quarta-feira, 19 de agosto de 2026

ALCIDES, JEFERSON, FLÁVIA E LEOZÃO: QUEM SOBREVIVE À MATEMÁTICA DO PSDB?

ELEIÇÕES 2026 | Com 18 candidatos a deputado federal e projeções apontando para apenas uma ou duas cadeiras, PSDB coloca nomes de peso numa disputa interna em que votos, bases regionais e capacidade de puxar a chapa podem decidir quem chegará a Brasília.

ELEIÇÕES 2026 | Federação PSDB-Cidadania registra 18 candidatos à Câmara dos Deputados e reúne dois deputados federais em busca da reeleição, ex-prefeitos e nomes tradicionais. Com projeções de bastidores apontando para uma ou, no melhor cenário, duas cadeiras, a disputa promete ser acirrada dentro da própria chapa.

Com Marconi Perillo novamente candidato ao Governo de Goiás, o PSDB tenta reconstruir também sua representação na Câmara dos Deputados. A Federação PSDB-Cidadania registrou 18 candidatos a deputado federal, dentro de uma chapa que soma 68 candidaturas entre todos os cargos. (Folha Z⁠)

O desafio é matemático.

Goiás elegerá 17 deputados federais em outubro. Dentro da chapa tucana, porém, avaliações de analistas e interlocutores ouvidos nos bastidores projetam um cenário muito mais apertado: uma cadeira como hipótese mais conservadora e duas em um desempenho mais forte da federação.

Se essa projeção se confirmar, a eleição poderá produzir uma verdadeira disputa voto a voto entre os principais puxadores da nominata.

PROFESSOR ALCIDES PARTE COM VOTO COMPROVADO

Professor Alcides aparece naturalmente entre os nomes de maior peso eleitoral da chapa.

Ele busca a terceira eleição consecutiva para a Câmara. Em 2018, conquistou 88.545 votos e, em 2022, aumentou ligeiramente sua votação, chegando a 90.162 votos.

Há, portanto, um ativo que nenhum cálculo pode ignorar: Alcides já demonstrou capacidade de alcançar aproximadamente 90 mil votos em duas eleições consecutivas.

Sua principal fortaleza continua sendo Aparecida de Goiânia, município onde construiu sua trajetória política.

Existe, entretanto, uma diferença fundamental: em 2022 ele estava no PL. Agora disputa pelo PSDB, em uma estrutura partidária diferente e contra concorrentes fortes dentro da própria federação. (Wikipédia⁠)

JEFERSON RODRIGUES TAMBÉM DEFENDE MANDATO

Outro nome que começa a campanha com vantagem objetiva é Jeferson Rodrigues.

O parlamentar também tenta renovar o mandato e integra, ao lado de Alcides, a dupla de deputados federais atualmente na chapa tucana. A própria relação oficial da federação destaca os dois como candidatos à reeleição. (Folha Z⁠)

Jeferson chegou à Câmara depois de obter 56.026 votos em 2022.

Sua vantagem está justamente na existência de uma estrutura eleitoral estadual já testada. Seu desafio será conservar essa rede depois da mudança partidária e, simultaneamente, enfrentar uma chapa em que outro parlamentar busca exatamente o mesmo eleitor necessário para conquistar uma das poucas cadeiras projetadas.

FLÁVIA DO MAGUITO É A GRANDE INCÓGNITA

Se Alcides e Jeferson possuem votos anteriores que podem ser colocados sobre a mesa, Flávia Teles, a Flávia do Maguito, representa uma aposta diferente.

Ela carrega um dos sobrenomes politicamente mais conhecidos de Goiás.

Viúva do ex-governador e ex-prefeito de Aparecida de Goiânia Maguito Vilela, Flávia tenta transformar esse capital político em voto próprio.

Sua candidatura também vem construindo alianças regionais. Em Goianésia, por exemplo, formou dobradinha com o deputado estadual José Machado.

O ponto central é que Flávia ainda precisa demonstrar nas urnas quanto desse patrimônio político será convertido em voto nominal.

Se conseguir construir uma votação expressiva em Aparecida, Goiânia e avançar pelo interior, pode entrar diretamente na disputa pelas primeiras posições da chapa.

HENRIQUE ARANTES TEM HISTÓRICO ELEITORAL

Outro nome que não pode ser desprezado é Henrique Arantes.

Ex-deputado estadual, Henrique possui experiência eleitoral e estrutura política. Em 2022 recebeu 25.694 votos para deputado estadual e ficou na suplência.

Já teve desempenho superior em eleições anteriores e conhece uma disputa proporcional em escala estadual.

A dificuldade agora é outra: eleição para deputado federal exige ampliar significativamente essa votação.

LEOZÃO APOSTA EM GOIANÉSIA E NA REGIÃO

O ex-prefeito de Goianésia Leozão, Leonardo Silva Menezes, também merece atenção.

Ele foi eleito prefeito em 2020 com 17.646 votos e, mesmo derrotado na eleição municipal de 2024, recebeu 16.790 votos.

É uma demonstração concreta de força municipal.

A pergunta é até onde essa votação consegue viajar.

Para entrar na briga pelas primeiras posições da chapa, Leozão precisará sair de Goianésia e transformar sua influência no Vale do São Patrício em uma candidatura regional e estadual.

OUTROS NOMES TENTAM SURPREENDER

A nominata inclui ainda Rebeca Romero, Gláucia Melo, Adair Henrique, Felipe Cecílio, Itamar Leão, Alexandre Tocantins, Rodolfo Valente, Osmar Lisboa, Eliete Paixão, João da Luz, Tenente Eglai, Ariana Fidelis e Cepita, entre outros registrados pela federação. A lista oficial confirma 18 postulantes à Câmara. (Portal do Holandа⁠)

Alguns podem desempenhar papel importante na soma dos votos da legenda mesmo sem aparecer inicialmente entre os candidatos de maior estrutura.

E esse detalhe é fundamental.

NÃO BASTA SER UM DOS MAIS VOTADOS

A eleição proporcional não é simplesmente uma corrida individual.

Primeiro, a Federação PSDB-Cidadania precisa produzir votos suficientes para conquistar cadeiras através das regras do quociente eleitoral e das sobras. Somente depois entra decisivamente a classificação nominal dos candidatos.

Por isso, a eventual força de Marconi na disputa pelo governo pode ser importante para dar visibilidade à chapa proporcional.

O problema é que o PSDB chega a esta eleição com uma coligação majoritária bem mais enxuta do que as grandes estruturas partidárias que já cercaram Marconi em eleições anteriores. Há avaliações publicadas de que essa composição reduzida também limita seu espaço no horário eleitoral. (Poder Goiás⁠)

UMA CADEIRA MUDA TUDO; DUAS MUDAM O JOGO

É justamente aqui que está o ponto central da eleição tucana para deputado federal.

Se a federação conquistar apenas uma cadeira, a disputa interna será extremamente dura. Dois deputados federais defendem mandato enquanto nomes como Flávia do Maguito, Henrique Arantes e Leozão tentam romper a barreira.

Com duas cadeiras, o cenário muda substancialmente, mas continua longe de confortável.

A fotografia inicial coloca Professor Alcides e Jeferson Rodrigues com a vantagem objetiva de já terem votação federal comprovada. Flávia aparece como candidatura com elevado potencial político, porém ainda sem uma votação própria anterior que permita dimensionar seu tamanho eleitoral. Henrique possui experiência estadual e Leozão apresenta uma base municipal mensurável.

Ainda é cedo para transformar essa fotografia em resultado.

Mas uma coisa já está clara: se a projeção de apenas uma ou duas cadeiras estiver correta, alguns nomes politicamente fortes ficarão de fora.

E talvez uma das disputas mais interessantes da campanha de Marconi não esteja apenas no Palácio das Esmeraldas.

Estará dentro da própria chapa tucana, na corrida para saber quem sobreviverá à matemática das urnas para chegar a Brasília.


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