DOCUMENTO REVELA: DIREÇÃO E CONSELHOS DA COMPLEM SOMARAM R$ 155 MIL EM UMA ÚNICA FOLHA DE JUNHO
REMUNERAÇÃO SOB LUPA | Documento da cooperativa referente a junho de 2026 registra R$ 155.472,17 no total geral. Linha atribuída ao presidente Sérgio Penido apresenta R$ 54.625,36; três integrantes do Conselho Fiscal aparecem com R$ 5.761,55 cada.
Um documento interno da Complem obtido pelo Blog do Cleuber Carlos abre uma nova frente de questionamentos sobre os custos da estrutura de comando da cooperativa.
A folha, identificada como “Competência = Junho/2026” e com data de pagamento em 30 de junho, apresenta valores relacionados ao Conselho de Administração, conselheiros vogais e Conselho Fiscal.
E os números chamam atenção.
O total geral registrado no documento é de R$ 155.472,17.
No bloco do Conselho de Administração, a linha referente ao presidente Sérgio de Oliveira Penido apresenta R$ 40.768,50 na coluna de honorários e outros R$ 13.856,86 em coluna identificada no documento como valor para ajuste de desconto de IRRF.
O total registrado na linha chega a R$ 54.625,36.
Antônio José da Silva aparece com total de R$ 35.881,22, enquanto Jose Rodrigues Vargas registra R$ 24.634,74.
Somadas, as três linhas chegam aos R$ 115.141,32 indicados no próprio documento.
CONSELHOS TAMBÉM APARECEM NA FOLHA
Quatro integrantes identificados no bloco “Conselho Vogal” aparecem com R$ 5.761,55 cada, alcançando R$ 23.046,20.
No Conselho Fiscal, outros três nomes aparecem igualmente com R$ 5.761,55 cada. Total: R$ 17.284,65.
Somados os blocos apresentados, a própria folha registra:
R$ 155.472,17.
O documento ainda associa a remuneração a quantidades de litros de leite: 15 mil litros para presidente, 10 mil para o primeiro vice, 7 mil para o segundo vice e 2 mil para conselheiros vogais e fiscais.
Também consta referência ao preço de R$ 2,80 por litro naquela competência.
QUANTO ISSO CUSTA POR ANO?
É justamente aqui que surge uma questão que precisa ser respondida.
Se junho representar o padrão de remuneração dos demais meses — algo que a reportagem ainda irá verificar —, uma simples projeção matemática de R$ 155.472,17 por 12 meses alcançaria aproximadamente R$ 1,86 milhão.
Isso não significa que esse tenha sido o gasto anual efetivo. Para chegar ao número real, será necessário analisar as folhas dos demais meses.
Mas junho já oferece uma fotografia concreta.
E ela surge no momento em que a situação financeira da Complem está sob escrutínio.
O balanço de 2025 registra aproximadamente R$ 290 milhões em empréstimos e financiamentos, com cerca de R$ 187 milhões classificados no curto prazo.
A cooperativa também negocia com a Piracanjuba uma profunda reorganização de sua atividade industrial de lácteos.
A PERGUNTA AGORA É OUTRA
Os valores constantes da folha não demonstram, por si, qualquer irregularidade.
A questão passa a ser quem aprovou essa política de remuneração, qual deliberação assemblear a sustenta, como funciona o ajuste tributário indicado na folha e quanto efetivamente a estrutura de administração e fiscalização custou à cooperativa durante todo o exercício.
O próprio documento faz referência a uma ATA AGO de 31/03/2001, informação que também precisa ser confrontada com as deliberações posteriores aplicáveis.
O Blog do Cleuber Carlos continuará buscando as demais folhas e documentos relacionados aos pagamentos.
Porque, diante de uma cooperativa com R$ 290 milhões em empréstimos e financiamentos, a pergunta deixou de ser apenas quanto a Complem deve.
Agora é também:
quanto custa comandar a Complem — e quem decidiu que custaria isso?


E o ponto central vai muito além da situação financeira da cooperativa.
A Complem permanecerá responsável pela captação do leite, enquanto a Piracanjuba assumirá a operação industrial dos lácteos.
O documento também coloca sob análise eventuais cláusulas de exclusividade, preferência, não concorrência e obrigação de fornecimento.