sábado, 7 de novembro de 2026

FAMÍLIA DE IDOSOS DENUNCIA INTIMIDAÇÃO, PERTURBAÇÃO DO SOSSEGO E POSSÍVEIS CRIMES AMBIENTAIS EM BELA VISTA DE GOIÁS

Moradores relatam sofrimento psicológico, suspeitas de rinhas de galos, vigilância da propriedade e morte de peixes; conflito já chegou à Justiça, enquanto família cobra providências das autoridades

BELA VISTA DE GOIÁS (GO) — O que deveria ser um ambiente de tranquilidade transformou-se, segundo denúncias encaminhadas ao Blog do Cleuber Carlos, em cenário de medo, desgaste psicológico e conflitos constantes. Uma família que vive em uma chácara no Parque dos Buritis, em Bela Vista de Goiás, denuncia uma sequência de situações envolvendo um vizinho, incluindo perturbação do sossego, supostas intimidações, interferências na propriedade, suspeitas de crimes ambientais e dificuldades para obter providências dos órgãos públicos.

O caso envolve os idosos José Marques Pacheco e Aparecida da Silva Marques, que já recorreram ao Poder Judiciário para tentar interromper parte das situações denunciadas.

A família afirma que a convivência se tornou insustentável e suspeita que as atitudes atribuídas ao vizinho tenham como objetivo pressionar os moradores a abandonar a propriedade. Essa possível intenção, entretanto, ainda depende de comprovação.

GALOS, BARULHO E SOFRIMENTO PSICOLÓGICO

Um dos principais motivos das reclamações seria a criação de galos na propriedade vizinha.

Segundo os denunciantes, os animais produzem ruídos frequentes, comprometendo o descanso e a tranquilidade dos moradores. A família também suspeita que os galos sejam utilizados em rinhas, prática que, quando envolve combates e maus-tratos, pode configurar crime ambiental.

Em mensagens encaminhadas à reportagem, uma moradora afirma que o vizinho aumentaria deliberadamente o volume de equipamentos sonoros, supostamente para estimular os animais.

A suspeita de realização de rinhas ainda precisa ser investigada pelas autoridades competentes.

A família relata que a situação afeta especialmente Aparecida da Silva Marques, que enfrenta problemas de saúde emocional.

A própria ação judicial informa que a idosa sofre de depressão, utiliza medicamentos e depende, juntamente com o marido, do auxílio financeiro dos filhos.

Segundo os familiares, o barulho constante e o ambiente de conflito contribuem para o agravamento de seu sofrimento psicológico. A relação direta entre os acontecimentos e o quadro clínico, contudo, depende de avaliação médica.

DENÚNCIAS DE VIGILÂNCIA E PERDA DA PRIVACIDADE

Outro aspecto preocupante envolve a alegação de que o vizinho estaria utilizando estruturas e equipamentos para observar a movimentação dentro da chácara.

Os denunciantes afirmam que câmeras teriam sido posicionadas de maneira a permitir o monitoramento de áreas da propriedade.

Em gravação de áudio encaminhada à reportagem, uma pessoa relata um episódio em que um homem supostamente estaria filmando a residência e teria escondido o equipamento ao perceber que sua conduta estava sendo observada.

A acusação ainda não foi confirmada de maneira independente.

A questão da privacidade, entretanto, já integra uma ação judicial.

No processo nº 5023064-66.2026.8.09.0017, que tramita na Vara Cível de Bela Vista de Goiás, os idosos denunciam que uma construção realizada pelo vizinho teria deixado aberturas voltadas diretamente para sua propriedade, permitindo a observação da rotina familiar.

A petição sustenta que os moradores passaram a se sentir constrangidos dentro da própria residência.

CONSTRUÇÃO, INFILTRAÇÕES E RISCO DE DESABAMENTO

O processo judicial, movido contra Sinomar Cruvinel, apresenta fotografias e uma série de alegações sobre intervenções na divisa entre os imóveis.

Segundo a petição, o requerido teria construído uma estrutura junto ao muro da família, sem observar o afastamento exigido para determinadas aberturas, além de instalar uma calha que direcionaria águas pluviais para o terreno dos idosos.

Os autores relatam infiltrações, rachaduras e comprometimento da estrutura do muro.

Também denunciam que, em 18 de dezembro de 2025, o vizinho teria elevado parte do muro sem autorização, utilizando tijolos diferentes daqueles empregados na construção original.

A família afirma que a intervenção agravou os problemas existentes.

A ação pede, em caráter de urgência, a retirada da calha, o fechamento das aberturas, a restauração do muro e a reparação dos danos.

O valor atribuído à causa é de R$ 30 mil.

As irregularidades descritas são objeto de alegações judiciais e ainda dependem da apreciação do Poder Judiciário. A documentação examinada pela reportagem não permite afirmar que tenha ocorrido decisão definitiva reconhecendo a responsabilidade do requerido.

SUSPEITA DE CONTAMINAÇÃO DA REPRESA E MORTE DE PEIXES

A família também apresenta uma denúncia de possível dano ambiental.

Segundo os relatos, pessoas teriam lançado material não identificado na água de uma represa existente na propriedade. Posteriormente, os moradores teriam constatado a morte de peixes, comprometendo a atividade de criação desses animais.

Os denunciantes afirmam possuir vídeos relacionados ao episódio.

A suspeita exige investigação técnica para identificar a natureza do material supostamente lançado, verificar as causas da mortandade e determinar eventual responsabilidade.

Se comprovado o lançamento de substâncias poluentes capazes de provocar danos ambientais, o episódio poderá ser analisado à luz da legislação de crimes ambientais.

Até o momento, não foi apresentado à reportagem laudo técnico que estabeleça a causa da morte dos peixes ou comprove a responsabilidade de determinada pessoa.

FAMÍLIA QUESTIONA ATUAÇÃO DA POLÍCIA E DOS ÓRGÃOS AMBIENTAIS

Um dos pontos centrais da denúncia é a alegada falta de resposta efetiva das autoridades.

Os moradores afirmam que procuraram a polícia em diferentes ocasiões, além de comunicar situações aos órgãos ambientais, mas não conseguiram uma solução para os problemas relatados.

Em mensagens encaminhadas à reportagem, uma integrante da família afirma que houve chamados policiais sem atendimento por viatura.

Também foram enviados registros de câmeras de segurança, alguns datados de agosto de 2026, que os denunciantes consideram relevantes para esclarecer episódios ocorridos nas proximidades da chácara.

A petição judicial acrescenta que a Prefeitura de Bela Vista de Goiás teria sido acionada para fiscalizar a construção vizinha.

Segundo os autores, um fiscal municipal compareceu ao local e teria identificado irregularidades relacionadas à calha e ao afastamento da construção. Apesar disso, a família afirma que não houve providência efetiva.

O Ministério Público também teria sido procurado.

Essas informações levantam questionamentos sobre quais procedimentos foram instaurados, quais fiscalizações efetivamente ocorreram e quais medidas foram adotadas pelos órgãos responsáveis.

A ausência de solução relatada pelos moradores, por si só, não comprova omissão ilegal dos agentes públicos. É necessário examinar os protocolos e as respostas oficiais.

DIREITO AO SOSSEGO, À SAÚDE E À SEGURANÇA

O artigo 1.277 do Código Civil assegura ao proprietário ou possuidor o direito de fazer cessar interferências prejudiciais à segurança, ao sossego e à saúde provocadas pela utilização de propriedade vizinha.

A legislação também prevê responsabilização em determinadas situações de perturbação do sossego e maus-tratos a animais.

No caso de Bela Vista de Goiás, as denúncias abrangem diferentes esferas jurídicas: direito de vizinhança, possível responsabilidade civil, eventuais infrações ambientais e condutas que podem exigir apuração criminal.

A gravidade do relato aumenta diante da condição de idosos dos moradores diretamente envolvidos e das alegações de comprometimento de sua saúde e segurança.

ATÉ QUANDO A FAMÍLIA TERÁ DE CONVIVER COM ESSA SITUAÇÃO?

A investigação conduzida pelo Blog do Cleuber Carlos procura esclarecer se os episódios denunciados representam conflitos pontuais entre vizinhos ou um conjunto reiterado de condutas que estaria comprometendo a tranquilidade e a permanência da família em sua propriedade.

A existência de uma ação judicial, fotografias e relatos acompanhados de registros audiovisuais demonstra que a situação ultrapassou o estágio de uma reclamação informal.

Isso não significa, entretanto, que todas as acusações estejam comprovadas.

A família cobra proteção, fiscalização e uma solução que lhe permita viver com segurança e tranquilidade.

O caso exige respostas objetivas da Prefeitura de Bela Vista de Goiás, das autoridades policiais, dos órgãos ambientais e das instituições que receberam as denúncias.

Cabe esclarecer quais providências foram adotadas, se existem investigações em andamento e se os moradores estão recebendo a proteção prevista em lei.

O Blog do Cleuber Carlos ressalta que as denúncias ainda estão sujeitas à apuração, preserva a presunção de inocência e assegura espaço para manifestação de Sinomar Cruvinel e dos órgãos públicos mencionados.

A questão central permanece: uma família de idosos que afirma viver sob constante perturbação e insegurança não pode ter seus pedidos de proteção ignorados. As denúncias precisam ser investigadas, os fatos esclarecidos e as responsabilidades, caso comprovadas, devidamente apuradas.

Blog do Cleuber Carlos — Jornalismo investigativo e compromisso com a informação.


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