sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

TRAIR NÃO É CRIME. MATAR É.

O título pode incomodar. Pode soar duro. Mas ele não é opinião — é constatação jurídica.

No Brasil, traição conjugal não configura crime. Desde 2005, com a revogação do antigo crime de adultério (art. 240 do Código Penal), o Estado deixou claro que infidelidade é matéria de foro íntimo, moral ou eventualmente cível — jamais penal. Pode gerar dor. Pode gerar ruptura. Pode gerar divórcio. Pode gerar discussão patrimonial. Mas não gera cadeia.


Já o homicídio é crime tipificado no artigo 121 do Código Penal.

Quando envolve filhos, pode configurar qualificadoras.

Quando há impossibilidade de defesa da vítima, há agravantes.

Quando a vítima é menor, a gravidade é ainda maior.


Ou seja: o ordenamento jurídico brasileiro faz distinção clara entre falha moral e crime penal.


Confundir as duas coisas é abrir espaço para relativizações perigosas.


Infidelidade pode ser considerada deslealdade afetiva.

Homicídio é violação absoluta do direito fundamental à vida, protegido pela Constituição Federal no artigo 5º.


É por isso que o título não é provocação. É delimitação moral e jurídica.


A dor pode explicar um estado emocional.

Mas, perante a lei, apenas o ato é julgado.


E o ato que a lei julga é matar.


Quando o sofrimento vira gatilho, a responsabilidade continua sendo individual — e intransferível.

Há momentos em que a cidade para.

Não por respeito apenas. Mas por perplexidade.

Itumbiara já conheceu o luto político. Já conheceu a violência pública. Já assistiu a tiros interromperem carreiras, sonhos e lideranças. Mas o que se viu agora atravessa outro território — o da intimidade dilacerada que explode para fora.

O texto deixado é um grito.

É dor, é frustração, é sensação de traição, é humilhação pública.

Mas é também uma construção narrativa que tenta explicar o inexplicável.

E aqui é preciso dizer com todas as letras:

dor não é álibi.

Traição machuca.

Decepção corrói.

Confirmação em imagem fere mais que suspeita.

Mas nada — absolutamente nada — autoriza transformar sofrimento em sentença de morte, sobretudo contra filhos.

O contexto pode ser analisado.

A responsabilidade pelo ato é pessoal e intransferível.

Há uma linha moral que separa sofrimento de violência. Quando alguém decide cruzá-la, não é a dor que puxa o gatilho. É a escolha.

O discurso de despedida mistura fé, arrependimento, pedidos de perdão e justificativas emocionais. Revela um homem ferido. Mas revela também consciência. E consciência significa responsabilidade.

É duro dizer isso quando a cidade ainda chora.

Mas é necessário.

Porque quando começamos a diluir culpa no ambiente, no relacionamento, na traição, na humilhação pública, abrimos espaço para uma narrativa perigosa: a de que o sofrimento legitima o ato extremo.

Não legitima.

Nada justifica a execução de inocentes.

Nada transforma frustração conjugal em tragédia coletiva moralmente compartilhada.

A infidelidade, se houve, é falha moral.

O homicídio é crime absoluto.

São categorias diferentes. Não se confundem.

Há também uma segunda tragédia: a tentativa de romantização do desespero. A ideia de que “era intenso”, de que “não suportou”, de que “agiu com coração dilacerado”. Intensidade não é virtude quando se converte em violência.

Uma cidade precisa ter coragem de separar compaixão por sofrimento psicológico de tolerância moral ao ato praticado.

Pode-se lamentar o colapso emocional.

Pode-se reconhecer o estado de desespero.

Pode-se discutir saúde mental, orgulho ferido, cultura da honra, fragilidade masculina diante da exposição pública.

Mas não se pode repartir a culpa.A responsabilidade é de quem decidiu transformar dor em destruição.

Quando filhos se tornam vítimas da ruptura dos adultos, a sociedade inteira precisa reafirmar um princípio básico:

adultos respondem por seus atos. Sempre.

A cidade pode chorar.

A família pode sofrer.

Amigos podem lembrar qualidades.

Mas a verdade permanece.

Dor explica.

Não absolve.


Gustavo Gayer Se Aproxima de Daniel Vilela e Perde Apoio de Bolsonaristas

Aproximação com Daniel Vilela reacende berço político familiar e tensiona identidade bolsonarista em Goiás

Nos bastidores da política goiana, um movimento tem provocado ruído dentro do Partido Liberal. O deputado federal Gustavo Gayer, um dos principais nomes do bolsonarismo no estado, passou a defender diálogo e eventual aproximação com o vice-governador Daniel Vilela, liderança central do Movimento Democrático Brasileiro (MDB).

O gesto não é apenas eleitoral. É simbólico.

Daniel representa o MDB — partido que marcou a trajetória política de Maria da Conceição Gayer, mãe de Gustavo Gayer, que foi vereadora por Goiânia na década de 1980 pela legenda em um período de redemocratização. O MDB foi, naquele contexto, abrigo institucional da oposição ao regime militar e espaço de formação política para diversas lideranças goianas.

Décadas depois, o filho surge como expoente do bolsonarismo, eleito pelo PL, partido que se consolidou nacionalmente como a principal casa política do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A aproximação, portanto, produz uma interseção delicada: passado familiar em um partido histórico de centro e presente político vinculado a uma direita ideológica mais rígida.

O racha interno

O movimento ocorre em meio ao debate interno no PL sobre candidatura própria ao governo de Goiás. Parte da legenda defende o nome do senador Wilder Moraes como alternativa de enfrentamento direto ao grupo governista. Outra ala, mais pragmática, avalia a construção de alianças amplas como estratégia eleitoral.

Ao dialogar com Daniel Vilela, Gayer sinaliza preferência por composição. Isso não significa rompimento formal com o bolsonarismo — mas tensiona o discurso de independência partidária que marcou sua trajetória recente.

Na política, símbolos pesam. E alianças contam histórias.

Identidade ou estratégia?

A pergunta que emerge é objetiva: trata-se de inflexão ideológica ou cálculo eleitoral?

O MDB goiano mantém diálogo com diferentes correntes políticas, inclusive setores que não se identificam com a pauta bolsonarista mais ortodoxa. A aproximação, portanto, desloca o eixo da narrativa pura para a lógica da viabilidade.

Em termos práticos, o movimento pode ser lido como pragmatismo. Em termos simbólicos, como retorno — ainda que indireto — ao ambiente político que marcou a formação familiar.

A política raramente é linear. E em Goiás, as fronteiras entre identidade, memória e conveniência eleitoral começam a se misturar.

O que está em jogo não é apenas uma aliança. É a definição de qual PL se apresentará ao eleitor goiano: o da pureza ideológica ou o da composição estratégica.

E essa resposta pode redefinir o tabuleiro de 2026.


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

NÃO FOI “SURTO”: PSICOTERAPEUTA PROVOCA DEBATE SOBRE POSSE, HONRA E CONTROLE NO CASO DE ITUMBIARA

Análise publicada nas redes sociais desloca o foco da tragédia do “descontrole” para a lógica de poder dentro das relações

A tragédia que abalou Itumbiara continua gerando repercussões que ultrapassam o campo policial. Nas redes sociais, o psicoterapeuta Rodolfo Calazans publicou uma reflexão que provocou forte debate ao questionar a narrativa simplificada de que o episódio teria sido fruto de um “surto” ou de um momento de “perda da cabeça”.


O texto não trata de laudo. Não apresenta diagnóstico clínico formal. Mas propõe uma leitura comportamental contundente: segundo ele, o que se viu não foi explosão emocional descontrolada, e sim uma lógica de posse, honra e necessidade de manter controle narrativo.


Essa interpretação desloca o eixo da discussão.


Em vez de reduzir o episódio a impulso irracional, o autor sugere que há uma estrutura simbólica por trás de crimes dessa natureza: a ideia de que família pode ser tratada como patrimônio, que traição pode ser convertida em justificativa moral e que o agressor busca, no ato extremo, garantir a “última palavra”.


A provocação é relevante porque toca em um ponto sensível: a cultura da honra como legitimadora de violência.


Calazans afirma que colocar traição e homicídio na mesma balança cria um “falso equilíbrio” — tese que reforça uma distinção fundamental no debate jurídico e moral: erro relacional não é crime; assassinato é.


A análise também critica o que chama de “sanitização do mal”, expressão usada para condenar tentativas de romantizar o ato com linguagem espiritualizada ou simbólica.


É importante registrar: trata-se de interpretação psicológica publicada em ambiente opinativo. A motivação concreta do autor do crime é matéria de investigação oficial. Nenhuma conclusão sobre intenção pode substituir apuração técnica das autoridades.


Ainda assim, a reflexão amplia o debate público ao questionar padrões culturais que, historicamente, já foram utilizados para relativizar violência dentro do ambiente familiar.


Ao trazer essa leitura para o centro da discussão, o psicoterapeuta não encerra o tema — ele o complexifica.


E complexificar é necessário quando a tragédia corre o risco de ser simplificada.

ARTIGO DE RODOLFO CALAZANS

Segue a transcrição na íntegra 

rodolfocalazans

O caso de Itumbiara não é apenas uma tragédia local, é a materialização terminal de algo que eu vejo, em pequenas doses, todos os dias no consultório: a posse disfarçada de amor.

Li a carta deixada pelo autor e, como psicoterapeuta, o que vi ali não foi dor, foi estratégia.

Ele não matou por “perder a cabeça”. Ele matou para garantir que teria a última palavra.

Precisamos dar nome aos bois:

O uso da “Honra”: Quando um homem usa a traição da parceira para justificar o extermínio dos próprios filhos, ele não está defendendo sua dignidade.

Ele está tratando pessoas como patrimônio.

Se o “bem” (a família) não serve mais à sua imagem, ele o destrói.

A Sanitização do Mal: Chamar as vítimas de “anjos que vieram comigo” é a tentativa final de higienizar a crueldade.

Ele não os levou para o céu, ele os arrancou da vida para punir quem ficou.

O Falso Equilíbrio: Traição é um erro relacional, uma falha de caráter.

Violência é crime, é perversão. Tentar colocar os dois na mesma balança é validar a lógica de quem mata.

O amor protege, liberta e, no limite, deixa ir.

O que mata é o ego ferido de quem não suporta perder o controle da narrativa.

Se você vive em um relacionamento onde o “respeito” é usado como ameaça e o controle dita as regras, entenda: isso não vai melhorar com o tempo. Isso só acaba com consciência e limites claros.

A autonomia emocional não é apenas um desejo, em muitos casos, ela é uma estratégia de sobrevivência.

Meus sentimentos à família e, principalmente, à mãe que agora precisa reconstruir o impossível.

#RodolfoCalazans #Psicoterapia #Itumbiara #RelacionamentosToxicos #narcisista



Vídeos de Detetive Antecederam o Desfecho Trágico em Itumbiara

Fotos e filmagens produzidas por detetive particular antecederam a tragédia e expõem o lado brutal da confirmação digital

Itumbiara não está apenas tentando entender uma tragédia. Está tentando compreender o que a antecedeu.

Antes do desfecho devastador envolvendo Thales Machado, houve um movimento silencioso. Houve contratação. Houve deslocamento interestadual. Houve vigilância privada.

E houve registro.

Um detetive particular foi contratado para acompanhar encontros da esposa do secretário com um empresário na cidade de São Paulo. O profissional realizou fotografias e filmagens. O material foi produzido dentro dos limites técnicos da investigação privada e posteriormente enviado ao contratante.

O conteúdo chegou.

A partir daí, a linha do tempo deixa de ser apenas factual e passa a ser emocional.

A confirmação como ponto de ruptura

Suspeita machuca.

Mas imagem confirma.

A diferença entre imaginar e assistir é brutal. Quando a dor deixa de ser hipótese e se materializa em vídeo, ela rompe qualquer zona de negação. Não há mais espaço para dúvida. Só resta confronto.

É aqui que a tragédia começa a ganhar contornos mais complexos.

Não se trata de justificar atos extremos. Não se trata de atribuir causalidade simplista. Mas ignorar o impacto psicológico de um material dessa natureza seria tratar o público como ingênuo.

A sequência é objetiva:

– Desconfiança.

– Contratação de detetive.

– Produção de fotos e vídeos.

– Envio do material.

– Colapso.

Os fatos estão organizados nessa ordem.

O limite entre o direito e a exposição

A contratação de detetive particular, quando realizada dentro da legalidade, é instrumento lícito de produção de prova para fins pessoais ou judiciais. O problema começa quando a dor privada ganha dimensão pública.

Este blog não publica as imagens. Não reproduz vídeos.

Não transforma sofrimento em audiência.

O jornalismo sério não se confunde com curiosidade mórbida.

Mas há um fato que precisa ser dito: a tecnologia amplificou a violência emocional. Hoje, a confirmação de uma traição não chega por relato. Chega por arquivo digital. Chega em alta definição. Chega repetível.

Você pode assistir de novo. E de novo. E de novo.

Isso não é detalhe. Isso é dinamite psicológica

A política não blinda ninguém

Thales era visto como figura técnica, articulador estratégico, homem de confiança dentro da gestão municipal. Inteligente, respeitado, com trânsito político consolidado.

Mas cargos não blindam emoções.

Autoridade não impede colapso.

E poder público não imuniza contra dor privada.

Existe uma tendência perigosa de tratar homens públicos como se fossem estruturas de concreto. Não são. São seres humanos submetidos às mesmas fragilidades que qualquer outro — com a diferença de que, quando caem, o impacto é coletivo

O que não pode ser feito agora

O que não pode acontecer é a instrumentalização da tragédia.

Não pode haver uso político do material.

Não pode haver circulação clandestina de imagens.

Não pode haver tribunal digital movido por curiosidade.

Há uma cidade em luto.

Há famílias destroçadas.

Há um trauma coletivo em formação.

Itumbiara já carregava cicatrizes profundas após o assassinato de Zé Gomes da Rocha. Agora enfrenta outro tipo de abismo — menos político, mais íntimo, mas igualmente devastador.

A pergunta que fica

Vivemos na era da prova instantânea.

Mas estamos preparados para o peso emocional daquilo que pedimos para ver?

A verdade, quando transformada em vídeo, deixa de ser conceito e vira impacto direto na psique.

E talvez a reflexão mais dura seja esta:

Nem toda confirmação fortalece.

Algumas destroem.

Itumbiara não discute apenas um fato.

Discute os limites entre investigação, dor e responsabilidade.

E essa discussão não termina com o fim de uma tragédia.