quarta-feira, 1 de abril de 2026

XANDÃO DO AGRO NA GOINFRA EXPÕE O MODELO DE PODER QUE OPERA POR DENTRO — E NÃO PELO DISCURSO

Há movimentos políticos que não precisam de anúncio oficial para serem compreendidos. Eles se revelam na forma como são construídos — e, principalmente, nas conexões que carregam.

A possível ascensão de “Xandão do Agro” à vice-presidência da GOINFRA não é, em si, apenas uma escolha administrativa. É um gesto político que precisa ser lido dentro de um arranjo maior, onde infraestrutura, agronegócio e poder institucional passam a operar em camadas sobrepostas.

E é justamente nesse ponto que o caso deixa de ser pontual. Porque, paralelamente a essa movimentação, o governo articula a indicação de um secretário de Agricultura historicamente vinculado ao presidente da FAEG — uma das estruturas mais influentes do agronegócio goiano. A coincidência, aqui, não é detalhe. É método.

Quando se observa os dois movimentos em conjunto, o que emerge não é improviso. É alinhamento.

A GOINFRA, responsável por contratos robustos, obras estratégicas e execução de investimentos de alto impacto, passa a dialogar diretamente com um núcleo político que também avança sobre a formulação da política agrícola do Estado. Não se trata apenas de ocupação de cargos. Trata-se de integração de interesses.

E isso exige atenção. Porque governos que operam nesse modelo — em que o mesmo eixo de influência ocupa simultaneamente estruturas distintas — tendem a produzir decisões menos fragmentadas e mais coordenadas. O problema é quando essa coordenação se dá sem transparência equivalente.

É aí que surge o ruído institucional. Não por ilegalidade presumida, mas pela lógica.

Quando os mesmos grupos orbitam, ao mesmo tempo, os centros de decisão e os ambientes de interesse direto, a fronteira entre política pública e representação setorial começa a se tornar difusa.

E em um Estado onde contratos, obras e políticas agrícolas movimentam cifras expressivas, essa difusão não pode ser tratada como algo natural.

Ela precisa ser explicada. Porque, no fim, a questão não é quem assume. É a quem essa estrutura responde — e com que nível de independência real.

GOINFRA REABILITA EMPRESA IMPEDIDA DE LICITAR NO APAGAR DAS LUZES

NO APAGAR DAS LUZES, DECISÃO NA GOINFRA REACENDE DÚVIDAS SOBRE CRITÉRIOS E INTERESSES EM LICITAÇÕES

Há decisões administrativas que passam despercebidas. Outras, porém, carregam peso político, simbólico e institucional suficiente para exigir leitura mais atenta — sobretudo quando ocorrem no apagar das luzes.

Foi exatamente nesse contexto que um ato envolvendo a GOINFRA passou a levantar questionamentos relevantes sobre critérios, timing e eventuais beneficiários.

Sob a estrutura da Secretaria de Infraestrutura, à época comandada por Adib Elias, foi formalizada a revogação de impedimento que recaía sobre a construtora CCB — empresa que, até então, estava impossibilitada de participar de novas licitações.

A mudança não foi trivial.

Na prática, a decisão reabilita a empresa para voltar ao mercado público em um momento sensível, reabrindo portas que estavam oficialmente fechadas.

E é justamente aqui que o caso deixa de ser burocrático para entrar no campo político.              A CCB é associada a um grupo empresarial ligado a um empreiteiro de sobrenome Vilela — o que, por si só, não configura irregularidade, mas insere o episódio dentro de um ambiente onde relações, conexões e influência sempre merecem escrutínio público.

O ponto central, portanto, não está apenas na revogação.

Está no contexto. Está no momento. Está na escolha de fazer disso um dos últimos atos de gestão.

Porque decisões dessa natureza, quando tomadas na reta final, inevitavelmente levantam uma pergunta que não pode ser ignorada: foi um ato técnico — ou um movimento que atende a interesses previamente alinhados?

Não se trata de acusação. Trata-se de lógica institucional.

Em qualquer ambiente público minimamente transparente, mudanças que alteram a condição de empresas em processos licitatórios exigem motivação clara, publicidade efetiva e, sobretudo, rastreabilidade.

Sem isso, o que se cria não é apenas dúvida.É ruído. 

E no setor de infraestrutura — onde contratos são milionários e os efeitos se estendem por anos — ruído não é detalhe. É sinal.

RT SOLUÇÕES CORPORATIVAS SURGE COMO UM DOS NOMES MAIS CONSISTENTES EM SEGURANÇA ESTRATÉGICA NO BRASIL

Empresa consolida atuação baseada em inteligência, gestão de risco e contrainteligência e passa a ocupar espaço entre as consultorias mais relevantes do setor corporativo

Há um movimento silencioso em curso no ambiente corporativo brasileiro — e ele não está nos balanços financeiros, nem nas campanhas de marketing. Está na forma como grandes organizações passaram a tratar um ativo que, até pouco tempo, era subestimado: a segurança estratégica.

Nesse novo cenário, empresas que operam apenas no campo operacional já não atendem à complexidade dos riscos contemporâneos. O mercado passou a exigir inteligência, leitura antecipada de ameaças, capacidade de resposta e, sobretudo, estrutura técnica para proteger não apenas patrimônio, mas reputação, informação e continuidade de negócios.

É exatamente nesse ponto que a RT Soluções Corporativas começa a se destacar.

Com uma proposta centrada na integração entre tecnologia, inteligência e planejamento estratégico, a empresa se posiciona em um nível acima da segurança convencional. Não se trata de vigilância, mas de arquitetura de proteção corporativa. Não se trata de reação, mas de antecipação.

A atuação da RT cobre um espectro que vai da análise de vulnerabilidades à estruturação de centros de comando e controle, passando por gestão de crises, segurança cibernética, inteligência corporativa e contrainteligência — áreas que, no atual ambiente empresarial, deixaram de ser diferenciais para se tornarem pilares de sobrevivência institucional.

O diferencial, no entanto, não está apenas no portfólio técnico.

Está na forma como a empresa organiza essa entrega.

Ao estruturar soluções integradas — que conectam segurança física, digital e estratégica — a RT se aproxima de um modelo adotado por grandes consultorias internacionais, onde o foco deixa de ser o problema isolado e passa a ser o ecossistema de risco como um todo.

Esse tipo de abordagem ainda é raro no Brasil.

E é justamente por isso que empresas com esse perfil começam a ganhar protagonismo.

Outro ponto que chama atenção é a qualificação da liderança. Com formação em áreas como Direito, gestão de projetos e especializações em segurança pública, inteligência e contrainteligência, os responsáveis pela operação carregam experiência prática em ambientes críticos — um ativo que não se constrói no discurso, mas na vivência.

Em um país onde crises institucionais, vazamentos de dados, riscos reputacionais e vulnerabilidades operacionais se tornaram parte do cotidiano corporativo, a tendência é clara: empresas que não estruturarem inteligência de segurança tendem a reagir tarde — e pagar caro por isso.

Nesse contexto, a RT Soluções Corporativas passa a ocupar um espaço relevante dentro de um mercado que ainda está em consolidação no Brasil, mas que já é tratado como estratégico nas principais economias do mundo.

Não por acaso, o modelo adotado pela empresa dialoga diretamente com práticas internacionais de governança, compliance e gestão de risco — incluindo aderência a padrões como LGPD e normas ISO — o que reforça sua capacidade de atuar em ambientes corporativos mais exigentes.

Mais do que oferecer serviços, a RT se posiciona como parceira na proteção da operação, da informação e da reputação das organizações.

E isso, no ambiente atual, deixou de ser diferencial.

Passou a ser necessidade.


Neymar é a única chance de o Brasil ser hexa

Sem liderança e talento decisivo, Seleção depende do craque para voltar a competir no mais alto nível mundial

Demóstenes Torres

Escrevo antes de Brasil X Croácia, portanto, alheio ao resultado, pois o que importa é a Copa do Mundo em Estados Unidos, México e Canadá. Pelo que os quase 100 jogadores já chamados apresentaram desde as eliminatórias, podemos nos preparar para mais 4 anos na fila. Falta algo. Falta alguém.

Culpa-se o pequeno ciclo, já que Carlo Ancelotti mal completou 1 ano à frente do elenco. Porém, Zagallo assumiu a Canarinho no fim de março de 1970 e trouxe o tri. Sim, os antecessores e os atletas do Velho Lobo não podem ser comparados aos do italiano, mas os adversários também não – seu país natal, por exemplo, é só um retrato na parede e vai ficar de fora pela 3ª vez seguida.

Felipão começou em junho de 2001 e no junho seguinte Cafu levantava a taça para uma Vila Irene do tamanho de um continente. Portanto, não é tempo o entrave.

Os elencos de 1982, 1998, 2006 e 2010 eram espetaculares. E não ficaram em 1º. Os mesmos Zagallo, Parreira e Felipão voltaram ao comando e perderam. The best dos bests à beira do gramado, Telê Santana, só ganhou um mundial em São Paulo. Então, a diferença pode ser algo. Ou alguém.

Esse alguém talvez fosse Ancelotti, desde que tivesse os galáticos do Real Madrid, uma espécie de seleção do mundo disputando La Liga – e que mesmo assim nem sempre sai vitoriosa.

Carletto recebeu da Confederação Brasileira de Futebol uma liberdade inédita para os técnicos locais. Convoca quem quer, dá as explicações que quer e ignora o que quer, nem aí para clubes, palpiteiros da mídia e outros corneteiros. Ou seja, antecipa-se a tempestade perfeita: presidente novato que atribuiu superpoder ao treinador, imprensa woke levando para o esporte a polarização eleitoral, 16 rivais europeus, uma geração nutella de bastante correria e habilidade apenas normal. Para estabelecer a diferença, falta algo. Ou alguém.

Esse alguém é Neymar Jr. e o algo é a coragem. O destemor se mostra indispensável porque Ancelotti se tornará o pior do planeta 1 minuto depois de ler, na convocação, o nome do cancelado pelos lacradores. O ódio da política partidária contaminou o país. Desde que divulgou um vídeo em que cantava “22 é Bolsonaro”, virou o inimigo público nº 1 de repórteres, comentaristas, apresentadores e editores disfarçados de independentes, que usam as sandálias da humildade de fachada para esconder as ferraduras da esquerda.

Neymar Jr. virou a Geni sem o Zepelim, pois “tudo que é nego torto, do mangue e do cais do porto” se esquece das pauladas que ele leva, acha que “seu corpo é dos errantes”, todo beque sem trato pode esmurrá-lo. Apanha, apanha, por isso cai, cai. Em vez de punir os brutamontes que o lesionam, os árbitros mandam o gênio levantar antes que quebrem a lâmpada com o apito.

Alguns militantes do microfone chegam a dizer que Neymar é um ex-jogador e que quem está mal no Santos pior se apresentaria entre os 11 (ou os 26 do rol definitivo). A ideologia cega, mesmo, pois não veem que a equipe precisa de referência, papel para o qual o atacante/meia é ultraqualificado. A Seleção precisa de diversas providências das quais Neymar se encarregaria naturalmente.

Ah, ele está bichado. Para 1958, espalhavam que Mané Garrincha era deficiente físico, por causa das pernas muito tortas; para 1962, que a artrose inviabilizava-lhe os joelhos; foi essencial em uma Copa e um deus na seguinte. Falaram que Tostão tinha visão monocular, mas o levaram, e ele brilhou na campanha do tri. Disseram o mesmo de Romário em 1998, deixaram-no, e o sonho do penta teve de ser adiado.

Num país de 213 milhões de fisioterapeutas e analistas de futebol, cada qual carrega sua opinião sobre a saúde de Neymar para o esporte de alto rendimento. A minha é como a de milhões: ele se arrastando, com uma perna no gesso e a outra amputada, ainda é melhor que a média internacional e sem parâmetro entre seus conterrâneos. Se perder ambas, cabe no meio-campo só com a criatividade, já que o nosso está tipo um Íbis de amarelo (e não me refiro ao hotel).

Uma série de circunstâncias aconselham que o fora de série, ainda que inspire cuidados, deve ser titular.

Lionel Messi pode estar andando em campo. Quem na Argentina faria a bobagem de não o convocar? Mbappé consegue ser bola de ouro em fominha. Quem na França o tiraria?

Subsidiariamente, como no vocabulário do Direito, caso o bom senso convença Ancelotti a listá-lo apesar das questões de preparo, aparecerá um filhote de cruz-credo lembrando que Neymar apronta, vai a festas, se diverte com artistas, conserva uns parças terríveis e frequenta o Carnaval estando em recuperação.


E daí? A gente o quer para fisgar o hexa, não para se casar com nossa neta/filha. Jogadores que deram lição de comportamento, como Zico, não conseguiram a Copa. Grandes cachaceiros voltaram do exterior comemorando. Farristas eméritos gastando o preparo com a mulherada, como Romário, foram decisivos nos títulos.


A CBF mudou de presidente para melhor, a seleção mudou de técnico para muito melhor, falta ao time, que tem ótimos craques, mudar de nível. Para isso, precisa de um maestro em campo. Com a batuta, Neymar, que joga de fraque e rege uma orquestra com seus lampejos de genialidade.

ENDRICK EM 15 MINUTOS EXPÕE UMA VERDADE INCÔMODA: IGNORÁ-LO PARA A COPA É FORÇAR UM ERRO TÉCNICO NA SELEÇÃO

Com mais de 30 anos de cobertura do futebol e três Copas do Mundo, 94, 98 e 2002,  convivendo diariamente com jogadores como: Ronaldinho, Romário, Tafarel, Dunga, Cafu, Roberto Carlos, Kaká, Ronaldo Fenômeno, Rivaldo e outros tantos grandes jogadores, sei que no futebol a avaliação não nasce de empolgação — nasce de padrão, comparação e leitura de jogo.

Há momentos no futebol em que o debate deixa de ser opinião e passa a ser constatação técnica. O que Endrick fez em cerca de 15 minutos, na vitória do Brasil contra a Croácia, não foi apenas uma boa participação. Foi um recorte claro, objetivo e mensurável de quem está pronto — não para compor elenco, mas para decidir em alto nível.

Endrick entrou em campo com algo que não se treina em curto prazo: instinto competitivo de elite. Em poucos toques, mostrou explosão, leitura de espaço, capacidade de atacar a última linha e, principalmente, poder de decisão. Não é sobre potencial. É sobre impacto imediato — algo que a atual Seleção Brasileira, em diversos momentos recentes, simplesmente não apresentou.

E aqui está o ponto que precisa ser dito sem rodeio: a seleção carece de jogadores decisivos. Há qualidade técnica, há nomes consolidados, mas falta aquilo que separa o bom do extraordinário — o jogador que resolve o jogo quando o sistema não resolve.

Endrick, hoje, está acima de muitos convocados para a mesma função. E não por expectativa futura, mas por entrega presente.

Ao longo de mais de três décadas cobrindo futebol, passando por três Copas do Mundo, o padrão de leitura é sempre o mesmo: jogador de Copa do Mundo não é o que promete — é o que responde sob pressão, mesmo em pouco tempo. E isso ele já demonstrou.

Ignorar esse tipo de sinal não é apenas uma escolha técnica discutível. É correr o risco de institucionalizar um erro.

A história recente do futebol brasileiro mostra que insistir em nomes que não decidem custa caro. E, em um cenário onde a seleção ainda busca identidade e protagonismo, abrir mão de um jogador com essas características beira o ilógico.

Não se trata de alçar Endrick a salvador. Trata-se de reconhecer o óbvio: ele oferece exatamente o que está faltando.

Se a convocação para a Copa do Mundo é, de fato, um critério técnico e meritocrático, então a ausência de Endrick não será apenas questionável — será, com base no que já foi apresentado, uma aberração futebolística.


Porque há talentos que pedem tempo.

E há talentos que, em 15 minutos, deixam claro que o tempo já chegou.


terça-feira, 31 de março de 2026

DÍVIDA, FRAUDE E EXECUÇÃO PENAL: O CASO QUE CERCA O PODER EM MORRINHOS

RASTRO JUDICIAL EM MT DEIXA DE SER EPISÓDIO, GANHA PADRÃO E AVANÇA ATÉ O CENTRO DO PODER EM MORRINHOS


O que antes podia ser tratado como um caso isolado, circunstancial ou até defensável no campo da dúvida, já não resiste mais ao peso do conjunto. A sequência de documentos oficiais que emerge a partir de registros da Polícia Civil do Mato Grosso e de órgãos fazendários não apenas amplia o alcance dos fatos — ela altera a natureza do problema.

Não é mais sobre um episódio.

É sobre repetição.

E repetição, quando documentada, deixa de ser coincidência para se aproximar perigosamente de padrão.

No centro desse rastro está o nome de Rodrigo Ventura Alves, já vinculado a execução penal ativa no Estado. Mas o dado mais sensível não é a existência isolada desse vínculo — é o que se constrói ao redor dele. Porque, quando diferentes frentes começam a convergir, o que se forma não é uma narrativa. É uma estrutura.

O primeiro eixo é financeiro e não comporta relativização. A Certidão de Dívida Ativa nº 2026512, vinculada ao INDEA-MT, consolida um passivo superior a R$ 730 mil, oriundo de auto de infração relacionado à atividade rural. Não se trata de discussão administrativa em aberto. Trata-se de crédito inscrito, formalizado e exigível. Em linguagem objetiva: dívida reconhecida pelo Estado.

Mas o rastro não para no campo tributário.

Os boletins de ocorrência revelam uma sequência que, ainda que individualmente classificável como relato, em conjunto desenha um mesmo padrão operacional. Negociação de propriedade rural milionária, com pagamento na casa dos R$ 5,5 milhões, seguida de revenda, transferência a terceiros e alegações de inconsistências documentais. Menção ao uso de terceiros — inclusive cônjuge — em movimentações patrimoniais. Circulação de valores sem lastro claro na cadeia documental.

Isoladamente, são fatos a apurar. Reunidos, são sinais que apontam na mesma direção.

Em outro registro, o cenário se desloca da documentação para o campo físico: desaparecimento de 55 cabeças de gado, indícios de manipulação de cerca divisória e localização dos animais em propriedade diversa, com sinais de abate irregular. Não é mais apenas papel. É patrimônio concreto em disputa.

Na sequência, uma terceira frente: negociação de 33 reses, valor aproximado de R$ 69 mil, pagamento prometido via cheque e não efetivado até o momento do registro. Aqui, o padrão volta a aparecer — promessa, circulação e ruptura.

E então há o elemento que impede qualquer tentativa de reduzir o caso a mera narrativa: a execução penal ativa. Não se trata de hipótese, nem de investigação preliminar. Trata-se de resposta estatal já instaurada, com cumprimento de pena em curso. Esse dado, por si só, desloca o eixo do debate. Porque deixa de ser projeção e passa a ser realidade processual.

Mas é quando esse conjunto encontra o ambiente político que o cenário muda de patamar.

O nome envolvido não orbita fora da estrutura de poder. Ele se conecta a ela. Integra núcleo familiar direto de agentes públicos de Morrinhos, possui vínculo com a presidência da Câmara Municipal e mantém proximidade com a engrenagem administrativa local. E é exatamente nesse ponto que o problema deixa de ser individual e passa a ser institucional.

Não se trata de imputar crime a quem quer que seja além do que está formalmente documentado. Os boletins são registros, não sentenças. A dívida ativa é crédito inscrito, não condenação penal. A execução penal, por sua vez, é fato processual objetivo, com seus limites definidos.

Mas o que não pode ser ignorado é o conjunto.

Porque o conjunto revela continuidade, volume e convergência.

E, em política, convergência é sempre mais relevante do que episódio.

As perguntas que emergem deixam de ser opcionais. Passam a ser obrigatórias. Existe relação econômica entre esse núcleo e agentes públicos? Há trânsito de recursos com interface na administração municipal? Alguma dessas operações tangencia contratos, decisões ou estruturas de poder? O histórico é conhecido internamente — ou convenientemente ignorado?

Diante de um cenário em que dívida ativa formalizada, múltiplos registros policiais e execução penal coexistem, o silêncio deixa de ser prudência e passa a ser interpretado como escolha.

E escolhas, em ambiente institucional, produzem consequência.

No fim, o problema nunca foi um boletim isolado, uma dívida específica ou um processo individual. O problema é quando tudo isso aparece junto, de forma reiterada, crescente e conectada — e ainda assim permanece orbitando o centro do poder como se fosse irrelevante.

Morrinhos começa a entrar em um terreno que a política conhece bem — e costuma temer tarde demais: aquele em que o poder não precisa apenas governar.

Precisa explicar com quem está andando.

Porque quando o histórico deixa de ser exceção e passa a ser padrão, não há narrativa que sustente.

Há apenas um sinal.

E sinais ignorados, em política, raramente terminam em silêncio. Terminam em crise.


Jornalista Cleuber Carlos inicia novo ciclo profissional e amplia atuação no setor de comunicação

O jornalista Cleuber Carlos dá início a uma nova etapa de sua trajetória profissional. Em movimento estratégico, ele negociou parte de sua participação em seu blog e em suas plataformas de notícias com um grupo privado de fora do estado.

Cleuber Carlos reposiciona ativos de mídia e inicia novo ciclo de expansão com base em trajetória consolidada de 35 anos no jornalismo

O jornalista Cleuber Carlos inicia um novo ciclo de crescimento ao reestruturar seus ativos de mídia digital, em uma operação que envolve a entrada de um grupo privado na composição societária de suas plataformas.

A movimentação representa a transição de um modelo autoral consolidado para uma estrutura orientada à escala, governança e expansão de mercado, ancorada em um ativo central: uma trajetória de mais de 35 anos no jornalismo, construída em diferentes plataformas e ambientes de alta audiência.

Ao longo de sua carreira, Cleuber atuou em veículos relevantes da comunicação regional e nacional, com passagens por rádios como K do Brasil, Difusora de Goiânia e Rádio Clube, além de emissoras de televisão como TV Brasil Central, Bandeirantes e SBT. Sua atuação inclui a cobertura de três Copas do Mundo, consolidando experiência em eventos de grande porte e operações de transmissão em rede.

Paralelamente à trajetória nos meios tradicionais, foi pioneiro no jornalismo digital em Goiás, antecipando movimentos de descentralização da informação e construção de audiência em plataformas independentes — um diferencial que hoje se traduz em base consolidada de alcance, engajamento e influência.

Esse conjunto de ativos — experiência editorial, presença multiplataforma e histórico de inovação — sustenta o reposicionamento atual, no qual suas plataformas passam a operar com maior capacidade de distribuição, diversificação de receitas e integração a novos formatos de mídia.

A nova estrutura reforça a evolução de Cleuber Carlos de jornalista para operador de ativos de comunicação, assumindo papel direto na construção, valorização e expansão de plataformas digitais com potencial de escala.

O novo ciclo não apenas amplia a operação — ele capitaliza uma trajetória construída ao longo de décadas e a transforma em base para crescimento estruturado no ecossistema de mídia.

segunda-feira, 30 de março de 2026

PIQUIRAS: DA POLÊMICA NO ATENDIMENTO À DENÚNCIA MILIONÁRIA — QUANDO A CRISE MUDA DE NATUREZA

O caso envolvendo o restaurante Piquiras, em Goiânia, ultrapassa — e muito — o campo de uma discussão tributária comum. O que emerge da denúncia apresentada pelo Ministério Público não é um simples atraso no pagamento de impostos, mas um modelo de operação que, segundo a acusação, se sustentou por anos com base em uma lógica que desloca o problema para o campo penal.

De acordo com a denúncia, os empresários Marcelo Marquez Batista e Maria Alice da Costa Batista, à época sócios-administradores de unidades do Empório Piquiras Ltda., deixaram de recolher, entre 2016 e 2019, mais de R$ 6,2 milhões em ICMS. O dado, por si só, já chama atenção. Mas o ponto central não está apenas no valor.

Está na forma.

Segundo o próprio relato acusatório, o imposto era regularmente cobrado do consumidor — embutido no preço das operações — e devidamente escriturado nos livros fiscais da empresa. Ou seja: não se trata de receita oculta, de operação clandestina ou de omissão de faturamento. O débito era reconhecido formalmente.

E, ainda assim, não era pago. Esse detalhe altera completamente a natureza do caso. Porque, quando o tributo é declarado e não recolhido, o debate deixa de ser meramente administrativo e passa a dialogar diretamente com o que a legislação brasileira tipifica como conduta lesiva à ordem tributária. Não por acaso, a denúncia aponta que os empresários teriam incorrido, por omissão, em prática criminalmente relevante.

Ao longo de quatro anos, o Fisco estadual lavrou 27 autos de infração contra o grupo — 18 relacionados à matriz e 9 à filial — todos vinculados ao não recolhimento do imposto já apurado. A repetição do padrão, mês após mês, é um elemento que, em tese, reforça a narrativa de habitualidade, ponto sensível em qualquer análise penal desse tipo de conduta.

O que está em jogo, portanto, não é apenas um passivo fiscal acumulado. É a consistência de um modelo que, segundo a acusação, operava com base na retenção de valores que já tinham destinação pública definida.

E é aqui que o caso ganha outra dimensão.

Porque o ICMS, ao ser embutido no preço pago pelo consumidor, não integra propriamente o patrimônio da empresa. Ele é, na prática, um valor transitório, arrecadado pelo contribuinte para posterior repasse ao Estado. Quando esse ciclo se rompe, o prejuízo deixa de ser abstrato e passa a atingir diretamente a coletividade.

Não se trata, portanto, de um imposto que deixou de ser pago por dificuldade financeira eventual ou erro contábil isolado. A denúncia descreve um fluxo contínuo em que o valor era cobrado, reconhecido e, ainda assim, não chegava aos cofres públicos dentro do prazo legal.

A defesa, evidentemente, terá espaço para contestar os elementos apresentados, discutir dolo, contexto financeiro, eventual parcelamento ou regularização. Mas o que já está posto no processo é suficiente para deslocar o caso do campo da interpretação para o campo da responsabilização potencial.

E isso muda tudo. Porque, quando o próprio sistema de apuração fiscal registra a existência do débito — e ele não é quitado — a margem de dúvida se estreita. E o que passa a ser discutido não é mais se houve imposto devido, mas por que, diante de um valor reconhecido, o repasse não ocorreu.

No fim, o caso Piquiras deixa uma pergunta que vai além dos autos: até que ponto práticas reiteradas de retenção de tributos, quando naturalizadas dentro da operação de uma empresa, deixam de ser exceção e passam a configurar método?

É essa resposta — jurídica, institucional e, sobretudo, factual — que o processo agora tende a expor.