terça-feira, 1 de setembro de 2026

PARCERIA COMPLEM–PIRACANJUBA VAI AO CADE — MAS QUANTO VALE O NEGÓCIO?

NEGÓCIO SOB ANÁLISE | Arrendamento transfere à Piracanjuba a operação industrial dos lácteos e envolve a marca Compleite. Transação depende de aprovação do CADE, mas valor, prazo, remuneração da cooperativa e condições contratuais ainda não foram divulgados.

A parceria entre Complem e Grupo Piracanjuba ganhou um novo elemento que aumenta a necessidade de transparência sobre o negócio.

A própria comunicação da operação informa que a conclusão da transação está condicionada à aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) e que, até a decisão definitiva, as duas instituições permanecerão atuando de forma autônoma e independente. 

Isso significa que não estamos diante apenas de um acordo informal de cooperação.

A operação envolve o arrendamento dos ativos industriais de produção de leite e da marca Compleite. A unidade de lácteos da Complem passará a ser operada exclusivamente pelo Grupo Piracanjuba. 

E é justamente aí que surgem perguntas ainda sem respostas públicas.

Quanto a Piracanjuba pagará à Complem pelo arrendamento? Qual é o prazo do contrato? Existe valor fixo mensal ou remuneração vinculada ao faturamento ou volume processado? Qual valor foi atribuído à marca Compleite? Quais máquinas, instalações e demais ativos estão incluídos? Existe opção ou preferência de compra futura? Quem pagará pelos investimentos prometidos na fábrica?

Até agora, esses números não foram divulgados.

300 MIL LITROS POR DIA

A dimensão econômica da operação é relevante.

A previsão divulgada é de processamento de aproximadamente 300 mil litros de leite por dia na unidade de Morrinhos. Também estão previstos investimentos capazes de potencialmente dobrar essa capacidade. 

A Complem continuará captando o leite, mantendo o relacionamento com os cooperados e realizando o pagamento aos produtores. Já o leite será destinado à Piracanjuba para industrialização.

Cerca de 200 trabalhadores atualmente vinculados à operação de lácteos da Complem deverão ser incorporados pela Piracanjuba

Ou seja: a cooperativa preserva a propriedade dos ativos, segundo sua versão, mas transfere a um grupo privado a execução de uma parte estratégica do negócio.

O QUE ESTÁ NO CADE?

O CADE possui mecanismos públicos específicos para consulta de Atos de Concentração e pesquisa processual. 

A reportagem realizou buscas nesta terça-feira (1º) pelos nomes Complem, Piracanjuba e termos relacionados à operação. Até o fechamento desta matéria, não foi localizado publicamente o número do processo referente à transação.

Isso não significa que a operação não tenha sido notificada. O processo pode estar em fase de protocolo ou autuação, ainda não ter sido disponibilizado na consulta pública ou possuir documentos submetidos com acesso restrito.

Mas a informação de que a conclusão depende do CADE abre uma nova frente de apuração.

Quando disponível, o processo poderá ajudar a esclarecer como a transação foi juridicamente estruturada, quais empresas efetivamente participam dela, quais mercados são afetados e qual é a dimensão econômica apresentada pelas partes ao órgão antitruste.

Pesquisa avançada de Atos de Concentração do CADE⁠

A PERGUNTA AGORA É QUANTO VALE

A Complem sustenta que não está vendendo patrimônio. Afirma que a operação é uma parceria estratégica destinada a proporcionar escala, eficiência e competitividade. 

Mas dizer que não houve venda não responde quanto vale o arrendamento.

Também não responde quanto a cooperativa receberá para permitir que uma das maiores empresas de lácteos do país opere sua estrutura industrial e explore comercialmente a Compleite.

É exatamente essa informação que interessa aos cooperados.

Se os ativos continuam pertencendo à Complem, quanto eles estão rendendo à Complem?

A reportagem buscará junto à cooperativa e ao Grupo Piracanjuba o número do processo no CADE, o valor econômico da operação, prazo do arrendamento, critérios de remuneração, relação dos ativos envolvidos e as condições para utilização da marca Compleite.

Porque a pergunta deixou de ser apenas por que a Complem entregou sua operação industrial.

Agora existe outra:

quanto a Complem receberá por isso?


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