sábado, 12 de setembro de 2026

​AS MINHAS CICATRIZES, O MEU ORGULHO

EDITORIAL | Não cheguei até aqui por atalhos. Minha história foi construída diante dos microfones, nas redações, nos estádios, nas ruas e nos tribunais.

Quando olho para trás, não vejo apenas fotografias, diplomas ou medalhas. Vejo uma vida inteira dedicada ao jornalismo. Vejo as noites sem dormir, as viagens intermináveis, as portas fechadas, as críticas, as perseguições e os processos. Cada dificuldade deixou uma cicatriz. E cada cicatriz se transformou em motivo de orgulho.

Comecei no rádio ainda jovem, na Rádio Pousada do Rio Quente. Fundei o Jornal Folha Regional, em Caldas Novas, passei pela Rádio Clube, Rádio Jornal de Inhumas, Rádio Difusora, Brasil Central, Rádio 730 e tantas outras emissoras. Trabalhei ao lado de gigantes da comunicação e do esporte brasileiro.

Participei de três Copas do Mundo como narrador e repórter. Em 1994, nos Estados Unidos, narrei 34 partidas. Em 1998, na França, foram 29 jogos. Em 2002, diretamente da Coreia do Sul e do Japão, bati meu recorde pessoal: 52 partidas narradas. Ao todo, foram 115 jogos de Copa do Mundo levados ao público pela minha voz.

Não foram números construídos em estúdio ou inventados depois que o tempo passou. Eu estava lá. Vi Romário, Bebeto, Ronaldo, Rivaldo, Cafu e tantos outros escreverem a história do futebol. Cruzei oceanos carregando equipamentos, informações e o compromisso de contar ao ouvinte exatamente o que acontecia.

Depois vieram a televisão, os programas que idealizei e o Blog do Cleuber Carlos. Quando poucos acreditavam na força da internet, escolhi o caminho digital. Transformei o blog em trincheira de informação, fiscalização e independência. Foram milhares de matérias, milhões de acessos e incontáveis enfrentamentos.

Paguei um preço alto por não aceitar coleira. Enfrentei mais de 150 processos. Tentaram me calar, desacreditar minha trajetória e transformar minha coragem em defeito. Não conseguiram. Continuei escrevendo, investigando e incomodando.

Também vieram os reconhecimentos: a Medalha do Mérito Legislativo Pedro Ludovico Teixeira, a maior honraria da Assembleia Legislativa de Goiás; o Diploma de Mérito Legislativo; e o Diploma de Honra ao Mérito concedido pela Câmara Municipal de Goiânia. Essas condecorações não apagam as feridas. Elas confirmam que a caminhada valeu a pena.

Não sou perfeito. Cometi erros, fiz escolhas difíceis e muitas vezes caminhei sozinho. Mas nunca abandonei aquilo em que acredito.

As medalhas ficam no peito. Os diplomas, na parede. As Copas, na memória. As cicatrizes permanecem na alma.

E são justamente elas que contam quem eu sou.

As minhas cicatrizes são o meu orgulho.


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