terça-feira, 1 de setembro de 2026

COMPLEM TEM R$ 267,7 MILHÕES A RECEBER DE COOPERADOS E CLIENTES — MAS NÃO DETALHA QUEM DEVE

CAIXA SOB PRESSÃO | Enquanto cooperativa acumula R$ 290,2 milhões em empréstimos e financiamentos e gastou R$ 33,6 milhões apenas com juros em 2025, balanço revela carteira bruta de R$ 267,7 milhões em créditos contra cooperados e clientes. Fonte relata concessões elevadas de crédito e sucessivas renovações. Complem foi questionada, mas ainda não respondeu.

O balanço de 2025 da Complem abriu uma nova frente de questionamentos sobre a situação financeira da cooperativa.

A entidade encerrou o ano com R$ 267,7 milhões brutos a receber de cooperados e clientes. Após uma provisão de R$ 14,5 milhões para possíveis perdas, o saldo líquido ficou em R$ 253,1 milhões

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O volume chama atenção porque representa aproximadamente 39% de todo o ativo da Complem.

E ocorre justamente num momento em que a cooperativa possui R$ 290,2 milhões em empréstimos e financiamentos, dos quais R$ 187 milhões venciam no curto prazo. 

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Só os juros desses empréstimos consumiram R$ 33,6 milhões em 2025

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A pergunta, portanto, é inevitável:

quem deve quase R$ 268 milhões à Complem?

O balanço não apresenta a relação dos maiores devedores, não informa quanto está concentrado nos principais cooperados ou clientes e tampouco detalha quanto da carteira está vencida em 30, 60, 90 ou mais de 180 dias.

A própria Complem informa que constitui sua provisão para créditos de liquidação duvidosa com base nos valores vencidos há mais de 180 dias. 

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Uma fonte ouvida pelo Blog do Cleuber Carlos afirma, contudo, que alguns cooperados teriam acesso a volumes elevados de crédito e, em determinados casos, fariam pagamentos apenas parciais no vencimento antes de receber novas liberações para continuar suas operações.

A denúncia é grave e ainda precisa ser comprovada documentalmente.

O próprio balanço apresenta a versão oposta: afirma que os riscos de crédito são administrados mediante análise dos clientes e associados, limites de exposição e acompanhamento por um comitê financeiro, além de classificar a carteira como pulverizada. 

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Por isso, o Blog encaminhou à Complem perguntas objetivas sobre os maiores devedores, concentração dos recebíveis, garantias oferecidas, inadimplência e eventual renovação de créditos vencidos.

Até a publicação desta matéria, não houve resposta.

Outro ponto merece atenção.

A Complem divulgou R$ 12,19 milhões em sobras líquidas em 2025. balanco-2025_e05.pdf No mesmo exercício, porém, foram contabilizados R$ 17,9 milhões em crédito tributário de PIS/Cofins, R$ 22,5 milhões em compensações ou ressarcimentos de PIS/Cofins e R$ 10,2 milhões relativos ao ProGoiás e benefícios fiscais. 

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Somadas, essas três rubricas chegam a aproximadamente R$ 50,8 milhões.

Num exercício meramente comparativo, retirando-se essas três receitas do resultado divulgado, o número passaria de uma sobra de R$ 12,19 milhões para aproximadamente R$ 38,6 milhões negativos.

Isso não significa que o balanço esteja errado — o auditor independente emitiu opinião sem ressalvas e afirmou que as demonstrações representam adequadamente a situação financeira da cooperativa. 

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Mas aumenta a necessidade de transparência sobre a origem das receitas tributárias e, principalmente, sobre os R$ 267,7 milhões que a Complem ainda tem para receber.

Porque, diante de quase R$ 290 milhões tomados nos bancos, a pergunta que passa a valer milhões é simples:

quanto desse dinheiro emprestado está financiando a própria carteira de cooperados e clientes — e qual é o risco real de recebimento?


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