XADREZ ELEITORAL | Entrada do goiano na corrida presidencial cria uma variável inesperada no cenário nacional e pode produzir reflexos diretos em Goiás. Uma eventual dobradinha entre Pablo Marçal e Marconi Perillo daria ao presidenciável um palanque competitivo no Estado e permitiria ao tucano construir uma alternativa à polarização nacional.
A entrada de Pablo Marçal (PRTB) na disputa pela Presidência da República acrescentou uma peça imprevisível ao tabuleiro eleitoral de 2026.
O PRTB protocolou no sábado (15) o pedido de registro da candidatura de Marçal, tendo Leonardo Avalanche como vice. O movimento aconteceu depois de uma decisão provisória da Justiça Eleitoral permitir sua refiliação ao partido com efeitos retroativos. Existe, entretanto, uma enorme batalha jurídica pela frente: Marçal permanece atingido por decisões de inelegibilidade e precisará superar esse obstáculo para efetivamente disputar a eleição. (Correio Braziliense)
Politicamente, porém, sua entrada já abre novas possibilidades.
E Goiás pode ser um dos Estados onde essa movimentação terá maior impacto.
Goiano, Marçal possui forte presença nas redes sociais e capacidade própria de mobilização. Ao mesmo tempo, o PRTB em Goiás está no campo político de apoio à candidatura de Marconi Perillo (PSDB) ao governo.
É justamente aí que surge uma combinação eleitoral potencialmente interessante para os dois lados.
MARÇAL PRECISA DE PALANQUE. MARCONI PODE GANHAR UMA TERCEIRA VIA
Uma eventual aproximação permitiria a Marconi oferecer a Marçal estrutura e palanque político em seu Estado natal. Em contrapartida, Marçal poderia acrescentar à campanha tucana um eleitorado digital e uma parcela do voto conservador que não necessariamente se identifica integralmente com o bolsonarismo.
Para Marconi, haveria ainda outra vantagem estratégica: escapar da obrigação política de escolher um dos polos nacionais.
Em vez de ficar comprimido entre Lula e Flávio Bolsonaro, poderia construir uma campanha estadual associada a uma candidatura presidencial própria de seu campo de alianças.
Para Marçal, Marconi representaria algo igualmente valioso: um candidato competitivo ao governo de Goiás e uma estrutura política estadual capaz de transformar popularidade digital em palanque eleitoral.
MARÇAL PODE TIRAR VOTOS DE FLÁVIO?
No cenário nacional, essa é uma das grandes perguntas abertas.
Marçal chegou a declarar apoio a Flávio Bolsonaro em dezembro de 2025. Agora, porém, os dois podem acabar disputando parcelas semelhantes do eleitorado. (CNN Brasil)
Isso não significa que Marçal já possa ser apontado como favorito ao segundo turno. As pesquisas nacionais anteriores à sua entrada mostravam Lula e Flávio Bolsonaro muito à frente dos demais candidatos. Na CNT/MDA divulgada em 11 de agosto, por exemplo, Lula aparecia com 42,4% e Flávio com 28,7%; os demais nomes estavam abaixo de 5%. (Reuters)
A incógnita agora é medir quanto Marçal consegue capturar depois de oficialmente entrar no tabuleiro.
Sua candidatura pode disputar votos especialmente no campo conservador, alterar estratégias de campanha e obrigar Flávio Bolsonaro a defender um eleitorado que até agora aparecia relativamente concentrado.
E GOIÁS PODE SENTIR O EFEITO
Marconi também precisa crescer. Pesquisa Quaest divulgada em 30 de julho colocou Daniel Vilela com 37% e Marconi com 21% no primeiro turno. (UOL Notícias)
Por isso, uma associação com um presidenciável goiano de grande alcance digital poderia criar um fato novo na campanha estadual.
O acordo teria uma lógica simples: Marçal ganharia palanque em Goiás; Marconi ganharia um presidenciável para chamar de seu.
Se essa convergência realmente ocorrer e sobreviver às decisões da Justiça Eleitoral, a candidatura de Pablo Marçal poderá deixar de ser apenas uma novidade nacional.
Ela poderá mexer diretamente na eleição de Goiás — e oferecer a Marconi Perillo uma oportunidade de reposicionamento justamente na reta decisiva da disputa pelo Palácio das Esmeraldas.
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