LUTO NO FUTEBOL | Técnico morreu aos 64 anos após passar mal durante uma atividade do Nova Lavras, em Minas Gerais. Dono de 15 acessos na carreira, Zé Humberto criou raízes profundas em Goiás, comandou 12 clubes do estado e esteve à frente do Itumbiara na campanha que teve Bruno Henrique como protagonista em 2014.
Morreu um daqueles treinadores que ajudaram a escrever a história do futebol longe dos grandes holofotes. José Humberto de Oliveira, o Zé Humberto, conhecido como “Rei do Acesso”, morreu aos 64 anos após passar mal durante uma atividade do Nova Lavras, em Minas Gerais.
Ele havia assumido o clube recentemente e se preparava para mais uma missão que conhecia como poucos: disputar uma divisão de acesso.
Zé Humberto foi socorrido e levado para atendimento médico, mas não resistiu. A causa oficial da morte ainda não havia sido divulgada.
Para o futebol goiano, a perda tem significado especial.
Poucos treinadores de fora construíram uma relação tão extensa com os clubes de Goiás. Zé Humberto passou por 12 equipes goianas, trabalhando em diferentes momentos no Itumbiara, Goiânia, Jataiense, Trindade, Goianésia, Rio Verde, Anápolis, Mineiros e Santa Helena, entre outros.
Foi justamente no Itumbiara que escreveu alguns dos capítulos mais lembrados de sua passagem pelo estado.
Em 2007, levou o clube ao terceiro lugar no Campeonato Goiano. Sete anos depois, retornou para comandar a campanha que devolveu o Gigante da Fronteira à primeira divisão.
Naquele time havia um atacante ainda distante da fama que conquistaria no futebol brasileiro: Bruno Henrique.
Sob o comando de Zé Humberto, Bruno Henrique ganhou protagonismo. Marcou sete gols em 11 jogos na Divisão de Acesso e fez o gol que garantiu antecipadamente o retorno do Itumbiara à elite em 2014.
Anos depois, aquele atacante passaria por Goiás, Wolfsburg, Santos e se transformaria em ídolo do Flamengo.
A história de Zé Humberto, entretanto, não se resume a um jogador ou a um clube.
Foram 15 acessos conquistados como treinador, número que explica o apelido que carregou pelo futebol brasileiro. Era chamado quando o desafio era montar time, enfrentar campeonato duro e subir de divisão.
Antes de ocupar a área técnica, também viveu o futebol dentro das quatro linhas. Como meio-campista, defendeu vários clubes e vestiu a camisa do Santos entre 1990 e 1992.
Depois vieram décadas à beira do gramado, títulos, acessos e incontáveis viagens pelo futebol do interior brasileiro.
Zé Humberto morreu justamente quando começava outro desses desafios.
O treinador que passou a carreira levando clubes para cima deixa agora uma história especialmente ligada a Goiás.
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