quinta-feira, 3 de setembro de 2026

DOCUMENTO REVELA: PRESIDENTE DA COMPLEM TEM REMUNERAÇÃO DE R$ 54,6 MIL EM UM ÚNICO MÊS


DOCUMENTO REVELA: DIREÇÃO E CONSELHOS DA COMPLEM SOMARAM R$ 155 MIL EM UMA ÚNICA FOLHA DE JUNHO

REMUNERAÇÃO SOB LUPA | Documento da cooperativa referente a junho de 2026 registra R$ 155.472,17 no total geral. Linha atribuída ao presidente Sérgio Penido apresenta R$ 54.625,36; três integrantes do Conselho Fiscal aparecem com R$ 5.761,55 cada.

Um documento interno da Complem obtido pelo Blog do Cleuber Carlos abre uma nova frente de questionamentos sobre os custos da estrutura de comando da cooperativa.

A folha, identificada como “Competência = Junho/2026” e com data de pagamento em 30 de junho, apresenta valores relacionados ao Conselho de Administração, conselheiros vogais e Conselho Fiscal.

E os números chamam atenção.

O total geral registrado no documento é de R$ 155.472,17.

No bloco do Conselho de Administração, a linha referente ao presidente Sérgio de Oliveira Penido apresenta R$ 40.768,50 na coluna de honorários e outros R$ 13.856,86 em coluna identificada no documento como valor para ajuste de desconto de IRRF.

O total registrado na linha chega a R$ 54.625,36.

Antônio José da Silva aparece com total de R$ 35.881,22, enquanto Jose Rodrigues Vargas registra R$ 24.634,74.

Somadas, as três linhas chegam aos R$ 115.141,32 indicados no próprio documento.

CONSELHOS TAMBÉM APARECEM NA FOLHA

Quatro integrantes identificados no bloco “Conselho Vogal” aparecem com R$ 5.761,55 cada, alcançando R$ 23.046,20.

No Conselho Fiscal, outros três nomes aparecem igualmente com R$ 5.761,55 cada. Total: R$ 17.284,65.

Somados os blocos apresentados, a própria folha registra:

R$ 155.472,17.

O documento ainda associa a remuneração a quantidades de litros de leite: 15 mil litros para presidente, 10 mil para o primeiro vice, 7 mil para o segundo vice e 2 mil para conselheiros vogais e fiscais.

Também consta referência ao preço de R$ 2,80 por litro naquela competência.

QUANTO ISSO CUSTA POR ANO?

É justamente aqui que surge uma questão que precisa ser respondida.

Se junho representar o padrão de remuneração dos demais meses — algo que a reportagem ainda irá verificar —, uma simples projeção matemática de R$ 155.472,17 por 12 meses alcançaria aproximadamente R$ 1,86 milhão.

Isso não significa que esse tenha sido o gasto anual efetivo. Para chegar ao número real, será necessário analisar as folhas dos demais meses.

Mas junho já oferece uma fotografia concreta.

E ela surge no momento em que a situação financeira da Complem está sob escrutínio.

O balanço de 2025 registra aproximadamente R$ 290 milhões em empréstimos e financiamentos, com cerca de R$ 187 milhões classificados no curto prazo.

A cooperativa também negocia com a Piracanjuba uma profunda reorganização de sua atividade industrial de lácteos.

A PERGUNTA AGORA É OUTRA

Os valores constantes da folha não demonstram, por si, qualquer irregularidade.

A questão passa a ser quem aprovou essa política de remuneração, qual deliberação assemblear a sustenta, como funciona o ajuste tributário indicado na folha e quanto efetivamente a estrutura de administração e fiscalização custou à cooperativa durante todo o exercício.

O próprio documento faz referência a uma ATA AGO de 31/03/2001, informação que também precisa ser confrontada com as deliberações posteriores aplicáveis.

O Blog do Cleuber Carlos continuará buscando as demais folhas e documentos relacionados aos pagamentos.

Porque, diante de uma cooperativa com R$ 290 milhões em empréstimos e financiamentos, a pergunta deixou de ser apenas quanto a Complem deve.

Agora é também:

quanto custa comandar a Complem — e quem decidiu que custaria isso?


DOIS MESES DE LULA GUIMARÃES: MARCONI NÃO CRESCE E DISTÂNCIA PARA DANIEL AUMENTA

MARKETING SOB TESTE | Marqueteiro assumiu campanha com Marconi marcando 25,4% no Paraná Pesquisas. Na rodada seguinte, tucano apareceu com 24,9%. Quaest também mostra estabilidade: 21% em julho e 20% em agosto. Até agora, pesquisas não identificam reação eleitoral.

Lula Guimarães chegou à campanha de Marconi Perillo com uma missão objetiva: tornar competitiva uma candidatura que já possuía um eleitorado consolidado, mas estava distante da liderança.

Quase dois meses depois, os números permitem uma primeira avaliação.

E, pelo menos até agora, não há resultado eleitoral mensurável que indique crescimento de Marconi após a chegada do novo comando do marketing.

A contratação de Lula Guimarães foi divulgada em 6 de julho.

Naquele mesmo dia, o Paraná Pesquisas divulgou levantamento realizado entre 3 e 5 de julho — portanto, uma fotografia praticamente anterior à atuação do marqueteiro.

Marconi tinha 25,4%. Daniel Vilela, 44,4%.

A distância era de 19 pontos percentuais. (CNN Brasil⁠)

Na rodada seguinte do mesmo instituto, realizada entre 14 e 17 de agosto, Marconi apareceu com 24,9%.

Daniel subiu para 45,8%.

A distância passou para 20,9 pontos. (DivulgaCand⁠)

Tecnicamente, a oscilação de Marconi de 25,4% para 24,9% está dentro da margem de erro e não permite afirmar queda.

Mas permite afirmar algo importante:

não houve crescimento detectável.

Outro instituto aponta fenômeno semelhante.

Na Quaest divulgada em 30 de julho, Marconi tinha 21%, contra 37% de Daniel. (DivulgaCand⁠)

Na rodada divulgada em 27 de agosto, Daniel continuou com 37% e Marconi apareceu com 20%.

Novamente, uma oscilação dentro da margem de erro. E, novamente, nenhuma evidência estatística de avanço. (UOL Notícias⁠)

Há ainda outro indicador preocupante.

No Paraná Pesquisas, a rejeição de Marconi era de 37,8% em julho. Na rodada de agosto chegou a 40,8%. (Voz de Goiás⁠)

Isso significa que, até aqui, o marketing não conseguiu produzir nas pesquisas dois movimentos fundamentais para Marconi: ampliar sua intenção de voto e reduzir sua rejeição.

Seria tecnicamente incorreto responsabilizar Lula Guimarães sozinho pelo quadro.

Pesquisa eleitoral mede intenção de voto, não desempenho individual de marqueteiro. Alianças, adversários, conjuntura política, exposição, rejeição histórica e acontecimentos da campanha também interferem no resultado.

Mas existe uma métrica objetiva.

Lula Guimarães recebeu uma candidatura com 25,4% no Paraná. A pesquisa seguinte registrou 24,9%.

Na Quaest, Marconi passou de 21% para 20% entre julho e agosto.

Portanto, até o momento, não existe nas pesquisas evidência de um “efeito Lula Guimarães” capaz de ampliar eleitoralmente a candidatura de Marconi.

O tucano continua com um eleitorado expressivo e consolidado.

O problema permanece exatamente onde estava quando o novo marqueteiro chegou:

como romper esse teto e transformar aproximadamente um quarto do eleitorado em uma candidatura capaz de alcançar Daniel Vilela?

Depois de quase dois meses, as pesquisas ainda não apresentam essa resposta.


LULA MUDOU A CARA DA CAMPANHA — MAS AINDA NÃO MUDOU OS NÚMEROS DE MARCONI

Lula trocou força por confusão 

A nova identidade visual de Marconi pode até pretender transmitir modernidade, mas troca força por confusão. Ao fragmentar o próprio nome do candidato em uma sequência de azul, amarelo, verde e outras tonalidades, a campanha transforma seu principal ativo — a marca “Marconi” — em um mosaico cromático de leitura menos imediata e pouca unidade visual. Em vez de permitir que o eleitor reconheça a campanha num único golpe de vista, a peça obriga o olhar a decifrar cores, letras, número, slogan e informações que disputam atenção simultaneamente. É muito estímulo para pouca identidade. Em publicidade eleitoral, uma marca eficiente precisa ser simples, repetível e instantaneamente reconhecível; aqui, a profusão de cores pode até chamar atenção, mas chamar atenção não é o mesmo que construir identificação. Para um candidato que dispensa apresentação em Goiás, complicar visualmente o nome que todos já conhecem parece mais um desperdício de capital de marca do que uma inovação de marketing.



​JORNALISTA LEVA AO CADE QUESTIONAMENTOS SOBRE NEGÓCIO ENTRE COMPLEM E PIRACANJUBA

CONCORRÊNCIA SOB A LUPA | Manifestação pede que o órgão antitruste investigue concentração na compra de leite, independência da Complem, formação de preços, exclusividades e alternativas disponíveis aos produtores. Pergunta central é direta: depois do negócio, Complem e Piracanjuba continuarão realmente concorrendo pelo leite?

A operação entre Complem e Piracanjuba acaba de ganhar uma nova frente de questionamentos.

O jornalista Cleuber Carlos do Nascimento, editor do Blog do Cleuber Carlos, elaborou manifestação destinada ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) pedindo análise aprofundada dos efeitos concorrenciais do negócio.

E o ponto central vai muito além da situação financeira da cooperativa.

Quantos compradores verdadeiramente independentes restarão ao produtor de leite no Sul e Sudoeste de Goiás depois da operação?

A manifestação pede que o CADE examine a participação de Complem e Piracanjuba na captação regional de leite antes e depois do negócio, a capacidade dos compradores concorrentes e eventual poder econômico sobre os produtores.

Há outra pergunta ainda mais delicada.

A Complem permanecerá responsável pela captação do leite, enquanto a Piracanjuba assumirá a operação industrial dos lácteos.

Mas quem terá, na prática, poder sobre preço, volume, destino e condições econômicas dessa matéria-prima?

Se a cooperativa captar o leite, mas sua destinação econômica estiver vinculada à operação da Piracanjuba, será necessário determinar até que ponto a Complem continuará funcionando como compradora realmente independente.

O documento também coloca sob análise eventuais cláusulas de exclusividade, preferência, não concorrência e obrigação de fornecimento.

E cobra respostas sobre aquilo que ainda permanece longe dos olhos dos cooperados: quanto vale o negócio, quanto a Complem receberá, qual o prazo do arrendamento, quais garantias foram pactuadas e quais são as condições de saída.

O balanço de 2025 também entra no documento: são R$ 290,2 milhões em empréstimos e financiamentos, aproximadamente R$ 187 milhões deles no curto prazo.

A manifestação não afirma que exista irregularidade nem pede condenação antecipada.

Pede algo mais simples — e talvez mais incômodo:

que o negócio seja colocado inteiro sobre a mesa.

Porque a pergunta que agora chega ao campo concorrencial é objetiva:

a Complem continuará concorrendo com a Piracanjuba pela compra do leite ou passará a captar matéria-prima para uma cadeia econômica controlada pela própria Piracanjuba?

Para o produtor, a resposta pode significar a diferença entre ter concorrência para vender seu leite — ou apenas a aparência dela.


COMPLEM DIZ “NÃO ACREDITE EM BOATO” — ENTÃO VAMOS AOS NÚMEROS DO PRÓPRIO BALANÇO

CONTRAPONTO | Cooperativa lança campanha para defender sua “solidez absoluta”, destaca R$ 130 milhões de patrimônio líquido, R$ 90 milhões em caixa e redução de R$ 44 milhões em dívidas. Mas deixa fora da peça os R$ 290,2 milhões em empréstimos e financiamentos registrados em 2025. Se a ordem é buscar informação oficial, a reportagem concorda: vamos aos documentos da própria Complem.

A Complem escolheu uma frase forte para reagir aos questionamentos:

“Não acredite em boato.”

Perfeito.

A reportagem concorda.

Por isso, em vez de boatos, vamos continuar trabalhando com o balanço publicado pela própria cooperativa.

Na nova campanha, a Complem informa que seu patrimônio líquido saltou de R$ 62 milhões, em 2019, para R$ 130 milhões em 2025.

O que a peça não mostra é que as demonstrações de 2025 também registraram aproximadamente R$ 290,2 milhões em empréstimos e financiamentos, dos quais cerca de R$ 187 milhões estavam no curto prazo.

Uma informação não torna a outra falsa.

Mas mostrar apenas uma delas não entrega ao cooperado a fotografia completa.

A propaganda também comemora R$ 90 milhões em caixa no primeiro semestre de 2026 e redução de R$ 44 milhões em dívidas bancárias.

Ótima notícia.

Então publique-se o balancete de junho.

Quanto havia de dívida bruta? Quanto foi efetivamente amortizado? Quais empréstimos foram pagos? Qual a composição dos R$ 90 milhões? São recursos integralmente disponíveis?

Há ainda uma curiosidade.

Na nota oficial, a Complem afirma ter reduzido sua “dívida líquida” em R$ 44 milhões. Na campanha, fala em redução de “dívidas bancárias” no mesmo valor.

Não é necessariamente a mesma coisa.

Qual indicador, afinal, caiu R$ 44 milhões?

A campanha também proclama:

“Solidez absoluta!”

Mas solidez financeira não se demonstra com slogan. Demonstra-se colocando ativos, caixa, dívidas, vencimentos, despesas financeiras e capacidade de pagamento sobre a mesa.

E há mais.

A Complem apresenta a operação com a Piracanjuba como “parceria que gera resultados”.

Quais resultados?

Quanto vale o negócio? Quanto a Complem receberá? Qual o prazo do arrendamento? Qual será a remuneração da cooperativa? Quais obrigações econômicas foram assumidas?

Essas condições continuam sem aparecer na campanha.

A Complem também afirma que empregos, patrimônio e produção serão preservados.

Então cabe detalhar: quantos empregados permanecerão na Complem, quantos passarão para a Piracanjuba e quantos foram ou serão desligados?

A campanha pede confiança.

A reportagem pede documentos.

Não existe incompatibilidade entre as duas coisas.

Se a situação financeira melhorou substancialmente em 2026, isso pode ser demonstrado.

A própria Complem lançou o desafio: “Não acredite em boato.”

Concordamos.

Não acredite.

Leia o balanço.

Peça o balancete.

Conheça o contrato.

Compare os números.

Porque transparência não é mostrar apenas o lado confortável da fotografia.

É entregar ao cooperado a fotografia inteira.