolis havia sido colocado publicamente antes da eleição.
Mesmo assim, Corrêa recebeu a legenda.
Agora, o PL anuncia que poderá puni-lo por apoiar Daniel Vilela.
Pode até expulsá-lo.
Mas há uma ironia difícil de ignorar.
Márcio Corrêa não perde a Prefeitura de Anápolis se for expulso do partido.
Por ocupar cargo majoritário, seu mandato não pertence ao PL. Uma eventual expulsão rompe o vínculo partidário, mas não retira dele o cargo de prefeito.
Para alguém que aparentemente já escolheu outro projeto político, ser colocado para fora pode representar muito mais uma libertação do que uma punição.
A PROFECIA SE CUMPRIU
Em 2024, chamar Márcio Corrêa de “cavalo de Troia” poderia parecer uma provocação política.
Em 2026, a expressão ganha outro peso.
O político que Major Vitor Hugo ajudou a colocar dentro do PL, que recebeu a legenda comandada por Wilder Morais e que utilizou a força eleitoral bolsonarista para chegar à Prefeitura de Anápolis agora abandona o candidato do próprio partido ao Governo de Goiás e sobe no palanque de Daniel Vilela.
O PL pode discutir punição.
Pode abrir processo.
Pode expulsar Márcio.
Mas não pode dizer que ninguém avisou.
O cavalo de Troia estava identificado antes mesmo de entrar pelos portões.
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