quarta-feira, 2 de setembro de 2026

​ALGORITMO FECHOU A TORNEIRA: CANDIDATOS PERDEM VITRINE ORGÂNICA NO INSTAGRAM

ELEIÇÕES 2026 | Nova regra do TSE impede plataformas de recomendar e priorizar candidaturas por meio de seus sistemas algorítmicos. Na prática, chegar espontaneamente a quem ainda não segue o candidato ficou muito mais difícil — e seguidores conquistados antes da campanha ganharam ainda mais valor.

Uma mudança silenciosa está alterando profundamente a campanha eleitoral nas redes sociais.

O Tribunal Superior Eleitoral modificou as regras para 2026 e determinou que sistemas de recomendação não podem “ranquear, recomendar, sugerir ou priorizar” candidatos, campanhas, partidos, federações ou coligações. A determinação consta da Resolução TSE nº 23.755/2026. 

Na prática, isso atinge justamente uma das maiores máquinas de crescimento das campanhas digitais: o algoritmo.

No Instagram, um candidato poderia publicar um Reel e, dependendo do desempenho, ter aquele conteúdo entregue a milhares — ou milhões — de pessoas que nunca haviam seguido seu perfil.

É essa vitrine algorítmica que a nova regra busca fechar para as candidaturas.

Reportagem sobre a aplicação da norma aponta que as plataformas passaram a impedir a recomendação orgânica de perfis e publicações eleitorais a usuários que ainda não acompanham aquelas contas. O impulsionamento pago, dentro das regras eleitorais, continua sendo uma possibilidade. 

QUEM JÁ TEM SEGUIDORES SAI NA FRENTE?

A consequência política pode ser enorme.

Um candidato que chegou à campanha com centenas de milhares ou milhões de seguidores possui uma audiência própria já construída. Quem entrou na disputa praticamente desconhecido precisa encontrar outros caminhos para conquistar público.

Compartilhamentos, envio de conteúdo entre usuários, cobertura jornalística, busca direta pelo perfil e estratégias de mídia passam a ter peso ainda maior.

E dinheiro também.

Se o algoritmo deixa de funcionar como uma grande porta gratuita de descoberta de candidatos, o impulsionamento eleitoral pago tende a adquirir ainda mais importância para alcançar novos públicos.

Há, portanto, uma pergunta inevitável: uma regra criada para impedir favorecimento algorítmico poderá, como efeito indireto, aumentar a vantagem eleitoral de quem já chegou famoso às eleições?

REGRA JÁ PROVOCA POLÊMICA

A questão deixou de ser apenas teórica.

Casos recentes chegaram ao próprio TSE envolvendo candidatos que não teriam informado tempestivamente todos os seus perfis digitais. O ministro Dias Toffoli apontou possível vantagem decorrente da circulação algorítmica de contas que não estavam corretamente declaradas à Justiça Eleitoral. 

A Meta, responsável por Instagram e Facebook, também participou de reuniões promovidas pelo TSE sobre as regras aplicáveis às plataformas nas eleições de 2026. 

A campanha digital mudou.

Ter seguidores sempre foi importante. Agora, para candidatos, a audiência construída antes da eleição pode valer ainda mais.

E quem esperava usar apenas a força do algoritmo para sair do anonimato durante a campanha acaba de encontrar uma torneira muito mais fechada.


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