quinta-feira, 3 de setembro de 2026

​JORNALISTA LEVA AO CADE QUESTIONAMENTOS SOBRE NEGÓCIO ENTRE COMPLEM E PIRACANJUBA

CONCORRÊNCIA SOB A LUPA | Manifestação pede que o órgão antitruste investigue concentração na compra de leite, independência da Complem, formação de preços, exclusividades e alternativas disponíveis aos produtores. Pergunta central é direta: depois do negócio, Complem e Piracanjuba continuarão realmente concorrendo pelo leite?

A operação entre Complem e Piracanjuba acaba de ganhar uma nova frente de questionamentos.

O jornalista Cleuber Carlos do Nascimento, editor do Blog do Cleuber Carlos, elaborou manifestação destinada ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) pedindo análise aprofundada dos efeitos concorrenciais do negócio.

E o ponto central vai muito além da situação financeira da cooperativa.

Quantos compradores verdadeiramente independentes restarão ao produtor de leite no Sul e Sudoeste de Goiás depois da operação?

A manifestação pede que o CADE examine a participação de Complem e Piracanjuba na captação regional de leite antes e depois do negócio, a capacidade dos compradores concorrentes e eventual poder econômico sobre os produtores.

Há outra pergunta ainda mais delicada.

A Complem permanecerá responsável pela captação do leite, enquanto a Piracanjuba assumirá a operação industrial dos lácteos.

Mas quem terá, na prática, poder sobre preço, volume, destino e condições econômicas dessa matéria-prima?

Se a cooperativa captar o leite, mas sua destinação econômica estiver vinculada à operação da Piracanjuba, será necessário determinar até que ponto a Complem continuará funcionando como compradora realmente independente.

O documento também coloca sob análise eventuais cláusulas de exclusividade, preferência, não concorrência e obrigação de fornecimento.

E cobra respostas sobre aquilo que ainda permanece longe dos olhos dos cooperados: quanto vale o negócio, quanto a Complem receberá, qual o prazo do arrendamento, quais garantias foram pactuadas e quais são as condições de saída.

O balanço de 2025 também entra no documento: são R$ 290,2 milhões em empréstimos e financiamentos, aproximadamente R$ 187 milhões deles no curto prazo.

A manifestação não afirma que exista irregularidade nem pede condenação antecipada.

Pede algo mais simples — e talvez mais incômodo:

que o negócio seja colocado inteiro sobre a mesa.

Porque a pergunta que agora chega ao campo concorrencial é objetiva:

a Complem continuará concorrendo com a Piracanjuba pela compra do leite ou passará a captar matéria-prima para uma cadeia econômica controlada pela própria Piracanjuba?

Para o produtor, a resposta pode significar a diferença entre ter concorrência para vender seu leite — ou apenas a aparência dela.


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