sábado, 15 de agosto de 2026

PEGA FOGO, CABARÉ: Delegado Waldir e Ariane entram em guerra dentro do União Brasil

POLÍTICA | A guerra explodiu dentro do União Brasil em Goiás. Ariane Cândido levou Delegado Waldir à Justiça Eleitoral; Waldir reagiu pedindo a expulsão da correligionária e atacando sua situação financeira. Ariane devolveu: “Fale sobre o vídeo, fale sobre a denúncia”.

O que deveria ser uma disputa eleitoral entre adversários virou uma batalha entre candidatos do mesmo partido.

Delegado Waldir e Ariane Cândido estão em guerra aberta dentro do União Brasil — e a temperatura subiu depois que Ariane apresentou uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) contra o ex-presidente do Detran-GO.

A ação questiona a atuação de Waldir no comando do órgão e pede que a Justiça Eleitoral investigue possível abuso de poder político e econômico relacionado à estrutura do Detran e aos instrutores autônomos.

Waldir não deixou barato.

O candidato reagiu anunciando pedido de expulsão de Ariane do União Brasil e partiu para um contra-ataque que ultrapassou a discussão sobre o Detran e atingiu diretamente a vida financeira da correligionária. (G5 News⁠)

Segundo declarações atribuídas a Waldir, Ariane estaria endividada, teria perdido um salário de R$ 17 mil e teria recebido dinheiro para apresentar a denúncia.

Ariane respondeu.

Admitiu ter recorrido a dinheiro emprestado para pagar o cartão de crédito neste mês, mas acusou Waldir de tentar desviar o debate.

“Fale sobre o vídeo, fale sobre a denúncia.”

A resposta colocou novamente no centro da discussão a questão que originou toda a briga: o conteúdo do vídeo envolvendo Waldir e os instrutores autônomos durante sua passagem pelo Detran.

A guerra, porém, já ultrapassou os limites da AIJE.

Agora existem pedidos de expulsão, ameaças de ações judiciais, acusações pessoais e dois candidatos do mesmo partido trocando ataques publicamente em plena campanha eleitoral.

Pega fogo, cabaré.

Enquanto os adversários externos assistem, o União Brasil enfrenta uma guerra dentro da própria casa.

E a pergunta que fica é outra:

depois de tudo isso, ainda existe espaço para Delegado Waldir e Ariane Cândido permanecerem no mesmo partido?


DE R$ 8 MILHÕES A R$ 52 MILHÕES: patrimônio de Caiado cresce 548% desde que chegou ao Governo de Goiás

INVESTIGAÇÃO | Declarações entregues à Justiça Eleitoral mostram salto de R$ 8,1 milhões em 2018 para R$ 52,5 milhões em 2026. Candidato atribui boa parte da variação recente à venda milionária de uma fazenda herdada há quatro décadas.

Os números impressionam.

Quando Ronaldo Caiado disputou e venceu o Governo de Goiás em 2018, declarou à Justiça Eleitoral patrimônio de R$ 8.107.330,58.

Quatro anos depois, em 2022, quando buscou a reeleição, os bens declarados já somavam R$ 24.874.436,19.

Agora, candidato à Presidência da República pelo PSD em 2026, Caiado informou patrimônio de R$ 52.557.930,98. (Folha de S.Paulo)

Entre 2018 e 2026, portanto, a diferença nominal é de R$ 44.450.600,40.

O crescimento percentual chega a aproximadamente 548,28%.

É um número gigantesco e que, isoladamente, naturalmente provoca uma pergunta: como o patrimônio declarado por Caiado multiplicou-se mais de seis vezes em apenas oito anos?

O PRIMEIRO SALTO

A primeira grande mudança ocorreu entre 2018 e 2022.

Caiado saiu de R$ 8,1 milhões para R$ 24,87 milhões.

Foi um aumento nominal de aproximadamente 206,8% em quatro anos.

A própria declaração de 2022 já mostrava que a riqueza de Caiado estava fortemente concentrada no campo. Entre os bens apareciam dezenas de imóveis rurais, participações empresariais e aproximadamente R$ 5,41 milhões em bovinos e bufalinos, além de outros animais. (Mais Goiás)

Existe ainda uma peculiaridade importante nessa história.

Levantamento realizado a partir de declarações eleitorais anteriores mostrou que várias propriedades rurais de Caiado permaneceram durante anos registradas pelos mesmos valores históricos, alguns deles extremamente inferiores ao valor de mercado das terras. Em 2018, eram mencionadas ao menos 14 fazendas ligadas ao político, várias provenientes de herança familiar. (De Olho nos Ruralistas)

Isso significa que comparar apenas os totais declarados pode produzir uma imagem distorcida da valorização econômica real do patrimônio.

A FAZENDA DE R$ 699 MIL QUE VIROU R$ 27,6 MILHÕES

É justamente aí que aparece a principal explicação apresentada por Caiado para o novo salto entre 2022 e 2026.

Segundo sua assessoria, a Fazenda Santa Maria, em Nova Crixás, com aproximadamente 1.120 hectares, havia sido recebida por herança em 1985.

Na declaração patrimonial, o imóvel aparecia por seu valor histórico: R$ 699.524,59.

Em 11 de novembro de 2025, porém, Caiado afirma ter vendido a propriedade por nada menos que R$ 27,6 milhões. (Metrópoles)

A diferença entre os dois valores é próxima de R$ 26,9 milhões.

Segundo a versão apresentada pela equipe do candidato, portanto, não surgiram R$ 27 milhões em patrimônio novo: um ativo que estava contabilizado pelo valor histórico de décadas atrás simplesmente foi convertido em dinheiro pelo preço atual de mercado.

A explicação é relevante e muda substancialmente a interpretação dos números.

O QUE CAIADO TEM HOJE

A declaração apresentada para a eleição presidencial mostra que o agronegócio continua sendo o centro da fortuna do ex-governador.

São aproximadamente:

R$ 36,21 milhões em imóveis rurais;

R$ 10,49 milhões em animais de criação;

R$ 4,29 milhões em aplicações e títulos financeiros;

R$ 1,01 milhão em quotas de empresas;

além de outras participações societárias, depósitos, imóveis urbanos e veículo. (InfoMoney)

Só propriedades rurais e rebanho representam cerca de 89% de todo o patrimônio declarado.

O NÚMERO É REAL; A INTERPRETAÇÃO EXIGE CUIDADO

Documentalmente, não há dúvida sobre a evolução nominal:

2018 — R$ 8.107.330,58

2022 — R$ 24.874.436,19

2026 — R$ 52.557.930,98 (Folha de S.Paulo)

Também é correto afirmar que, entre a eleição que levou Caiado ao Governo de Goiás e sua candidatura presidencial, o patrimônio declarado cresceu aproximadamente 548% em valores nominais.

O que os documentos consultados não permitem afirmar é que esses R$ 44,4 milhões tenham sido “ganhos durante o exercício do governo”, muito menos que resultem de contratos públicos ou de qualquer irregularidade.

Até aqui, não encontramos documento que estabeleça essa relação.

Ao contrário, a principal explicação disponível para o salto de 2022 a 2026 é uma operação privada claramente identificada: a venda por R$ 27,6 milhões de uma propriedade rural herdada quatro décadas antes e contabilizada por valor histórico inferior a R$ 700 mil. (UOL Notícias)

A PERGUNTA QUE AINDA FICA

A venda da Fazenda Santa Maria explica grande parte do crescimento mais recente.

Mas há um segundo movimento que merece investigação mais aprofundada: a passagem de R$ 8,1 milhões para R$ 24,8 milhões entre 2018 e 2022, período correspondente exatamente ao primeiro mandato de Caiado como governador de Goiás.

O aumento foi de aproximadamente R$ 16,7 milhões.

Para compreender integralmente essa evolução será necessário comparar, bem por bem, as declarações de 2018 e 2022: quantidade de gado, aquisição de propriedades, alterações no valor atribuído às fazendas, quotas societárias, rendimentos rurais e eventuais alienações.

É nesse ponto — e não apenas numa manchete baseada no percentual de 548% — que está a próxima camada da investigação.

O patrimônio declarado cresceu. O número está comprovado. Agora é preciso separar valorização, venda de patrimônio antigo, produção rural e efetiva aquisição de novos bens para descobrir exatamente de onde veio cada milhão.


CIABRA SOB PRESSÃO: clientes relatam saques travados após mudança no comando da fintech

INVESTIGAÇÃO | Meses depois de uma mudança relevante na administração da Ciabra Pagamentos, consumidores passaram a relatar dificuldades para retirar dinheiro, transferências pendentes e falta de atendimento. Fintech continua formalmente ativa e mantém oferta de serviços financeiros. Blog do Cleuber Carlos, que já investigava o grupo em 2025, volta ao caso.

A Ciabra Pagamentos S/A voltou ao radar do Blog do Cleuber Carlos. Desta vez, o sinal de alerta não vem apenas dos bastidores societários investigados anteriormente, mas de clientes que passaram a reclamar publicamente de um problema muito mais sensível: dificuldade para retirar dinheiro da plataforma.

A Ciabra, CNPJ 38.709.323/0001-21, continua formalmente ativa e seu próprio site oferece conta digital, Pix, transferências, crédito, investimentos e outros serviços. A empresa afirma atuar em conformidade com as normas do Banco Central. (Ciabra)

Mas o que aparece nos relatos recentes de consumidores contrasta com a imagem de normalidade apresentada ao mercado.

O COMANDO DA CIABRA MUDOU

Quando o Blog do Cleuber Carlos começou a investigar a Ciabra, em 2025, o quadro administrativo conhecido era outro.

Conrado Raphael Bohrer Diedam aparecia como presidente; Kesley Silveira de Albuquerque, como diretor; e Fábio Correa Martins, como diretor. Fábio havia ingressado na administração em abril de 2024. (Goiás da Gente)

O Blog chegou a publicar, em novembro de 2025, uma investigação específica sobre as conexões empresariais entre Conrado Diedam e Fábio Corrêa Martins. (Cleuber Carlos)

Agora, o cenário é diferente.

Cadastros empresariais atualizados apresentam:

Fábio Correa Martins — presidente
Herle Gleison Pereira de Oliveira Junior — diretor
Priscila Cordeiro Martins — diretora. (CNPJ.biz)

Uma das bases consultadas aponta 26 de maio de 2026 como data da última atualização cadastral da Ciabra. (B2B Leads)

A ata societária que poderá estabelecer com precisão quando cada mudança ocorreu e em quais circunstâncias ainda precisa ser confrontada com os registros arquivados na Junta Comercial.

Portanto, não há fundamento, neste momento, para afirmar que a mudança de comando tenha provocado os problemas posteriormente relatados pelos clientes.

Mas existe uma cronologia que precisa ser explicada.

DEPOIS, SURGEM RECLAMAÇÕES SOBRE DINHEIRO

A partir da segunda quinzena de julho, consumidores passaram a publicar uma sequência de reclamações envolvendo principalmente saques, transferências, valores que permaneceriam em processamento e dificuldade para obter atendimento.

Não se trata de prova de insolvência ou apropriação de recursos. São relatos públicos de consumidores que precisam ser esclarecidos pela empresa.

O ponto jornalisticamente relevante é a repetição de reclamações de natureza semelhante em curto espaço de tempo.

O Blog também recebeu diretamente informação sobre cliente que estaria com aproximadamente R$ 40 mil sem conseguir sacar. Esse caso está sendo tratado, por enquanto, como relato e dependerá da apresentação dos comprovantes para que o valor seja publicado como documentalmente confirmado.

A pergunta, porém, já está colocada:

o que está acontecendo com os saques dos clientes da Ciabra?

SITE SEGUE OFERECENDO SERVIÇOS

Enquanto consumidores reclamam, a estrutura pública da Ciabra permanece funcionando na internet.

A própria empresa divulga canais de atendimento, WhatsApp, SAC e ouvidoria e informa que esta última oferece retorno em até dez dias úteis. (Ciabra)

O site também apresenta a Ciabra como uma instituição voltada ao empresário, oferecendo serviços financeiros e afirmando atuar em conformidade com o Banco Central. (Ciabra)

A empresa permanece com situação cadastral ativa. (Econodata)

Até o momento, portanto, não há elemento suficiente para afirmar que a Ciabra fechou ou encerrou oficialmente suas atividades.

A questão é outra: por que clientes estão relatando dificuldades para movimentar ou retirar recursos?

QUEM É FÁBIO CORREA MARTINS?

O novo presidente não é um personagem desconhecido das investigações anteriores do Blog.

Fábio possui histórico empresarial no setor de tecnologia, pagamentos e participações. Bases societárias o relacionam, entre outras empresas, à AZ Pagamentos, Elefas Sistemas Integrados, The Hunter AI, Ciabra Capital Participações e Alpha Venture Participações. (Adv Dinâmico)

Dois vínculos merecem atenção.

Na AZ Pagamentos, Fábio aparece ao lado de Priscila Cordeiro Martins, que hoje integra também a administração da Ciabra.

Já na Ciabra Capital Participações, Fábio dividiu sociedade com Conrado Raphael Bohrer Diedam, antigo presidente da Ciabra Pagamentos. E Fábio e Conrado também aparecem juntos na Alpha Venture Participações. (Adv Dinâmico)

Ou seja: apesar da mudança formal no comando da Ciabra Pagamentos, existem relações empresariais anteriores entre personagens da antiga e da atual administração.

E O BANCO CENTRAL?

Há outra questão que o Blog considera fundamental esclarecer.

A Ciabra afirma publicamente estar em conformidade com as normas do Banco Central. Entretanto, é necessário esclarecer qual é exatamente o enquadramento regulatório da operação e quais instituições autorizadas são responsáveis pela infraestrutura financeira, custódia, liquidação, Pix e demais serviços oferecidos aos clientes, quando aplicável.

Isso se torna ainda mais importante diante das reclamações envolvendo movimentação de recursos.

O Blog encaminhará esse questionamento ao Banco Central e à própria empresa.

AS PERGUNTAS QUE A CIABRA PRECISA RESPONDER

O Blog do Cleuber Carlos considera essenciais algumas respostas:

Por que clientes estão relatando saques e transferências pendentes?

Existe atualmente algum problema operacional, financeiro ou de liquidez afetando pagamentos aos clientes?

Qual instituição autorizada pelo Banco Central realiza a liquidação e/ou custódia dos recursos movimentados pela plataforma, quando aplicável?

Quantos clientes estão atualmente com saques pendentes e qual o valor total envolvido?

Quando Fábio Correa Martins assumiu a presidência e por quais razões Conrado Diedam e Kesley Albuquerque deixaram a administração?

Qual é hoje a relação empresarial de Conrado Diedam com o ecossistema Ciabra?

E, principalmente:

ONDE ESTÁ O DINHEIRO DOS CLIENTES QUE DIZEM NÃO CONSEGUIR SACAR?

Essa é a pergunta que precisa de resposta.

O Blog do Cleuber Carlos continuará investigando a Ciabra Pagamentos e abre espaço para manifestação integral da empresa, de seus atuais e antigos administradores e das instituições mencionadas.

Clientes que enfrentam problemas também poderão encaminhar comprovantes de saldo, solicitações de saque, protocolos e respostas recebidas da empresa, com os dados pessoais sensíveis devidamente preservados.

A investigação continua.