segunda-feira, 14 de setembro de 2026

​JUSTIÇA BARRA SHOWS APÓS COLAPSO NO TRANSPORTE ESCOLAR DE NOVA CRIXÁS

CRIANÇAS EM RISCO | MPGO relata alunos passando mais de cinco horas na estrada, veículos reprovados, superlotação, acidente e prestadores sem receber há até cinco meses.

A Justiça determinou que a Prefeitura de Nova Crixás regularize integralmente o transporte escolar e suspendeu novos gastos públicos com shows e apresentações artísticas enquanto o serviço não estiver funcionando normalmente.

A decisão, concedida em ação civil pública proposta pelo Ministério Público de Goiás, estabeleceu prazo de 24 horas para a retomada de todas as rotas. Se necessário, o município deverá realizar contratação emergencial e disponibilizar transporte alternativo no mesmo dia quando algum veículo apresentar defeito.

A ação, assinada pelo promotor Bernardo Monteiro Frayha, expõe uma situação alarmante. Uma planilha apresentada pela mãe de um estudante registrou 21 interrupções na Rota 16 entre 20 de janeiro e 6 de maio de 2026.

O Conselho Tutelar também encontrou veículos reprovados em vistoria, superlotação, ausência de cintos de segurança e bancos deteriorados. Crianças teriam sido transportadas sentadas sobre a estrutura do motor. Em março, um acidente durante o transporte rural teria deixado alunos feridos.

Documentos analisados pela Justiça mostram ainda que crianças de 6, 8 e 9 anos, além de um adolescente de 15, chegavam a passar mais de cinco horas por dia no trajeto entre suas casas e a escola.

A crise provocou a suspensão das aulas presenciais na Escola Municipal Rural Alvorada entre 3 e 14 de agosto. Ao MPGO, o secretário municipal de Educação confirmou que alguns prestadores estavam sem receber havia quatro ou cinco meses e que a frota própria permanecia parada, aguardando peças.

Enquanto faltavam ônibus e pagamentos, o município realizou contratações de apresentações artísticas. Por isso, a Justiça proibiu novos gastos com shows, palco, som, iluminação e estruturas de eventos até a completa regularização do transporte.

Veículos irregulares deverão ser substituídos em dez dias. A prefeitura também terá de contratar monitores, apresentar um plano de regularização e quitar os atrasados. O descumprimento poderá gerar multa de R$ 5 mil por dia para cada obrigação violada.

O problema é reincidente: Nova Crixás já havia firmado acordo com o MPGO em 2017 e foi novamente acionada judicialmente em 2022 pelo mesmo motivo. A pergunta agora é inevitável: por que, quase uma década depois, crianças da zona rural continuam pagando o preço?


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